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İnsan İradesine Devletin Koymuş Olduğu Sınırlamalar

1.2. İslam Borçlar Hukukunda Rıza İlkesi

1.2.1. Rıza İle İlgili Terimler

1.2.1.1. İrade

1.2.1.1.3. İnsan İradesine Devletin Koymuş Olduğu Sınırlamalar

A categoria referente ao Real é constituída pelos fatos, as verdades e as presunções, cujo ponto de vista é determinado por um auditório universal. Por outro lado, a categoria referente ao Preferível comporta os valores, as hierarquias e os lugares do preferível, que por sua vez, mesmo sendo amplo, identifica-se com um auditório particular. Logo, cada auditório aceita apenas um determinado tipo de objetos referentes a cada tipo de acordo.

Em se tratando dos objetos de acordo pertencentes à categoria do real, de acordo com Perelman e Tyteca (2005), os fatos e as verdades pertencem a uma classificação e as presunções a outra. Assim, os fatos, grosso modo, caracterizam-se por se referirem a uma realidade mais objetiva, precisa, ou seja, o que não é passível de contestação e, por isso, comum a todos, isto é, ao acordo estabelecido pelo auditório universal.

Na argumentação, a importância do fato se deve à ideia de ser admitido por todos. Portanto, um fato, enquanto não contestado por outra pessoa, não há necessidade de justificá-lo. Como

salienta Perelman: “enquanto dura o acordo, o fato pode servir de ponto inicial para argumentações posteriores.” (PERELMAN, 1997, p. 221)

Visto isso, uma vez que não há uma contestação ao fato, também não há uma justificação da adesão, já que não tem por que ela ser intensificada ou generalizada, o que torna o fato à parte da argumentação. “A adesão ao fato não será, para o indivíduo, senão uma reação subjetiva a algo que se impõe a todos.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 75).

Porém, vimos que um auditório universal pode não aceitar o fato colocado pelo orador, questionando-o e recusando-o, o que faz com que o fato perca seu estatuto, como, por exemplo, quando o auditório levanta dúvidas acerca da proposição enunciada, ou então, quando o auditório é ampliado por membros que não admitem a qualidade do fato, o que, contrariamente ao auditório universal, permite mostrar que “o auditório que admitia o fato é apenas um auditório particular, a cujas concepções se opõem a dos membros de um auditório ampliado.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 76)

Em relação às verdades, Perelman e Tyteca (2005) afirmam possuir as mesmas características dos fatos, embora pertencentes a sistemas com uma maior complexidade, referentes a teorias científicas ou filosóficas, por exemplo. Segundo os autores, a distinção entre fatos e verdades vai além disso, e que muitos filósofos ainda discutem suas diferenças. Dessa maneira, “pode- se também conceber a relação deles de tal forma que o enunciado de um fato seja uma verdade e que toda verdade enuncie um fato.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 77)

A respeito das presunções, observamos que a adesão pelo auditório universal não é total, o que faz com que a presunção conte com um reforço de determinados elementos para admitir a adesão, o que a caracteriza por não precisar ser retirada de uma argumentação prévia. Na maior parte das vezes, as presunções são o ponto de partida da argumentação, uma vez que sejam admitidas de imediato. Por exemplo, citamos uma espécie de presunção relatada dessa maneira por Perelman e Tyteca (2005, p. 79): “presunção de credulidade natural, que faz com que nosso primeiro movimento seja acolher como verdadeiro o que nos dizem e que é admitida enquanto e na medida em que não tivemos motivo para desconfiar”.

Em contrapartida, a categoria do preferível, constituída pelos valores, hierarquia e lugares do preferível, pretende conquistar a adesão somente pelo acordo do auditório particular. Assim,

em toda argumentação há, em um determinado momento, uma intervenção dos valores como base de argumentação, como, por exemplo, no campo político. Isso ocorre para motivar e incentivar o auditório a aderir certa proposição e não outra. Segundo Perelman e Tyteca (2005, p. 84), “Estar de acordo acerca de um valor é admitir que um objeto, um ser ou um ideal deve exercer sobre a ação e as disposições à ação uma influência determinada, que se pode alegar em uma argumentação, sem se considerar, porém, que esse ponto de vista se impõe a todos.”

De acordo com os autores, não podemos, em uma discussão, negar simplesmente um valor sem darmos uma justificativa ou reconhecer outros valores, pois daí entraríamos no domínio da força e sairíamos do campo da discussão.

