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Konsolide Sermaye Yeterliliği Standart Oranına İlişkin Açıklamalar (devamı)

KONSOLİDE MALİ BÜNYEYE İLİŞKİN BİLGİLER I. Konsolide Sermaye Yeterliliği Standart Oranına İlişkin Açıklamalar

I. Konsolide Sermaye Yeterliliği Standart Oranına İlişkin Açıklamalar (devamı)

Diante dos depoimentos do Grupo de Professores de Música do CEFET-CE, constatamos que houve a interferência do poder arbitrário do governo federal brasileiro, através da legislação brasileira, no processo de criação do Curso Técnico em Música do então

CEFET-CE, fator que ajudou a fortalecer o processo de legitimação do campo de educação musical da instituição.

A Lei Federal n° 8.948 de 08 de dezembro de 1994, sancionada pelo então presidente Itamar Franco, permite que as Escolas Técnicas sejam transformadas em Centros Federais, cuja missão institucional passa a ser ampliada com a atuação da indissociabilidade de Ensino, Pesquisa e Extensão (IFCE, 2012).

Porém, apenas em 1998, foi protocolado o projeto institucional para transformar a instituição cearense Escola Técnica Federal do Ceará em Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (CEFET-CE). Com tal transformação, a instituição passou a ofertar, além do ensino técnico, o ensino superior, principalmente, por meio de cursos tecnólogos (IFCE, 2012).

O Projeto Arte-Educação, criado na década de 1980, na então Escola Técnica Federal do Ceará, encontra-se, no final da década de 1990, obrigado a ser repensado devido às interferências ocasionadas pela legislação brasileira, de acordo com as entrevistas concedidas pelo Grupo de Professores de música do CEFET-CE.

A lei que inicia as reflexões acerca do futuro do Projeto Arte-Educação foi a Lei Federal n° 8.948 de 08 de dezembro de 1994, a qual transforma as Escolas Técnicas em Centros Federais Tecnológicos e se efetiva no Ceará no ano de 1999, mantendo no mesmo ambiente o ensino técnico integrado (nível médio) e o ensino tecnológico (nível superior).

O Projeto Arte-Educação que era possível a todos os alunos da instituição, antes de tal lei, torna-se restrito à parcela de alunos de nível médio, os alunos dos cursos técnicos integrados.

A situação dos professores do Projeto Arte-Educação torna-se alarmante com as decisões legais do primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, de 1994 a 1998, com a possível ameaça da extinção do ensino técnico integrado na instituição, obrigando-os a pensar em novas estratégias para que o ensino de artes na instituição não deixe de ser ofertado. O Decreto nº 2.208 de 17 de abril de 1997, proibiu a oferta de ensino médio integrado à educação profissional.

Art 3º A educação profissional compreende os seguintes níveis: I - básico: destinado à qualificação, requalificação e reprofissionalização de trabalhadores, independente de escolaridade prévia;

II - técnico: destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos do ensino médio, devendo ser ministrado na forma estabelecida por este Decreto;

III - tecnológico: correspondente a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico. Art 5º A educação profissional de nível técnico terá organização curricular própria e independente do ensino médio, podendo ser oferecida de forma concomitante ou sequencial a este.

Art 9 º As disciplinas do currículo do ensino técnico serão ministradas por professores, instrutores e monitores selecionados, principalmente, em função de sua experiência profissional, que deverão ser preparados para o magistério, previamente ou em serviço, através de cursos regulares de licenciatura ou de programas especiais de formação pedagógica. (Decreto nº 2.208/97)

Podemos claramente perceber o poder arbitrário (BOURDIEU,2010) da legislação interferindo na estruturação da instituição escolar de caráter federal, mais precisamente ameaçando a estrutura do Projeto Arte-Educação com a proibição da oferta do ensino técnico integrado.

Proibir a oferta de tal nível de ensino na então Escola Técnica Federal do Ceará, que estava prestes a ser transformada em Centro Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, significaria naquele momento uma possível ameaça de extinção do referido projeto, pois o mesmo não poderia permanecer ativo na instituição se o público dele não estivesse mais no corpo discente.

