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2.4. Plütonyumun Bertaraf Edilmesi ve İnert Matriks Yakıtlar

2.4.2. İnert matriks yakıtlar

Para que se possa entender como a docência leiga é institucionalizada pelo Estado brasileiro será retomado um pouco da história e, ao fazê-lo, voltar ao ano de 1549 que marca a chegada da Companhia de Jesus28 ao Brasil. A Companhia de Jesus havia sido fundada poucos anos antes, em 1534, por Inácio de Loyola e recebeu aprovação do Papa Paulo III em 1540. Os padres jesuítas assumiram, além da função de catequizar os índios, primeiros habitantes do país, a função de fornecer-lhes uma instrução29 que pudesse favorecer os objetivos da congregação, que eram expandir e consolidar o cristianismo na Colônia conquistando almas para Deus e ampliar o número de súditos para a Coroa Portuguesa arregimentando os índios como força de trabalho.

Até o período que antecedeu o reinado de D. José I e o conseqüente predomínio do Marquês de Pombal na condução da política lusa, a educação escolar, tanto em Portugal quanto no Brasil (e Grão-Pará), não só era conduzida pelas ordens religiosas como estava basicamente subordinada a seus interesses. Como ainda não havia separação entre Igreja e Estado, uma parcela dos impostos era destinada às atividades da igreja e, desta forma, pode-se dizer que o financiamento da educação era público. (COLARES, 2003, p. 146)

Com a expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal em 1759, o Estado se tornou responsável pela educação dos habitantes do país. Isso, porém, não representou um avanço, ao contrário, é entendido como um retrocesso uma vez que não havia um plano de ação para atender à demanda deixada pelos padres da Companhia de Jesus. Havia dificuldade de encontrar professores preparados para tal função além de o tipo de escola existente causar grande aversão nas crianças (COLARES, 2003).

28 Faz-se referência especial à Companhia de Jesus por ter sido a Ordem religiosa que mais se destacou na catequização dos índios no Brasil. No entanto, outras Ordens também se instalaram e desenvolveram atividades com os índios, como os Carmelitas e os Franciscanos entre outros.

29 Segundo Colares (2003) a escolarização estava restrita a uma minoria. Aos demais, a absoluta maioria, restava a catequização, embora nesta também estivesse presente o sentido educativo (p.146).

A ausência de professores qualificados para a docência possibilitou a contratação de leigos, vocábulo30 que na época limitava-se à interpretação de professores não ligados a Ordens religiosas.

Durante o período do Império houve a preocupação com a formação dos professores para o ensino primário embora pouco tenha sido feito, de modo concreto, para enfrentar essa problemática.

A partir de 1920 as modificações na configuração da economia brasileira, demandadas pelo processo de industrialização e urbanização, aumentam a demanda pela escolarização na medida em que se passa a requerer do indivíduo um maior preparo escolar, como meio de ascensão em sua atividade profissional (LELIS, 1996, p.38). Em face disso e ainda segundo Lelis (op. cit.), o sistema educacional passou a ser determinado por essas modificações o que provocou a expansão da rede pública de ensino e a redefinição do papel da escola na sociedade brasileira. As reformas do sistema de ensino nos diferentes Estados da Federação passaram a considerar a necessidade de formar professores para atender às necessidades do novo cenário econômico que se desenhava. No entanto, como em cada unidade federativa existia uma legislação própria para a contratação de docentes, o Estado se ressentia de uma Lei que regulamentasse a formação de professores e a entrada na profissão em todo o território nacional.

Essa questão foi de alguma forma resolvida com a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 4.024/61 que fixava em seu artigo 53 que a formação de professores para a docência na escola primária deveria fazer- se:

a) em escola normal de grau ginasial no mínimo de quatro séries anuais onde além das disciplinas obrigatórias do curso secundário ginasial será ministrada preparação pedagógica;

b) em escola normal de grau colegial, de três séries anuais, no mínimo, em prosseguimento ao [...] grau ginasial.

