• Sonuç bulunamadı

A DOCUMENTAÇÃO É ORIUNDA REGIMENTO MILITAR CEARÁ

Companhia de Infantaria das Ordenanças na Ribeira do Sitiá Companhia das Ordenanças da Ribeira dos Inhamuns

Companhia das Ordenanças da Ribeira de Tauá

Companhia do Regimento de Cavalaria Miliciana das margens do Jaguaribe Companhia do Regimento de Cavalaria Miliciana das margens do

Quixeramobim

RIO GRANDE DO NORTE

Ordenança da Ribeira do Açu

Ordenança do Regimento da Ribeira do Potengi Ordenança da Ribeira de Goianinha

Ordenança da Ribeira do Mopebu

Regimento de Infantaria das Ordenanças da Ribira do Potengi Regimento de Cavalaria das Ordenança da Ribeira do Apodi Regimento de Infantaria das Ordenanças da Ribeira do Apodi

Regimento de Cavalaria Auxiliar da Ribeira do Sul Regimento de Ordenanças da Ribeira do Seridó

PARAÍBA

Ordenança do Sertão do Piancó Ordenança do Sertão do Cariri

Companhia de Infantaria das Ordenanças da Ribeira Sucuru Cavalaria das Ordenanças da Ribeira do Cariri de Fora

Cavalaria das Ordenanças da Ribeira do Cariri

PERNAMBUCO

Ordenança da Ribeira de Caraú Ordenança da Ribeira do Camaragibe Ordenança da Companhia na Ribeira do Moxotó

Companhia da Ordenança da Ribeira do Una Ordenanças do Sertão do Pajeú Ordenança na Ribeira do Paudalho Companhia de Ordenança da Ribeira do Pajeú

Ordenanças do Sertão do Moxotó Ordenança da Companhia da Ribeira do Paudalho

Ordenança da Ribeira do Pajeú Ordenança da Ribeira do Curuangi Companhia da Infantaria da Ribeira do Pajeú Companhia do Regimento de Infantaria da Ribeira do Una

Companhia de Infantaria da Ribeira do Moxotó

Companhia de Infantaria da Ordenança da Ribeira do Capibaribe Companhia de Ordenança do Sertão do Pajeú

BAHIA 1a Companhia do Terço de Infantaria Auxiliar da Ribeira de ItapicuruRegimento de Milícias da Ribeira de Itapicuru Menções a reimentos militares em “sertões” e “ribeiras” das capitanias do Norte nos documentos do Aquivo Histórico Ultramarino (AHU) disponibilizados na rede mundial de computadores pelo Projeto Resgate.

Obs: Não encontramos regimentos militares de sertão ou ribeira na capitania do Piauí. Livre construção da autora.

“ORDENANÇA do exercito, & ordenança das batalhas, he o modo com que os esquadroens, batalhoes, & todas as mais couosas se ordenão, affim para marchar, como para combater. [...] Milicia da ordenança. Mudando-se com o tempo a ordem da Milicia antiga deste Reyno, & ficando somente os officios mayores quasi só com os titulos honorarios, pretendeo EdRey Manoel melhorar, & assentar por lista a gente, que havia em todos os lugares do Reyno; & ElRey D. Sebastiaõ trabalhou mais nesta materia, fazendo hum largo Regimento, que mandou guardar com grande observancia, para adestrar o povo na disciplina militar, & o ter prestes para quando fosse necessario servir delle. Ordenou que os Alcaides môres, & senhores dos lugares fossem Capitaens móres delles, & que onde os não houvesse, fossem eleytos em Camera pelas pessoas do governo; & do mesmo modo os Sargentos móres, os quaes depois com os votos da governança elegessem os Capitães, & officiaes das companhias, que o Capitão mô repartisse a gente do seu lugar, & termo em companhias de duzentos & cincoenta, & e que cada Domingo sahissem ao campo a se exercitar, conforme as armas, que cada hum trouxesse, havendo premios para os mais destros, & penas aos que faltassem : & que os homens de cavallo fizessem cada mez resenha debayxo dos Capitães de cada lugar, & que cada ano se fizessem dois alardos géraes, hum pelas oitavas da Pascoa, & outro por dia de S. Miguel, & que se ajuntasse toda a gente do termo na cabeça da Capitania, onde pelo Capitaõ môr, & Sargento môr fossem ordenados, & se exercitassem assim a gente de cavallo, como de pé. E para bom governo da miliia tinha o Capitão môr seu Regimento, que mandava executar pelos ministros das companhias, em cada huma das quaes havia seu Meyrinho, Escrivão, & Recebedor. Esta ordem se guardou em tempo delRey D. Sebastião, até todo o delRey D. Felippe o Prudente, & depois se renovou alguas vezes” (BLUTEAU, 1712 - 1728: 106).

