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1. L ve R düğmelerine eş zamanlı basın (anahtar konumu en az I olmalıdır)
Quase meio século após o surgimento da discussão historiográfica da fronteira estadunidense, em 1931, Walter Prescott Webb publica um trabalho no qual analisa as Grandes Planícies62 e os indivíduos que ali viviam entre os séculos XVI e XX. Webb avalia a influência do ambiente físico sobre os indígenas, conquistadores e missionários espanhóis e agricultores anglo-americanos, dando ênfase no seu estilo de vida, nas
61 O termo “branco” não faz, necessariamente, menção ao europeu. Muitas vezes estes “brancos” tão recorrentes em diversas obras historiográficas passaram por um processo de miscigenação. Neste trabalho, utilizaremos o mencionado termo como referência do “outro” na perspectiva do indígena. Deste modo o “branco” é relativo. Doravante não utilizaremos mais aspas para tal termo.
62 De acordo com a tese de Webb, as “Grandes Planícies” representam uma vasta região que vai desde o meridiano 980, passando pelos estados de Dakota, Nebraska, Kansas e Texas, rumo ao Pacífico, nas proximidades dos estados de Washington, Oregon e Califórnia. WEBB, Walter Prescott. The Great
instituições e nas estratégias desenvolvidas por aqueles que foram chamados de “homens das planícies”.63
O objetivo da tese de Webb é bem claro: em um estudo comparativo entre o Leste e o Oeste, procura demonstrar como as três características dominantes das Grandes Planícies – escassez de madeira, insuficiência de chuvas e semi-aridez – moldaram a vida anglo-americana, seus costumes, instituições e suas características peculiares.
Webb argumenta que, diferentemente da região Oriental, além do meridiano 980 elementos essenciais para a vida dos habitantes do Leste dos Estados Unidos como reservas de madeira, chuvas regulares e água disponível, eram escassos. Esse ambiente estranho para os habitantes dos Estados Unidos acabou por forçá-los a um salto das florestas úmidas do Leste para o Pacífico, fazendo com que os Estados Unidos ficassem fracionados em dois terrenos, separados por um espaço que Webb chamou de “Grande Deserto Americano”.64
Para Webb, a efetiva ocupação e desenvolvimento dessa região foram posteriores às adaptações das instituições e estilo de vida americano. Os anglo- americanos e demais europeus não tiveram maiores contratempos no litoral Leste, uma vez que suas ferramentas, suas instituições e seu estilo de vida ali não diferiam em muito daquele já vivido na Europa. O mesmo não se deu com a experiência em um ambiente estranho. O rifle Kentucky de apenas um disparo, a pecuária de base florestal, as habitações e cercas feitas com madeira ou pedra, a água em abundância, as terras úmidas, as leis e literatura cederam lugar a uma série de inovações. Dentre as novidades temos o uso do cavalo como transporte, a carabina Winchester, o revolver Colt de seis balas, o arame farpado, a irrigação, os moinhos de vento, as habitações de SOD, como também as novas leis e literatura. Tais inovações foram conduzidas por esse novo ambiente físico. As técnicas e costumes comuns ao Leste eram ineficazes no ambiente da Planície. Ou os pioneiros adaptavam-se ou recuavam.65
63 WEBB, Walter Prescott. The Great Plains. Boston: Ginn. 1959, p. 8. 64 Ibidem, pp. 8, 17, 27, 32.
65 Ibidem, p. 171. As casas de SOD têm suas paredes feitas de despoja do gramado colocado horizontalmente em cursos como tijolos. Estas casas foram muito comuns no avanço rumo ao Oeste Americano, em locais onde pedras e madeira eram escassas. Sobre as casas de SOD e a vida na fronteira
Segundo Webb, nos dois últimos séculos, os pioneiros tiveram que implementar técnicas diferentes daquelas utilizadas a Leste do rio Mississippi. Ao encontrar soluções para os desafios de um ambiente novo, os pioneiros foram conquistando a fronteira numa taxa constante de aceleração. Deste modo, atravessaram o Mississippi e despontaram sobre as “Grandes Planícies”, num ambiente desconhecido, no qual não tinham qualquer experiência. “O resultado foi uma completa ruptura temporal apesar
da maquinaria e dos modos de ser pioneiro”. 66
1.3.1 Os “Homens das Planícies” e Seu Ambiente Singular
Webb dedica boa parte de seu texto a citar exemplos da incapacidade do pioneiro em lidar com o ambiente das Planícies valendo-se de métodos tradicionais. Entre eles estão: culturas agrícolas que dependiam de abundantes índices pluviométricos, as quais não sobreviveram nas Planícies; transporte fluvial quase impossível devido à escassez de rios; falta de madeira e pedras que impossibilitava a construção de habitações e cercas para as criações e a utilização do rifle Kentucky, empregado na densa floresta, mas ineficaz nos espaços abertos, uma vez que, ao recarregá-lo, o pioneiro ficava exposto aos velozes ataques dos índios cavaleiros. Com isso, a efetiva ocupação das Planícies demorou décadas, obedecendo ao ritmo das inovações, dos métodos e, sobretudo, das tecnologias.