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Leigo (subst. Adj.). 1. que ou aquele que não recebeu ordens sacras; laico. 2. que ou aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão, etc; desconhecedor, inexperiente. 3. diz se de juiz não togado, não diplomado em direito. 4. não clerical; relativo ao meio civil; mundano, secular (Dicionário Houaiss, 2001).

No artigo 54 desta mesma Lei fica estabelecido que as escolas normais de grau ginasial expedirão o diploma de regente de ensino primário e as de grau colegial o de professor primário.

No que se refere à formação de professores e demais profissionais da educação para atuar na escola do campo, a referida Lei em seu artigo 57 ordena, de forma pouco clara, que tal qualificação poderá se dar em estabelecimentos que determinem a integração ao meio.

Art. 57. A formação de professores, orientadores e supervisores para as escolas rurais primárias poderá ser feita em estabelecimentos que lhes prescrevem a integração no meio.

No entanto, paralelamente às dificuldades para oferecer a escolarização formal no campo e na cidade, os diferentes governos enfrentaram também dificuldades para encontrar profissionais com a formação necessária para exercer a docência. Considerando a carência de professores qualificados e que estivessem dispostos a se deslocar para as comunidades distantes, o legislador previa, no artigo 116 das Disposições Transitórias, que a habilitação para o exercício da docência de 1ª a 4ª séries fosse feita através de exame de suficiência para aqueles que tivessem interesse em lecionar.

Art. 116. Enquanto não houver número suficiente de professores primários formados pelas Escolas Normais ou pelos Institutos de Educação e sempre que se registre esta falta, a habilitação ao exercício do magistério a título precário até que cesse a falta, será feita por meio de exame de suficiência, realizado na Escola Normal ou Instituto de Educação Oficial, para tanto credenciado pelo Conselho Estadual de Educação.

A Lei 5.692/71 que reformou o ensino de 1º e 2º graus, e revogou os artigos acima citados da Lei 4.024/61, estabelecia o seguinte para a formação de professores de 1ª a 4ª série do 1º grau:

Art. 30. Exigir-se-á como formação mínima para o exercício do magistério:

a) no ensino de 1º grau, da 1ª a 4ª séries, habilitação específica de 2º grau;

Parágrafo 1º. Os professores a que se refere a letra “a” poderão lecionar na 5ª e 6ª séries do ensino de 1º grau se a sua habilitação houver sido obtida em quatro séries ou, quando em três, mediante estudos adicionais correspondentes a um ano letivo que incluirão, quando for o caso, formação pedagógica.

No artigo 77 das Disposições Transitórias ficava estabelecida a permissão para a docência em regime de formação precária.

Quando a oferta de professores, legalmente habilitados, não bastar para atender as necessidades do ensino, permitir-se-á que lecionem, em caráter suplementar e a título precário;

a) no ensino de primeiro grau, até a 8ª série, os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 4ª série de 2º grau;

b) no ensino de primeiro grau, até a 6ª série, os diplomados com habilitação para o magistério ao nível da 3ª série de 2º grau.

Parágrafo único – Onde e quando persistir a falta real de professores, após a aplicação dos critérios estabelecidos neste artigo, poderão ainda lecionar:

a) no ensino de 1º grau, ate a 6ª série, candidatos que hajam concluído a 8ª série e venham a ser preparados em cursos intensivos;

b) no ensino de 1º grau, até a 5ª série, candidatos habilitados em exames de capacitação regulados, nos vários sistemas, pelos respectivos Conselhos de Educação.

Embora a legislação permitisse a admissão de professores com habilitação precária, ela estabelecia em seu artigo 29 que eles deveriam ser preparados em programas especiais de recuperação para que alcançassem, progressivamente, a formação exigida. Isso, facilmente observável nas diferentes regiões brasileiras, não foi adequadamente cumprido.

