AMAÇ 3: Dış Paydaşlarla İlişkileri Geliştirmek
C. İDARE PERFORMANS BİLGİSİ
Do ponto de vista do domínio da agricultura, estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do MCT - CGEE identificou três fases na Pesquisa & Desenvolvimento do setor sucroalcooleiro:
“ênfase em produtividade, entre 1975 e 1985, para atender aos aumentos de demanda (aumentos de capacidade nos sistemas de moagem e destilação; grandes ganhos na produtividade das fermentações; crescimento constante da produtividade agrícola). A partir de 1980, busca de maior eficiência de conversão (os melhores exemplos são os ganhos em rendimento fermentativo e extração). Por volta de 1985, o surgimento de ferramentas tecnológicas para o gerenciamento da produção agroindustrial passou a ter importância crescente (exemplos são os programas para otimização da reforma de canaviais; para o acompanhamento da safra; para o controle operacional de processos, controle mútuo e simulação dos balanços de massa e energia, etc)”.151
Assim, os principais setores relacionados ao domínio agrícola se referem ao melhoramento genético da cana; à produção de cana que abrange a entomologia e a fitopatologia; as operações agrícolas e o gerenciamento agrícola.
149 BNDES e CGEE, orgs., Bioetanol de Cana-de-Açúcar, 60.
150 No final dos anos 1970, a Petrobrás construiu e operou uma usina localizada em Curvelo,
MG, que tinha capacidade para produzir 60 mil litros de etanol por dia, utilizando mandioca como insumo.
2.2.1.1. Melhoramento Genético
O principal objetivo dos programas de melhoramento genético de cana- de-açúcar é “prover novas cultivares que ampliem a produtividade de energia (açúcar, álcool e fibra)”,152 característica associada ao acúmulo de biomassa e
ao teor de sacarose, entre outros. Assim, a maioria dos programas de melhoramento de plantas visa o aumento de produtividade mediante a eliminação de defeitos da espécie cultivada, aumento do potencial de produção
per si e otimização das características morfofisiológicas das plantas, além da
resistência às doenças.
O Brasil tem um grande número de cultivares de cana-de-açúcar em produção, o que permite que elas sejam adaptadas às condições específicas de solo, clima, época de colheita e manejo agronômico.153
Uma contribuição de caráter fundamental para o melhoramento genético foi o Projeto Genoma Cana ou SUCEST - Sugar Cane EST, lançado oficialmente em 1999 pela FAPESP, em conjunto com a Copersucar. O principal objetivo era o de seqüenciar partes escolhidas do Deoxyribonucleic
Acid - DNA da cana-de-açúcar e identificar genes com características de
interesse econômico, especialmente aqueles relacionados com o metabolismo da sacarose e com a resistência da planta a pragas e doenças, através do método das Expressed Sequence Tags - EST154.
Em termos numéricos, de acordo com os dados divulgados pela Revista da Fundação que propicia os financiamentos, o projeto teve a participação de “240 pesquisadores em 22 grupos de pesquisa e com investimento de US$ 4 milhões da FAPESP e outros US$ 400 mil da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar)”. 155
A divulgação do resultado final do Projeto Genoma Cana foi realizada através de um artigo publicado na revista científica Genome Research em setembro de 2003, com uma descrição minuciosa da constituição genética da
152 M. G. A. Landell & J. A. Bressiani, “Melhoramento Genético, Caracterização e Manejo
Varietal,” 101.
153 Ibid., 106.
154 Trata-se de uma tecnologia de seqüenciamento mais rápida e baseada apenas nas porções
dos genes expressos, que codificam proteínas.
cana-de-açúcar: “o genoma da cana-de-açúcar é constituído por 33.620 possíveis genes, dos quais cerca de 2 mil parecem estar associados à produção de açúcar”.156
As perspectivas resultantes do Projeto Genoma Cana impulsionaram mais investimentos de capital privado, com a criação de três empresas nos anos 2002 e 2003, a Allelyx, a Scylla e a Canavialis.157
A FAPESP está ainda envolvida em outras linhas de financiamento à pesquisas acerca da cana-de-açúcar e biocombustíveis, como os projetos: (a)
Transcriptoma; (b) Desenvolvimento de Marcadores Moleculares a Partir de
Etiquetas de Seqüência Expressas- ESTs de Cana-de-Açúcar para Seleção de Características Economicamente Importantes e (c) Pesquisa em Bioenergia – BIOEN.