Diante dessas impossibilidades, o pioneiro foi forçado a adaptar-se ao novo ambiente. São exemplos dessas adaptações: a substituição do transporte fluvial pelo uso do cavalo – contudo, para Webb somente com a ferrovia é que o transporte realmente melhora; introdução de novas culturas e métodos agrícolas mais adequados à baixa umidade; busca de novas fontes de água, como por meio da perfuração do subsolo; construção de habitações de SOD – só substituída com a importação de madeira após a
Oeste dos Estados Unidos, ver também: DICK, Everett. The Sod-House Frontier: Everyday life in
Kansas, Nebraska and Dakota, 1854-1890. Lincoln, NE: Johnsen Publishing Company, 1954.
66 “The result was a complete though temporary breakdown of the machinery and ways of pioneering”. WEBB, Walter Prescott. The Great Plains. Boston: Ginn. 1959, p.8, “tradução nossa”.
implantação da ferrovia67 –, assim como a introdução do revólver Colt de seis balas e da carabina Winchester, mais eficientes em terrenos abertos. Também houve a introdução de técnicas do vaqueiro do México e o advento do arame farpado, indispensável numa região que, como foi observado, era desprovida de madeira e pedras.
O ambiente físico das “Grandes Planícies”, hostil aos primeiros que ali se aventuravam, só pôde ser domado com sucesso quando essas adaptações foram implementadas. Contudo, essas mudanças não se deram tão rapidamente, sendo fruto de experiências, de erros e acertos.
1.3.2 Os Índios das Planícies: Extraordinário Adversário
Ao passo que os pioneiros dependiam de um avanço tecnológico, sobretudo no campo bélico, os indígenas das Planícies há muito possuíam armas bem adaptadas para o confronto naquele ambiente. Durante um quarto de século os povos indígenas que habitavam as Planícies revelaram-se um grande entrave ao avanço da fronteira rumo ao Oeste dos Estados Unidos. Os militares americanos encontraram grande dificuldade em subjugar os indígenas. Dotados de um amplo conhecimento do terreno, os índios faziam ataques relâmpago sobre cavalos, desaparecendo logo em seguida. De acordo com Webb, o povo indígena das “Grandes Planícies ... adotou o cavalo bem antes da
civilização branca entrar em contato com eles e o uso do cavalo efetuou uma revolução de longo alcance nos seu modo de vida.68 A resistência indígena a expansão americana rumo a Oeste só terminou por volta de 1880.
Uma vez estando os índios Comanches equipados com arco e flechas, armas bem adaptadas ao uso sobre o cavalo, somente com a introdução do Colt e da Winchester é que os “Rangers”69 puderam fazer frente aos povos nativos das Planícies.
67 As construções de ferrovias, além de dinamizar as rotas econômicas, também atendiam a uma necessidade militar. WEBB, Walter Prescott. The Great Plains. Boston: Ginn. 1959, p. 197.
68 “... adopted the horse long before white civilization came in contact with them, and the use of the
horse effected a far-reaching revolution in their ways of life”. Idem, p. 52.
69 Os Rangers foram criados para dar proteção aos colonos que marchavam sobre território indígena. A figura do Ranger também foi fruto de uma grande construção mitológica, de que encontramos vastos exemplos tanto na literatura quanto no cinema norte-americano.
Webb atribui à resistência indígena grande parte da derrota espanhola na colonização da região. Segundo ele, os anglo-americanos obtiveram êxito, pois suas armas bem adaptadas compensavam qualquer vantagem que os índios tinham sobre os cavalos. Por seu turno, os espanhóis não tiveram sucesso em sua experiência colonial na fronteira na segunda metade do século XVIII. Não estavam adaptados e sua tecnologia não pôde fazer frente aos indígenas. Se na análise de Webb os espanhóis fracassaram, os mexicanos tiveram ainda menos êxito do que os espanhóis.70