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2. LİTERATÜR ÇALIŞMALARI ve YASAL MEVZUAT

2.3. Enerji Kaynakları

2.3.2. Yenilenebilir enerji kaynakları

2.3.2.6. Gel-git enerjisi

Na compra e venda, a receita somente pode ser considerada ganha após a entrega da mercadoria. Embora o contrato se torne perfeito e obrigatório, nos termos do art. 482 do Código Civil, após as partes acordarem acerca do objeto e do preço, a sua simples assinatura não representa um incremento ao patrimônio líquido. Isso porque, ao mesmo tempo em que surge um crédito para o vendedor – direito ao preço – surge a obrigação correlata de promover a transferência do domínio da mercadoria (art. 491)343.

Por essa razão, nas chamadas vendas a descoberto, em que o alienante vende mercadoria que não dispõe em estoque, com recebimento antecipado, assim como nas vendas com pagamento antecipado em geral, não há receita antes da transferência do domínio do bem alienado344. Afinal, como ressalta Ricardo Mariz de Oliveira:

[...] o recebimento antecipado do preço, antes da entrega da mercadoria, não é receita para o vendedor, porque não há direito novo para ele, mas, pelo contrário, pende a sua obrigação de entrega da mercadoria respectiva, derivada do contrato, a qual fica acrescida de uma nova obrigação derivada do recebimento do adiantamento do preço, que é a obrigação de devolução do valor recebido se não entregar a mercadoria. Outrossim, nesse momento já há para o comprador direito ao recebimento da coisa, e direito à devolução do preço se a coisa não lhe for entregue, e não a mera obrigação de pagar345.

Além disso, há algumas particularidades decorrentes de contratos de compra e venda com cláusulas especiais. A primeira delas diz respeito à compra e venda com reserva de domínio. Nesta, o vendedor reserva para si a propriedade da coisa móvel até o integral

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Nesse sentido: PEDREIRA, op. cit., v. I, p. 298-299; OLIVEIRA, op. cit., p. 27; XAVIER, Estudos..., op.

cit., p. 79-80. O tema, na verdade, não tem gerado maiores debates. Noé Winker (Imposto de renda. 2. ed.

Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 380)cita julgados administrativos em que se reconhece expressamente que “[...] a receita decorrente de contrato de compra e venda comercial deve ser considerada auferida quando efetivada juridicamente a transferência da propriedade do bem (Decisão n.° 265/98 – 6.ª RF (MG).”

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Nesse sentido, cf. Parecer citado por Winker (op. cit., idem): “Ocorrendo venda a descoberto (inexistência de estoque), ainda que o vendedor tenha recebido integralmente o valor da venda, visto que a nota fiscal para entrega futura se destina a simples faturamento (art. 40 do SINIEF), deverá tal fato ser contabilizado no Passivo Circulante, devendo a receita de venda ser apropriada no exercício social em que ocorrer a transferência real ou simbólica das mercadorias objeto do contrato (Par. CST. 2060/83 Sijut 37/83).”

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pagamento do preço, adquirindo o comprador apenas a posse direta do bem (Código Civil, arts. 521-524). Portanto, como a receita somente é considerada ganha ou auferida após a transferência do domínio, antes do pagamento da última parcela e da mudança efetiva da titularidade, não há que falar em incidência da Cofins.

Não se pode, por outro lado, estender aos contratos em questão o sistema proporcional ou de rateio previsto no Decreto-Lei n.° 1.598/1977, que determina o reconhecimento do lucro nas vendas de imóveis a prazo na medida em que as parcelas são recebidas:

Art. 29 - Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do período-base da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada exercício social proporcionalmente à receita da venda recebida, observadas as seguintes normas: I - o lucro bruto será registrado em conta específica de resultado de exercícios futuros, para a qual serão transferidos a receita de venda e o custo do imóvel, inclusive o orçado (art. 28), se for o caso.

II - por ocasião da venda será determinada a relação entre o lucro bruto e a receita bruta de venda e em cada exercício social será transferida para as contas de resultado parte do lucro bruto proporcional à receita recebida no mesmo exercício;

III - a atualização monetária do orçamento e a diferença, posteriormente apurada, entre custo orçado e efetivo, deverão ser transferidas para a conta específica de resultados de exercícios futuros, com o conseqüente reajustamento da relação entre o lucro bruto e receita bruta de venda, de que trata o número II levando-se à conta de resultados a diferença de custo correspondente à parte do preço de venda já recebido;

IV - se o custo efetivo foi inferior, em mais de 15%, ao custo orçado, aplicar-se-á o disposto no § 2º do artigo 28.

§ 1º - Se a venda for contratada com juros, estes deverão ser apropriados nos resultados dos exercícios sociais a que competirem.

§ 2º - Na venda contratada com cláusula de correção monetária do saldo credor do preço, a contrapartida da correção, nas condições estipuladas no contrato, da receita de vendas a receber será computada, no resultado do exercício, como variação monetária (art. 18), pelo valor que exceder da correção, segundo os mesmos critérios, do saldo do lucro bruto registrado na conta de resultados de exercícios futuros de que trata o item I do artigo 29.

O Decreto-Lei n.º 1.598/1977 é aplicável apenas ao imposto sobre a renda, permanecendo, em relação à Cofins, a regra geral do regime de competência, que não é excepcionada pela Lei Federal n.° 10.833/2003, como no caso dos contratos com prazo de execução superior a um ano de construção por empreitada ou de fornecimento.

A determinação do momento em que se considera auferida a receita também sofre variações na venda a contento e na venda sujeita à prova. Nestas, a receita da venda somente se considera ganha na aceitação da mercadoria. Antes disso, embora ocorra a tradição, não há transferência do domínio. As obrigações do comprador são de mero comodatário (Código Civil, arts. 509-511)346. A aceitação, por outro lado, constitui condição suspensiva da compra e venda, antes da qual o negócio não se aperfeiçoa; e, por conseguinte, não se pode considerar ocorrido o evento imponível (Código Tributário Nacional, art. 117, I).

Trata-se de hipótese semelhante ao contrato estimatório ou venda em consignação. No contrato em questão, a simples tradição é insuficiente para ensejar a incidência da Cofins, porque o consignante remete ou entrega bens móveis ao consignatário com autorização de venda. Este pode restituí-los ao final do prazo ajustado ou vendê-los, pagando ao primeiro o preço previsto no contrato. Portanto, a receita, em tal hipótese, na verdade, surge apenas quando o consignatário promove a venda ou não restitui o bem no prazo ajustado, pois, antes disso, o domínio do bem pertence ao consignante (Código Civil, arts. 534-537)347.

Benzer Belgeler