2.1. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.2.1. ÜLKE ÖRNEKLERİ
2.2.1.2. İngiltere
Em 2000, em um movimento intenso desencadeado na rede estadual de ensino, as escolas foram convocadas, após o processo denominado Constituinte Escolar, a elaborarem, a partir dos pressupostos estabelecidos neste processo, seus documentos oficiais: Projeto Político Pedagógico, Regimento e Planos de Estudos. Houve uma adequação dos documentos legais das Escolas com a nova legislação federal, a partir da Lei 9394/96.
Estive a partir de junho de 2008 analisando estes documentos e os diversos registros nos arquivos do Setor de Supervisão do Instituto, da memória dos momentos de realização. O processo desta elaboração, no Isabel de Espanha, partiu de uma problematização, realizada nos segmentos de pais, alunos e professores no que se refere às finalidades da escola pública, seus pressupostos, práticas, reflexões teóricas.
A abordagem, contextualizada no pensamento freireano, citado nos documentos, debruçava-se sobre as questões da gestão pedagógica/administrativa/financeira, das práticas arraigadas no contexto escolar refletindo no tempo-currículo-avaliação e a finalidade da escola pública neste contexto.
17 Na fala da aluna, minha interlocução a fim de aprofundar o assunto desta fala e demais que se sucederam, sempre que considerei necessário.
A partir destas discussões, houve o momento do diagnóstico, quando se avaliou a escola que tinham e a que queriam. Após, metas foram estabelecidas para que todos pudessem tornar reais as necessidades de melhoria no ensino do Instituto, tais como a necessidade de reuniões, a motivação para que os pais venham à escola, a garantia de espaços de discussão, o planejamento participativo enfocando a função social da escola e do professor, o trabalho enfocando os valores da família e da escola, a participação e organização de campanhas de solidariedade, intercâmbio com universidades, carga horária do professor para planejamento, especial atenção na aquisição e conservação dos materiais pedagógicos.
Com relação ao enfoque que estava sendo dado à formação dos professores, assinalo uma preocupação com a integração dos alunos do Normal com os professores das séries iniciais do fundamental, em uma clara otimização das classes de aplicação. Além disto, a afirmação da importância de reuniões entre os professores e a necessidade de cursos de atualização. No primeiro item, não encontrei entre os professores entrevistados uma preocupação especial com o aspecto da integração, especialmente entre os professores das séries iniciais e os futuros professores. Mas há um relato importante de uma aluna a respeito dos trabalhos específicos com os alunos do Ensino Fundamental:
E para o curso contribuiu bastante porque aqui tem várias atividades extracurriculares com as crianças, tem gincana e daí o que faz: chama o Magistério para fazer gincana com as crianças. Tem bastante coisa, tem o Isabel em Cena, tem apresentações para as crianças, tem apresentação para os maiores. Tem bastante coisa. Tem oficinas, tem a sala de recursos. Vários projetos, cada data comemorativa tem um evento para as crianças. Dia das bruxas é feito festinha com as crianças, é feito enfeite para o salão, faz a festinha, nós que arrumamos. Até teve um ano, nós que arrumamos. A gente fez uma peça de teatro que falava para as crianças sobre o dia das bruxas. Tudo isto, como era no tempo de aula, tudo que a gente tinha que fazer tinha um projeto, tinha que ter um objetivo. Então isto foi muito interessante. E eu gostei muito disto.
A questão da necessidade de reuniões, integração entre os professores no sentido de otimizar a ação destes na formação das alunas, foi uma preocupação constante do entrevistados na pesquisa, principalmente com relação à integração entre as disciplinas de formação profissional (didáticas, metodologias e práticas) e as gerais do Ensino Médio. De que maneira viabilizar maior integração sendo que a dificuldade começa em conseguir reunir o grupo, mesmo aqueles professores das disciplinas específicas? Segundo a fala da coordenadora do estágio:
É, e nós temos que trabalhar aqui no estágio com a metodologia e também com o conteúdo, elas não sabem. Este problema da Prática, a Metodologia e a Prática, como não existe um planejamento integrado, é isto que acontece. No momento que tivermos um trabalho integrado entre a metodologia e a prática, isto talvez seria um problema a menos, embora o embasamento do conteúdo das séries iniciais, tanto para o português quanto para a matemática, principalmente a matemática que é a dificuldade maior, permaneceria. Lá no terceiro ano, no segundo semestre, a professora de matemática trabalha o conteúdo de 1ª e 4ª série e começa a ver que elas não sabem nem dividir. Já é tarde. Isto passaria por uma nova discussão, uma reformulação de conteúdos, mas também tem o professor de matemática, que visão ele tem: ele prefere preparar para o Ensino Médio ou para as séries iniciais?