Em se tratando da questão dos valores na argumentação, observamos uma relevante distinção entre os valores concretos e os valores abstratos. Sendo assim, segundo Perelman e Tyteca (2005), valores concretos referem-se a um objeto particular, a um ser ou grupo determinado, como, por exemplo, à França ou à Igreja. Já os valores abstratos são determinados em função dos valores concretos e têm como exemplo a justiça ou a verdade. Ou seja, “valores concretos são utilizados, o mais das vezes, para fundar os valores abstratos, e inversamente.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 89)

Por esse viés, as noções de fidelidade, lealdade, solidariedade e disciplina são concebidas em comparação com os valores concretos, ou seja, essas noções só são percebidas nas relações interpessoais, cujos seres são constituídos de valores concretos, uns em relação aos outros.

Com efeito, é quase impossível que o sujeito não se apoie a um outro tipo de valor, uma vez que a argumentação é baseada ora pelos valores concretos ora pelos valores abstratos. Porém, vale ressaltar a dificuldade em perceber a representação de cada um e, principalmente, o que para alguns é compreendido como valor concreto pode não ser para outros, já que a sociedade, a cultura e a época variam e interferem diretamente na concepção dos valores.

Assim como os valores, a argumentação também é fundamentada pelas hierarquias, que se apresentam sob o aspecto concreto e abstrato. Assim, conforme a descrição de Perelman e Tyteca (2005), um exemplo de hierarquia concreta é a que expressa a superioridade dos homens sobre os animais e a hierarquia abstrata, por exemplo, a que expressa a superioridade do justo sobre o útil.

A importância dada às hierarquias de valores no que concerne à estrutura de uma argumentação chega a ser maior do que os próprios valores. Assim, “o que caracteriza cada auditório é menos os valores que admite do que o modo como os hierarquiza.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 92). O que se tem a ressaltar é o fato de, apesar da primazia da hierarquia, os valores não perdem sua relativa independência.

Por fim, como o último objeto de acordo da categoria do preferível, estão os lugares, cuja designação permite a classificação dos argumentos, isto é, os lugares seriam uma espécie de reservatório, um local onde se guardam os argumentos. Assim, os lugares permitem estabelecer tanto os valores quanto as hierarquias. Portanto, “quando um acordo é constatado, podemos presumir que é fundado sobre lugares mais gerais aceitos pelos interlocutores.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 96)

Dessa maneira, Perelman e Tyteca (2005) definem os lugares em, principalmente, lugares da quantidade e lugares da qualidade, a fim de analisar quais aspectos levam um auditório a recorrer determinados lugares em cada situação argumentativa apresentada.

Lugares da quantidade, de acordo com Perelman e Tyteca (2005), caracterizam-se por afirmarem, por aspectos quantitativos, que uma coisa é melhor do que outra, o que os autores ressaltam é que essa razão da superioridade tanto vale para valores positivos quanto para negativos. “O lugar da quantidade, a superioridade do que é admitido pelo maior número, é que fundamentam certas concepções da democracia e, também, as concepções da razão que assimilam esta ao ‘senso-comum.’” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 98). Enfim, os lugares da quantidade procuram frequentemente apontar a eficácia de um meio, relacionando, assim, aos valores, por exemplo, de duração, de estabilidade e de objetividade; permitindo, segundo Perelman (1997, p. 189), “analisar e valorizar a justiça, avaliar o papel e a importância da lei e da convenção.”

Por outro lado, os lugares da qualidade estão na contramão dos da quantidade, contestando os números em favor da qualidade da verdade. “O verdadeiro não pode sucumbir, seja qual for o número de seus adversários: estamos em presença de um valor de ordem superior, incomparável.” (PERELMAN; TYTECA, 2005, p. 101). Referem-se ao raro, original,

heterogêneo, único e concreto. Aqui, como ressalta Perelman (1997, p. 189), “o que merece a nossa dileção não é o que dura, mas o que vai desaparecer; não o que pode

servir a todos e sempre, mas o que se deve agarrar porque a ocasião nos diz respeito e nunca mais se apresentará”. E ainda, complementa Perelman: “o único é incomparável, mas, com maior frequência ainda, o incomparável é que é qualificado de único, e adquire o valor do insubstituível.” (PERELMAN, 1997, p. 189)

Além dos lugares da quantidade e da qualidade, os autores também definem os lugares da ordem – afirmam a superioridade do anterior sobre o posterior; os lugares do existente – afirmam a superioridade do que existe, do que é real sobre o possível ou impossível; os lugares da essência – conferem um valor de superioridade aos indivíduos enquanto representante da essência sobre cada uma de suas encarnações; e os lugares da pessoa – vinculados a sua dignidade, ao seu mérito e a sua autonomia.

Partindo do ponto de vista sociológico, Perelman (1997) propõe distinguir tecnicamente a argumentação da demonstração, com o objetivo de tornar mais produtivas suas aplicações sociais.