Na falta de outras instituições administrativas, as Companhias de Ordenanças eram as centelhas do poder régio nos confins dos sertões e ribeiras do Norte. Nesse contexto, as ribeiras teceram grande parte dos limites relacionados à territorialização dos currais de gado nesses sertões, pois sendo o gado criado solto, houve decretos e leis coloniais e imperiais que determinavam a sua marcação com o simbolo da ribeira para oficializar a procedência da mercadoria e definir os impostos necessários. Para a maioria das capitanias vinculadas aos Sertões do Norte, a unidade territorial para cobrança dos dízimos reais do gado foi organizada a partir da abrangência de suas ribeiras.

“RIBEIRA - Províncias do Norte - Distrito rural que compreende um certo número de fazendas de criar gados. Cada ribeira se distingue das outras pelo nome do rio que a banha; e tem, além, um ferro comum a todas as fazendas do distrito, afora aquele que pertence cada proprietário”70 . É importante frisar que, assim como observa-se heterogeneidade na produção arquitetônica, também não foram homogêneas as práticas cotidianas de controle desse vasto território interiorizado. Exemplo disso, destacamos que na capitania do Rio Grande do Norte (posteriormente Província) havia ferros de Ribeira marcados à fogo na coxa esquerda do rebanho; já o Ceará possuía “ferros de Freguesia” (apesar da combrança do dízimo ser feita pela abrangência de suas ribeiras), para a mesma prática, constatando-se a existência de um único ferro de Ribeira ali: o do rio Aracatiaçu. Havia portanto, um rol de práticas semelhantes que organizava o cotidiano do criatório de gado na Colônia e no Império, porém estavam longe de serem idênticas.

Para além das circunscrições políticas envolvendo os territórios das antigas capitanias e províncias, optamos por dividir os Sertões do Norte, quando a documentação investigada o permitiu, em territorialidades definidas a partir dos ferros das ribeira e/ou freguesias”, agrupando os exemplares arquitetônicos remanescentes a partir de recortes espaciais coevos ao período em que foram elaborados.

Na perspectiva macrorregional, o universo empírico relacionado à “indústria do criatório” (como era chamada a pecuária nos Relatórios dos Presidentes das Províncias) nos Sertões do Norte organizava-se em seis Capitanias do Norte (depois Províncias do Norte) apresentando aspectos comuns em meio a diversas especificidades do ponto de vista da geografia, do clima, da economia, do cotidiano e da cultura material.

Em perspectiva comparada, pretende-se estudar para além dos aspectos comuns, os particulares, as diferentes escalas de produção dessa economia e as hierarquias urbanas e rurais disso decorrentes. Havia currais, assim como sítios e fazendas com casa sede e curral, e por vezes com açude, engenho e casa de farinha, compondo um sistema autosuficiente que garantia sua manuntenção mesmo no período de estiagem. Essa diferenciação não é levada em consideração na maioria dos dados estatísticos oficiais da época, que terminaram por tratar currais, sítio e fazendas como uma mesma categoria. Para nós, tal diferença se impõe, já que as casas-sede que subsistiram correspondiam a propriedades de distintas naturezas e finalidades.

Do ponto de vista da geografia física também se nota heterogeneidade num cenário aparentemente homogêneo. Os sertões que trataremos nesta tese inserem-se no bioma caatinga, o único exclusivamente brasileiro, não encontrado em nenhuma outra parte do mundo. Ocupa uma área de 844.453 km², equivalente a 9,92% do território brasileiro. Estende-se em 100% do território cearense, 95% do potiguar, 92% do paraibano, 83% do pernambucano, 63% do piauiense, 49% do sergipano, 48% do alagoano, 54% do baiano, 2% do mineiro e 1% do maranhense.