O Transcriptoma da Cana-de-Açúcar é um desdobramento do Genoma Cana e tem por finalidade identificar genes, com a ajuda das lâminas, denominadas microarrays ou chips de DNA, que favoreçam a cana-de-açúcar a acumular altos teores de sacarose durante seu processo de maturação. O -
website do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação
Tecnológica - PITE da FAPESP informa que o valor financiado foi de R$ 493.543,00, e do Centro de Tecnologia Canavieira - CTC e da usina Centralcool, da cidade de Lucélia, no noroeste paulista, no valor de R$ 823.563,00. Os pesquisadores envolvidos são da USP, da Unicamp e da UNESP e em 2006 foram realizados duzentos depósitos de patente nos Estados Unidos de genes identificados.158
A pesquisa Desenvolvimento de Marcadores Moleculares a Partir de
ESTs de Cana-de-Açúcar para Seleção de Características Economicamente Importantes, de 2002, foi outro desdobramento do projeto Genoma da Cana e é
realizada por uma equipe de pesquisadores da Unicamp, em conjunto com
156 Ibid.
157 A Allelyx foi criada por um grupo de pesquisadores da USP, Unicamp e Unesp e em 2008 foi
adquirida pelo Grupo Monsanto. A Scylla foi criada por pesquisadores de bioinformática que participaram dos projetos Xylella fastidiosa e EST de Cana-de-açúcar, com o apoio financeiro da Votorantim Novos Negócios. A CanaVialis foi criada por um grupo de pesquisadores do PMGCA da UFSCar, com financiamento também da Votorantim Novos Negócios e também adquirida pela Monsanto em 2008.
158 Revista FAPESP, “Revolução no Canavial,” os dados mencionados foram fornecidos em
entrevista concedida por Glaucia Mendes Souza, pesquisadora do Instituto de Química da USP e coordenadora do projeto.
pesquisadores do departamento de genética da Esalq e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, ambos da USP. Sua finalidade é a identificação da planta mais produtiva a partir de sua constituição molecular. O website do PITE da FAPESP informa que o valor financiado foi R$ 172.403,00 e do CTC, de R$ 103.675,30.
Em julho de 2008 foi lançado o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia – BIOEN para estimular e articular as atividades de pesquisa em instituições paulistas no aumento de produtividade do etanol brasileiro e avançar tanto em ciência básica quanto em desenvolvimento tecnológico de geração de energia a partir de biomassa. Para tanto foram considerados cinco vertentes: (1) o de pesquisa sobre biomassa, com foco no melhoramento da cana-de-açúcar; (2) o processo de fabricação de biocombustíveis; (3) aplicações do etanol para motores automotivos; (4) estudos sobre biorrefinarias e alcoolquímica e (5) impactos sociais e ambientais do uso de biocombustíveis. A chamada de projetos do BIOEN, realizada em 2010, previu investimentos de aproximadamente R$ 38 milhões. Deste total caberão às agências financiadoras, os seguintes valores: FAPESP com R$ 19 milhões; CNPq com R$ 10,2 milhões em bolsas; e Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência (Pronex), com R$ 8,8 milhões.
No intuito de articular a pesquisa com empresas, o BIOEN fez também uma chamada de propostas em 2010, para o convênio FAPESP/Dedini, com investimento inicial de R$ 20 milhões em projetos cooperativos envolvendo especialistas da empresa e de universidades e instituições de pesquisa paulistas, em um total de R$100 milhões para cinco anos de duração.
Apesar dos esforços, comparada a outras culturas, o melhoramento genético da cana-de-açúcar não tem proporcionado o desejado aumento na produtividade, seja pela complexidade genômica da espécie159, seja por
questões relacionadas à adoção de transgênicos, como a biossegurança e o alto custo de licenciamento de patentes160.