Nesta preocupação, fica evidente a necessidade que os professores do curso, todos, sejam os que preparam para a formação pedagógica, sejam os que tratam das disciplinas de formação do Ensino Médio, de buscarem uma linha de atuação visando aperfeiçoar a formação. Esta questão, no entanto, esbarra em dois sérios limites que vislumbrei ao passo que realizava as entrevistas: dificuldades em reunirem-se e professores engajados com a formação no Curso Normal. No dizer do diretor:
Às vezes, só sabemos que nós falhamos, por exemplo, nós gostaríamos de ter um espaço maior para reuniões, para estar reunindo, para estar conversando com os professores. Não no sentido que tem sido usado atualmente, por algumas escolas, de capacitar os professores. Eu acho que as reuniões são sempre capacitadoras, o profissional tem que capacitar nas instituições. O que ele traz é uma discussão da realidade daquela instituição que ele está inserido é uma reflexão sobre alguns temas que não deixam de ser capacitação. Mas é alguma coisa mais direcionada. Preocupamo-nos muito com isto porque percebemos, ainda bem que tem uma dedicação por parte de cada um profissional com o curso, dificilmente você vai encontrar um professor que dá aula para o magistério e ele diga: - Olha, eu não gosto de ser professor do magistério, que eu não gosto de formar professores. Ele gosta disto, é uma vantagem. Mas só isto não é suficiente. Nós sabemos que nós temos que abrir mais espaços para estas reuniões.
O diretor ressalta a preocupação individual do professor formador, o que é fundamental no trabalho desenvolvido no Instituto, em sua totalidade, mas lembra as dificuldades de manterem as reuniões, o que acaba isolando o profissional de um trabalho coletivo.
Outra fala, da professora de Metodologia da Linguagem e Prática de Ensino, salienta o perfil diferenciado que o professor do Normal necessita ter. No entender dela, o profissional está desqualificado, agravando a interação do grupo formador:
Neste momento o que mais me preocupa é a falta de qualificação dos professores. De professores que estão dando aula no magistério sem qualificação. Por quê?
Porque nós temos um governo que não dá muita bola para a educação então, quando sai um colega do Curso Normal, vem um professor que não tem a formação. Eu acho que quem tem cargo no magistério, tem que ter pedagogia. É claro, tem a matemática, tem a Biologia, tem as outras que não as matérias didáticas, mas mesmo aqueles professores não têm habilitação. O curso de magistério queira ou não queira é diferenciado. Tu estás tratando com pessoas que vão preparar outras pessoas. Então como eu já falei no início: tem a questão da sensibilidade que tu tens que ter. Tu tens que dar uma visão diferente para estes alunos, o trabalho é diferenciado. Então, não é qualquer professor que tem esta visão. E quando eu digo o professor especializado, não sei se em termos de curso, mas que ele tenha esta visão que a clientela é diferente. O teu trabalho é diferenciado. Não é melhor nem pior, não é isto que eu estou dizendo. É diferenciado porque tu estás preparando alguém que vai formar cidadãos.
Em uma análise mais apurada destas situações, inferi que estas reuniões de articulação e planejamento são, na realidade, uma preocupação unânime. Com a possibilidade de rever todo o currículo escolar, a partir deste movimento iniciado com a Constituinte Escolar, foram revisadas várias situações que levaram a uma melhoria geral do curso, exemplificando, a questão da prática de ensino, a partir da monitoria, no primeiro ano. Entraves permaneceram, no entanto, como limitadores no caminho do aperfeiçoamento, sendo o principal deles, no meu entender, a fragmentação das disciplinas pedagógicas (metodologias e práticas) entre si e estas com relação às demais disciplinas do Ensino Médio.