A formação de professores e especialistas para o ensino de 1º e 2º graus será feita em níveis que se elevem progressivamente, ajustando-se às diferenças culturais de cada região do País, e com orientação que atenda aos objetivos específicos de cada grau, às características das disciplinas, áreas de estudo ou atividades e às fases de desenvolvimento do educando. (ART. 29)

No Estado do Pará a iniciativa mais conhecida de oferta de progressão de estudos para os professores leigos foi o Projeto Gavião31 I e II organizado por meio de convênios entre o Governo do Estado, Prefeituras e a Universidade Federal do Pará. Os cursos do Projeto Gavião32 eram destinados exclusivamente para os professores da rede pública de ensino que não possuíam a formação mínima exigida

31 Aprovado pela Resolução nº 090/1984 do Conselho Estadual de Educação. Nota-se que foi implantado já na vigência da Lei 5.692/71.

32

O Projeto Gavião, atualmente sob a coordenação da Pró-Reitoria de Extensão da UFPA, atendeu, no ano de 2005, quatro municípios (Anajás, Porto de Moz, Tomé-Açu e Marapanim) com a oferta do curso de magistério e um município (Paragominas) com o Curso de Formação Continuada Gestão Democrática no Processo de Transformação. Ver no anexo 01 o Demonstrativo da Emissão de Diplomas e Certificados do Projeto Gavião I e II em 2005.

pela legislação. O Projeto Gavião I objetivava habilitar os professores em nível de 1º grau e o Projeto Gavião II habilitar em nível de magistério33.

Outras iniciativas isoladas e, por isso mesmo, difíceis de serem identificadas, também foram implantadas pelas respectivas redes de ensino na modalidade de cursos de extensão, de aperfeiçoamento, de reciclagem, com as mais diferentes denominações. Muitos desses cursos, nos relatos dos próprios professores, trouxeram poucas contribuições para a prática docente. Ao se referir aos cursos dessa natureza, Brandão assim se posiciona:

Não o transformam de “leigo” em “professor”, não melhoram o salário, não adicionam direitos, não somam pontos, não ajudam a escalar postos e não reescrevem a identidade. Não sugerem e não traçam uma carreira. Ensinos e conhecimentos dados aos pedaços, um pouco a cada fevereiro, cuja utilidade não vimos ninguém negar, mas cujo proveito real é quase nenhum, no julgar de todos. (BRANDÃO, 1984, p. 135)

Com a anuência da legislação em vigor a figura do professor leigo continuou presente no sistema educacional brasileiro durante os anos 60, 70, 80 e 90, até a aprovação da Lei 9.394/96 que, teoricamente, aboliu a atuação de professor com esse nível de ensino. Afirma-se que aboliu teoricamente porque ainda não se possuem estudos conclusivos sobre a questão. No entanto, dados empíricos e algumas falas de professores levam a crer que se não existem professores leigos atuando no ensino de 1ª a 4ª série segundo as estatísticas oficiais, eles podem estar escondidos no ensino de 5ª a 8ª série como professores não habilitados, ou em fase de habilitação em nível superior, exercendo a docência.

A LDB de 1996 procurou eliminar a figura do professor leigo ao elevar a formação docente para cursos de nível superior e ao estabelecer como formação mínima para a docência nas quatro primeiras séries do ensino fundamental a adquirida através de curso de nível médio na modalidade normal. No Artigo 62 dessa Lei fica assim estabelecida a formação de professores:

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o

33

O Projeto Gavião ainda é uma solução para o interior do Estado que apresenta professores leigos

(sem formação magistério) e professores com escolaridade(magistério/normal) sem comprovação de

documentos. Outro processo bem significativo este ano [2005] foi a inclusão de alunos com ensino médio sem formação de Magistério, que formaram turmas para complementação das disciplinas pedagógicas (PROEX/UFPA, Relatório Anual de 2005. pg.13).

exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

Ao estabelecer a formação do professor em nível superior e fixar a exigência de curso de nível médio para atuar na educação infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental, a atual LDB avança significativamente ao vincular a melhoria da qualidade do ensino à melhoria da formação docente.