70 ROHAN, Henrique de Beaurepaire. Dicionário de vocábulos brasileiros. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1889 apud FARIA, Oswaldo Lamartine de. Ferro de ribeiras do Rio Grande do Norte. Natal: Sebo Vermelho, 2009, p. 43.

O termo caatinga deriva do tupi-guarani e significa floresta branca. O clima da caatinga é caracterizado por alta temperatura média anual, baixa taxa de umidade relativa, evotranspiração elevada, precipitações baixas e irregulares. Tem variados tipos de solo, entre os quais: entissolos e latossolos derivados de rocha-mãe sob ação do clima, lajedo (onde só plantas suculentas são encontradas), pedimentos cobertos por camadas mais ou menos contínuas de pedras, entre outros, sendo o mais comum um solo marrom sem cálcio71.

Diferentemente do que supomos à primeira vista, a fisionomia da vegetação da caatinga é variada, dependente do regime de chuvas e do solo. Ela varia de “caatinga arbórea” - florestas altas e secas com até 15-20 metros de altura, encontradas da Bahia até o Rio Grande do Norte, em localidades mais úmidas e com solos melhores -, até afloramentos de rochas com arbustos baixos esparsos e espalhados, com cactos e bromeliácias nas fendas. Fisionomias intermediárias a essas são numerosas. As espécies lenhosas mais típicas dessa vegetação são: imburana de cheiro, angico, pau-pereiro, catingueira, faveleira, imburana, marmeleiro, velame, calumbíes, jurema, aroeira, baraúna e pau d’arco roxo. Entre as suculentas, estão os tipos cactaceae e bromeliacea; e entre as perifolias estão o juazeiro, icó, carnaúba, pau-de- colher e oiticica72. “As caatingas são muito mais

ricas do que qualquer outra floresta seca da América do Sul, fornecendo habitats numerosos e variados” (PRADO JR., 2005: 41). Essa diversidade de habitats mencionada por Prado Jr (2005)

corresponde a variações na paisagem natural e humana, com evidentes reflexos na cultura material. Fauna e flora apresentam expressiva diversidade, envolvendo gêneros e espécies específicas à cada microrregião. Em geral, também se observa o regime intermitente e sazonal dos rios da caatinga, reflexo direto das precipitações escassas e irregulares, associadas à alta taxa de evaporação73. Vale a pena lembrar que, a ação antrópica (indígena e ádvena) também alterou o bioma caatinga ao longo dos séculos, tornando-o rico em espécies e endemismos, fazendo com que haja várias unidades de paisagem no seu ecossistema.

Diante de tão vasto quadro de diversidade, em 2001, foi realizado o Seminário de Planejamento Ecorregional da Caatinga, organizado pela The Nature Conservancy (TNC) do Brasil e Associação Plantas do Nordeste (APNE), sob coordenação técnica de Frans Germain Pareyn (APNE), Dr. Everardo V. S. B. Sampaio (APNE, Dr. David C. Oren (TNC do Brasil) e Agnes L. Velloso (TNC do Brasil). A publicação Ecorregiões Propostas para o Bioma Caatinga foi um dos resultados desse seminário. Nessa publicação, foram propostas novas divisões ecogeográficas da caatinga, chamadas de ecorregiões, com a finalidade de permitir uma melhor compreensão sobre a distribuição

71 PRADO, Darién E. As caatingas da América do Sul. In: LEAL, Inara R.; TAARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso da. Ecologia e conservação da caatinga. 2 ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2005.

72 PRADO, Darién E. As caatingas da América do Sul. In: LEAL, Inara R.; TAARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso da. Ecologia e conservação da caatinga. 2 ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2005. p. 26 - 27.

73 ROSA, Ricardo S.; MENEZES, Naércio A.; et al. Diversidade, padrões de distribuição e conservação dos peixes da caatinga. In: LEAL, Inara R.; TAARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso da. Ecologia e conservação da caatinga. 2 ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2005. p. 139.

