• Sonuç bulunamadı

Hasan Saka Hükümeti Dönemi ve CHP VII Kurultayında Din Eğitim

2.6. Çok Partili Sürecin Başlamasıyla Milli Şef ve CHP’nin Din Politikalarında

2.7.1. Hasan Saka Hükümeti Dönemi ve CHP VII Kurultayında Din Eğitim

Após a realização das oficinas com os professores, recorremos a mais uma estratégia para a nossa investigação em torno da organização do projeto político-pedagógico da escola. Para tanto, entrevistamos cinco professores na função de diretores / coordenadores, em fevereiro de 2006, momento em que todos foram convocados pela Secretaria Municipal de Educação para a Semana Pedagógica. Partimos do pressuposto que o gestor detém

reconhecida competência e liderança para a coordenação da diversidade de interesses individuais e coletivos que povoam a comunidade e perpassam o cotidiano da escola.

Assim, intentamos alcançar a compreensão de mundo e da vida dos entrevistados, do grupo de trabalho a que pertencem, das diferentes percepções da cultura local, se provocam discussões sobre o entrelaçamento de culturas, do espaço geográfico, aspectos perceptíveis na entrevista. A finalidade da pesquisa qualitativa não prioriza contar opiniões ou pessoas, mas aprofundar o conhecimento das representações do assunto em questão, considerando que a escola é centro de rituais complexos das relações pessoais e vive seu conflito, possui sua própria cultura, respaldada na cultura dos jovens diferenciada da cultura dos adultos.

Nesse sentido, a entrevista possibilita a compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações das pessoas nas relações em contextos sociais e específicos. Para Bauer e Gaskell (2003), a entrevista utilizada como recurso de recolha de dados na pesquisa qualitativa fornece material básico para a interpretação de problemas sociais, de análise das relações entre atores sociais e a estrutura da sociedade a partir da situação de cada indivíduo.

Bauer e Gaskell (2003) argumentam que em uma série de entrevistas, as diferenças entre as narrativas são chocantes, sem semelhanças no primeiro momento, mas, progressivamente, temas comuns começam a aparecer e, conseqüentemente, uma confiança crescente na compreensão emergente do fenômeno, da realidade social, do tema em questão, de modo que em determinado ponto não aparecerão novas surpresas.

Por outro lado à qualidade de uma entrevista, às vezes, responde bem melhor em determinadas situações, do que a quantidade de pessoas entrevistadas, enquanto há situações em que diferentes representações que caracterizam um tema de interesse comum são, em parte, compartilhadas por um todo complexo de entrelaçamentos de dados.

Nesta expectativa, a partir das respostas dos gestores (Quadro 03), buscamos evidências do processo de organização dos conteúdos no ambiente de trabalho. Foram procedimentos que refletiram a cultura do planejamento geral nas escolas da comunidade. O texto dos dados recolhidos encontra-se no ANEXO R: o que têm feito para atender às recomendações dos PCN para a inserção das questões ambientais no planejamento?

Observamos nos itens 01 e 02: elegemos um tema cada ano, meio ambiente será no

segundo semestre; todo ano a gente faz qualquer coisa sobre meio ambiente. Estas respostas

não sinalizam a disposição dos diretores/coordenadores para a inserção de questões ambientais no plano de trabalho da escola. Não se percebe a disposição de nossos interlocutores para a escolha de conteúdos que tenham significados para a comunidade.

Campo de

saberes Trechos de falas dos diretores / coordenadores**

Contexto Sel eção de cont eúdos si gni fi

cativos com a articulação de

saberes

ambientais para a organização curricular

1) “Elegemos um tema cada ano, meio ambiente será no segundo semestre”.

2) “Todo ano a gente faz qualquer coisa sobre meio ambiente”.

3) “Planejamos por turno, os professores trabalham em várias escolas”.

4) “O trabalho com meio ambiente é difícil” 5) “Uma professora vai nos ajudar no planejamento este ano”

6) “É difícil planejar sem verbas”

7) “Não temos papel, lápis..., só promessas” 8) “Falta recursos para trabalhar os projetos” 9) “Não temos arborização, as crianças convivem com urubus na área”

10) “Temos um projeto para o problema do lixo”

A

concepção de planejamento para

o ano letivo dos

prof

essores do Ensi

no Fundam

ent

al

Quadro 03. Articulação do Projeto Político Pedagógico da Escola*

Como trabalha o tema Meio Ambiente no planejamento? *Compõe o norteamento do foco central da investigação

**Trechos significativos das entrevistas (ANEXO R)

Notamos as evidências de que estes gestores não assimilaram o verdadeiro sentido do que representa a contribuição da escola para a produção de novos conhecimentos no seu cotidiano. Apresentam uma visão limitada, sem senso crítico aos apelos da mídia e dos meios de comunicação para os cuidados com o ambiente.

Considerando que o processo da educação da criança é semelhante ao processo alimentar, por cuja ausência, se morre ou se definha; considerando que os problemas ambientais também fazem parte do cotidiano, estas discussões no seio da escola não podem ser preteridas ou negociadas, ante a dinâmica dos fatos, das relações, dos problemas que surgem inesperadamente na comunidade.