Finalmente, uma outra tecnologia que foi bastante divulgada no cultivo da cana-de-açúcar é a biofábrica, ou seja, a produção em larga escala de
159 A. V. O. Figueira, “Biotecnologia no Melhoramento.”
mudas sadias em laboratório com técnicas de propagação in vitro e posterior aclimatação das mudas, associada à qualidade genética e fitossanitária.
2.2.1.2. Tecnologia Agrícola
O planejamento do cultivo de cana-de-açúcar permitiu um avanço no controle dos fatores que influenciam o rendimento em açúcares. Assim, atividades como a análise do clima, propriedades físicas e químicas dos solos, características das variedades utilizadas e declividade do terreno passaram a ser mais bem empregadas a partir do PNA.
Os dados oficiais mostram uma redução da demanda por adubos artificiais e uma valorização do vinhoto como adubo orgânico, rico em fósforo e potássio, através da fertirrigação, e não simplesmente seu descarte nos rios.161 Quanto aos tratos culturais, nos anos 1980, o controle de ervas daninhas na cana-de-açúcar foi feito “predominantemente através do uso de herbicidas, quer pela sua maior eficiência, quer pelo menor custo”.162
A colheita da cana queimada era comum nos anos 1970 e realizada com corte manual163. Com o surgimento de variedades melhoradas e a expansão do
plantio, adotou-se a colheita mecanizada da cana queimada.
Denominada de colheita da cana sem queima, ou cana crua, novas pesquisas foram necessárias para definir práticas agronômicas como adubação, herbicidas a ser utilizadas, modos de cultivo e outros.
O CTC conduziu vários estudos em usinas cooperadas, a partir de 1992, e os resultados da adoção da colheita mecanizada foram:
“maior controle de ervas daninhas, menor erosão, maior atividade microbiana depois de 2 a 3 anos do sistema implantado, maior retenção
161 Para o MIC em Previsão e Análise Tecnológica do Proálcool, 234, quanto aos adubos, “a
quantidade a ser utilizada por unidade de área dependerá do sistema de aplicação [irrigação ou veículos-tanque], da fertilidade do solo e da composição da vinhaça [que é variável, principalmente em função do tipo de mosto que lhe deu origem – melaço, caldo ou misto]”.
162 Ministério da Indústria e do Comércio, Previsão e Análise Tecnológica do Proálcool, 236. 163 A. L. Fischer, “Impactos Sociais,” 69, nos alerta que algumas tarefas não são substituídas
pela máquina. “É o caso da colheita, cuja alternativa tecnológica de mecanização não é viável para todos os solos, relevos e variedades de cana e sua utilização, além disso, implica num alto investimento em capital fixo”.
de umidade no solo, menor amplitude térmica, aumento na disponibilidade de nutrientes no perfil do solo, menor ataque da lagarta elasmo, etc”. 164
A produtividade da cultura de cana-de-açúcar no período de 1975 a 1996, aumentou também em função do manejo de resíduos agrícolas, como o aproveitamento do vinhoto e limpeza da cana a seco sem a necessidade de lavagem, pois “há perdas de 1 a 2% do açúcar, levado pela água quando da lavagem da cana, sendo que quando se adota a limpeza da cana a seco deixa- se de incorrer nessa perda”.165
A introdução da informática no gerenciamento e simulação das atividades desta cultura permitiu “a redução da frota de caminhões, tratores, colhedoras e implementos, maximização da quantidade de açúcar por hectare, otimização da operação das frentes de corte, avaliação do desempenho on-line e controle de todas as operações agrícolas”.166
Deve-se ainda observar a implementação da técnica de agricultura de precisão que preconiza que a adição de insumos deve ser realizada de acordo com as particularidades físico-químicas de cada área. Algumas das ferramentas utilizadas para esse fim têm sido o Sistema de Posicionamento Global (GPS), o Sistema de Informações Geográficas (GIS) e as máquinas de aplicação localizada de insumos a taxas variáveis.