Figura 2: Biomas brasileiros. Fonte: IBGE (2010)

da biodiversidade desse bioma.

Primeiramente, entende-se por ecorregião “uma unidade relativamente grande de terra e água

delineada pelos fatores bióticos e abióticos que regulam a estrutura e função das comunidades naturais que lá se encontram” (ECORREGIÕES, 2002: 3). Para divisão daquele bioma, considerou-

se, primeiramente, os principais fatores controladores da distribuição de biodiversidade na caatinga, que são aqueles relacionados à sazonalidade, disponibilidade de água, o solo e o regime de chuvas, características do solo, geomorfologia, relevo e história da biota. Com base nisso, o Seminário de Planejamento Ecorregional da Caatinga1 dividiu a caatinga em oito ecorregiões: Complexo de Campo

Maior, Complexo Ibiapaba - Araripe, Depressão Sertaneja Setentrional, Planalto da Borborema, Depressão Sertaneja Meridional, Dunas do São Francisco, Complexo da Chapada Diamantina e Raso da Catarina.

Sobre as ecorregiões supracitadas, todas elas vincularam-se à “indústria do criatório” no período colonial e imperial, correspondendo portanto às áreas onde foram encontrados remanescentes de antigas fazendas e conjuntos arquitetônicos. Nesse sentido, as diversas paisagens naturais e humanas que compõem a paisagem cultural dos Sertões do Norte orientará o exame dos conjuntos arquitetônicos em busca de aspectos comuns e particularidades ecorregionais para além de explicações calcadas num determinismo geográfico rasteiro.

Do ponto de vista teórico-metodológico, nossa tese situa-se no âmbito da Nova História Cultural, articulando sociedade, economia e cultura, e pretende ser uma contribuição para a História da Arquitetura brasileira. A análise sistêmica aqui ensaiada ancora-se nas preceptivas teórico- metodológicas de Nestor Goulard Reis Filho, malgrado enfrentando não redes urbanas mas redes de fazendas e suas articulações com redes de comunicação e núcleos de povoamento e administração relacionados à economia do criatório. Para resposta aos nossos questionamentos, privilegiamos a análise da cultura material, principalmente os vestígios arquitetônicos das antigas casas-sede das fazendas de gado em meio a currais, engenhos e casas de farinha. Alguns casos exemplares mereceram estudo pormenorizado numa perspectiva comparada.

Seguindo esse caminho as hipóteses a serem testadas dizem respeito ao conjunto arquitetônico remanescente do século XIX. Ao nosso ver, a arquitetura das casas-sede das fazendas de gado dos Sertões do Norte é tão heterogênea quanto a própria diversidade do ambiente natural e social em que estão implantadas. Dentro dessa heterogeneidade, há elementos arquitetônicos que se repetem em todos os sertões e ribeiras analisados ou apenas em alguns deles. Ou seja, há traços comuns que unem esta paisagem cultural do ponto de vista arquitetônico, mesmo predominando a diversidade.

Para testar essa hipótese, formam nossa base documental primária: 1 - os levantamentos arquitetônicos realizados in loco, já citados; 2 - a documentação do Arquivo Histórico Ultramarino relativa ao período colonial; 3 - a documentação relativa ao Império arquivada nos cartórios e fóruns das antigas Comarcas dos Sertões; 4 - os Relatórios dos Presidentes de Províncias; e 5 - a cartografia antiga. Esse conjunto documental complementa e dá sentido aos remanescentes arquitetônicos e outros artefatos vinculados à indústria do criatório. Contamos também com uma farta documentação secundária oriunda, principalmente, de pesquisas acadêmicas, que elucidam os sertões na perspectiva da micro-história.

Uma das principais dificuldades enfrentadas reside na sistematização da vasta documentação primária que levantamos em arquivos locais, pois se trata de uma documentação bastante relevante e nunca explorada. Apesar do grande volume de documentação primária coligido, infelizmente nem

tudo foi encontrado igualmente em todas as áreas estudadas (por exemplo, só encontramos “livro de ferros” no atual estado do Rio Grande do Norte; ou no caso da cartografia antiga, somente o Piauí e o Ceará possuem cartas topográficas detalhadas).

Benzer Belgeler