Neste sentido, adiar um tema, não priorizar a realidade seja qual for a essência de seu conteúdo é a escola não ter clareza do seu papel. Assim, considerando a prioridade da produção de conhecimentos significativos, concordamos com Assmann (2000, p. 282), quando afirma, “só se conhece aquilo que tem nexo com o mundo do desejável. Com

variações circunstanciais, a porção maior de nossos mundos desejáveis é bordada por linguagens que borbulham desde o imaginário”.

Nos itens, 03, 04 e 05, respectivamente, observa-se: planejamos mais por turno, os

professores trabalham em várias escolas, o trabalho com meio ambiente é difícil e uma professora vai nos ajudar no planejamento este ano.Apesar de enfatizarem as más condições

de trabalho, não explicitam a percepção de que isto representa um problema no ambiente da própria escola, que são as condições de trabalho. A situação do professor que precisa trabalhar em várias escolas, o excesso de carga horária compromete a qualidade de vida, representando desequilíbrio ambiental individual e coletivo.

Talvez não detenham o domínio das recomendações que norteiam um projeto político-pedagógico para a escola: a participação da comunidade interna e externa; o diagnóstico dos problemas da comunidade; a cooperação de esferas da administração pública; competência; criatividade; a autonomia da equipe; o ambiente adequado e, principalmente, a ousadia do grupo nas tentativas de exercitar o senso crítico em relação às questões ambientais.

Para Silva (2004, p. 40), o currículo é um instrumento, no qual docentes e discentes têm a oportunidade de examinar e colocar em discussão “de forma renovada aqueles significados da vida cotidiana que se acostumou a ver como dados naturais. O currículo é visto como experiência e como local de interrogação e questionamento da experiência”.

Nas falas das dirigentes durante as entrevistas, nos itens 07 e 08, observa-se: não

temos papel, lápis, só promessa e falta recursos para trabalhar os projetos. Não se percebeu

na organização curricular a gestão do conhecimento na perspectiva da transversalidade e nota- se que desconhecem a prática da pesquisa como um forte instrumento para a transversalidade destes conteúdos no currículo da escola, a partir de uma situação concreta da comunidade.

Dentro das dificuldades apresentadas para execução das atividades, a falta de verbas, por exemplo, pode gerar um tema de pesquisa com os alunos para verificar junto aos órgãos competentes e responsáveis, quanto cada aluno recebe do FUNDEB por ano, questionando as modalidades de utilização destes recursos pela escola. E assim, uma série de outras questões que podem derivar não só deste tema, mas de outros que justifiquem investigação e diagnóstico com ética e fidedignidade, um suporte para a organização curricular.

Portanto, para a construção do projeto político pedagógico da escola, a criatividade é fundamental, para que as ações se concretizem a contento. “Para exercer a função de gestor é preciso perceber diferentemente a vida e as dificuldades cotidianas das pessoas ajudando-as por meio da função de coordenar, organizar, sistematizar, avaliar e, sobretudo, ressignificar

ações e valores” (PILLOTTO, 2006, p. 95). A inclusão de novos conteúdos ao projeto de ensino não significa necessariamente o desaparecimento de outros.

Nos itens 09 e 10, não temos arborização, as crianças convivem com urubus na área

e temos um projeto para o problema do lixo sinalizam a preocupação com problemas locais,

mas eles têm dificuldade de viabilizar questões das políticas públicas que não oferecem melhores condições de trabalho.

Diante desta realidade, a autonomia, a competência, a participação, a atitude, são pressupostos indispensáveis aos gestores no seio da instituição, como liderança democrática da gestão do conhecimento, sendo tal liderança sem estes pré-requisitos, dificulta a superação de obstáculos durante a elaboração do projeto político pedagógico da escola. Para Zabala (2002, p. 20), é nesta encruzilhada, “que o conflito surge com toda a sua crueza: quais os novos conteúdos de aprendizagem que devem ser incluídos no currículo escolar? Principalmente, em substituição de quais”.

As evidências apontaram que uma das dificuldades, se não a maior, ao organizar os conteúdos, relacionava-se à ausência de reflexão crítica. Apontaram que os obstáculos não são vistos como frutos de uma sociedade pautada por interesses antagônicos.

Portanto, analisamos que a pesquisa e a investigação são recursos essenciais para lidar com os temas que povoam o cotidiano das atividades escolares nesta e em outras circunstâncias. A pesquisa fortalece a autonomia dos professores ao lidar com problemas como violência, cultura, religiosidade, gênero, sexo, dentre outros. Cabe ao professor a mediação reflexiva e crítica para superar as situações conflituosas e encarar as transformações sociais. O envolvimento na produção de conhecimento nos tira da situação de sujeito-objeto para a situação de cidadão comprometido com a realidade.

Considerando as evidências dos dados, estamos mais preocupados com a qualidade do que a quantidade dos dados recolhidos nos procedimentos de investigação junto à prática do professor. Com este procedimento, pretendemos destacar nosso objetivo: a percepção da inserção da educação ambiental no projeto político-pedagógico da escola e na sua prática cotidiana no ensino fundamental.

Santo Antônio de Jesus - BA CAPÍTULO 3