Precisamos considerar que o poder arbitrário da legislação trouxe também oportunidade de beneficiar o campo de educação musical da instituição federal de ensino. Os artigos 5° e 9° do Decerto 2.208/97 abriram o precedente para que fosse criado um curso de música de nível técnico, com organização curricular própria e independente do ensino médio, o qual já poderia contar com professores efetivos preparados para o magistério na área de música.

A portaria nº 646 de 14 de maio de 1997, assinada pelo então Ministro da Educação Paulo Renato, fixou metas para diminuição da oferta de ensino médio pelas escolas técnicas federais, com base no decreto apresentado anteriormente neste trabalho, visando se adequar às novas deliberações, no prazo de até quatro anos, ou seja, até o ano de 2001.

O Ministro de Estado da Educação e do Desporto, no uso de suas atribuições e considerando o disposto nos Art. 39 a 42 e 88 da Lei nº

9394 de 24 de dezembro de 1996, bem como o Decreto nº 2.208 de 17 de abril de 1997, resolve:

Art. 1º - A implantação do disposto nos Art. 39 a 42 da Lei nº 9.394/96 e no Decreto nº 2.208/97, far-se-á, na rede federal de educação tecnológica, no prazo de até quatro anos.

§ 1º - As instituições federais de educação tecnológica - Escolas Técnicas Federais, Escolas Agrotécnicas Federais, Escolas Técnicas das Universidades e Centros Federais de Educação Tecnológica - para dar cumprimento ao disposto do caput deste artigo, elaborarão um Plano de Implantação, levando em consideração suas condições materiais, financeiras e de recursos humanos. (Portaria nº 646/97)

Através do período de adequação proposto pela Portaria n°646/97, os professores do Projeto Arte-Educação puderam maturar as ideias e escreverem os projetos que tornaram possível a criação não só do Curso Técnico em Música, como também dos cursos: Tecnólogo em Artes Cênicas e Tecnólogo em Artes Plásticas.

Corroborando com as medidas propostas pelo Decreto n° 2.208/97 e pela Portaria n° 646/97, foi aprovada a Lei 9.649 de 27 de maio de 1998 que proibia a expansão do sistema federal de educação profissional.

§ 5o A expansão da oferta de educação profissional, mediante a criação de novas unidades de ensino por parte da União, somente poderá ocorrer em parceria com Estados, Municípios, Distrito Federal, setor produtivo ou organizações não-governamentais, que serão responsáveis pela manutenção e gestão dos novos estabelecimentos de ensino. (Lei 9.649/98)

Com tais condições apresentadas pela legislação brasileira, diante desse cenário, foi elaborado no ano de 2001 o Projeto de Criação do Curso Técnico em Música do Centro Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.

Apenas o Decreto n° 5.154 de 23 de julho de 2004 revogou o Decreto 2.208/97, iniciando, assim, a expansão da Educação Profissional e Tecnológica em nosso país.

Art. 7o Os cursos de educação profissional técnica de nível médio e os cursos de educação profissional tecnológica de graduação conduzem à diplomação após sua conclusão com aproveitamento.

Parágrafo único. Para a obtenção do diploma de técnico de nível médio, o aluno deverá concluir seus estudos de educação profissional técnica de nível médio e de ensino médio.

Art. 8o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 9o Revoga-se o Decreto no 2.208, de 17 de abril de 1997.

A presença do advérbio "somente" não deixa dúvidas. A União até poderia custear a construção de novos estabelecimentos, mas custeio e pessoal não mais seriam da sua responsabilidade. Em outras palavras, a nova escola não seria federal, mas estadual, municipal ou privada (Decerto n° 5.154/04).

Após aproximadamente uma década da transformação da Escola Técnica Federal do Ceará em Centro Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva sanciona a Lei n°11.892 de 29 de dezembro de 2008, criando então o atual IFCE (IFCE, 2012).

Benzer Belgeler