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Galatasaray Panayia Kilisesi papaz odalarının onarımı (1895-1896)

4.1 Galatasaray Panayia (Ton Eisodion) Kilisesi

4.1.6 Galatasaray Panayia Kilisesi papaz odalarının onarımı (1895-1896)

Neste capítulo estão analisadas as experiências vividas pelos homens nos três grupos geracionais a partir de mediações interpessoais que condicionam a autonomia e dependência nos cuidados com a saúde, bem como a relação entre os homens dos três grupos geracionais quanto à dinâmica de funcionamento dos serviços de atenção primária e as interações com os profissionais da saúde. Trata-se, portanto, de um resgate das experiências e mediações vividas na promoção de saúde e cuidado no ponto de vista dos homens nos três grupos geracionais.

Autonomia e relações de parentesco na procura por serviços de saúde

O papel da transmissão cultural entre gerações caberia à figura paterna. Um dos jovens entrevistados que aborda esta questão, apresenta uma trajetória de vida na qual seu pai teve um papel importante para pensar as questões de saúde e cuidado. O entrevistado perdeu o pai por agravos relacionados à cirrose e uso de álcool. Ao longo da entrevista, o jovem narra diálogos entre ele e seu pai e nestes momentos seu pai lhe advertia quanto à necessidade de cuidar da saúde, evitar drogas e procurar pelos serviços de saúde.

(...) na minha opinião, a questão de ser homem é mais complicada, porque a responsabilidade é toda sua, né? Geralmente é você que tem que levar a casa nas costas, tem que pagar as contas da casa, tem que fazer feira, tem que cuidar da sua mulher também, que você não vai deixar numa situação deplorável. Além dos filhos, quando vem um dia, você tem que cuidar, você tem que ter aquela moral, aquela dedicação pra passar pro seu filho, pra sua mulher também, depende do caso (...) eu acho que é uma responsabilidade muito grande a educação, você tem que fazer o que for preciso, trabalhar, estudar o máximo que você puder, pra dar uma boa educação pra os seus filhos. Você precisa ensinar o certo, entendeu? Pra que isso vá passando de geração em geração. Ensinar como é que se cuida da saúde também, dá conselho, dizer: olhe, eu já passei por isso, não faça isso que

não é certo, entendeu? Mas se você quiser fazer, faça, agora isso não dá certo. (Gilmar, 24a, RN)

Diferentes experiências pessoais, principalmente no contexto familiar, contribuíram para a configuração das formas de usar os serviços, bem como as concepções acerca do que é ter saúde e como eles se previnem (ou acreditam ser prevenção). As experiências relacionadas ao processo saúde/adoecimento dentro das relações de parentesco e residência parecem marcar a forma como a vulnerabilidade é percebida dentro dos padrões da masculinidade: ficar restrito, inapto e frágil (Couto, Schaiber e Ayres, 2009).

Mas como meu pai passou por situações parecidas, ele ficou com doença anos e anos e anos, e lá pra os seus 50 anos foi que veio surgir, aparecer os sintomas, aí já foi tarde, né? Aí, às vezes eu fico pensando: tenho que cuidar, senão vai acontecer comigo igual aconteceu com meu pai. Ele deitado na cama, na mesma situação que eu to. Ele sempre falava pra mim: “eu vou morrer, mas por quê? Por causa da minha irresponsabilidade, porque eu não me cuidei”. Ele mesmo dizia: procure um médico, vá cuidar da sua saúde, procure ver se tem algum problema hepático, renal, porque eu posso ter passado pra você, né? Então procure um médico, vá cuidar da sua saúde, porque olhe a minha situação como tá...Eu vou morrer, não tem mais cura pra mim, então eu quero que você se cuide pra que não aconteça a mesma coisa com você. De lá pra cá, então, eu tenho procurado fazer o máximo que eu posso (...) Ele não conseguiu superar. Ele tava com um problema de cirrose, por causa de beber, né? E por causa do schistosoma que ele teve na juventude dele e nunca tratou, nunca procurou um médico. Aí quando chegou na casa dos seus 35 anos, o problema foi se agravando, se agravando. Ele chegou nos 57 muito mal, aí deixou de trabalhar, procurou a aposentadoria, apareceu uma hérnia ainda por cima. Aí o médico falou pra gente: olhe, eu vou falar a verdade pra vocês. Seu Francisco, eu diria a vocês que tem 6 meses de vida, vai depender de vocês se querem contar isso pra ele ou não. Eu tô falando que ele tem 6 meses de vida. Então procurem ficar o máximo com ele, dando cuidados a ele, porque a gente não pode fazer mais nada. (Gilmar, 24a, RN)

Há muito que se reconhece a influência do contexto social e cultural sobre as maneiras de pensar e de agir das populações frente aos seus problemas de saúde (Uchôa e Vidal, 1994). Estudos recentes demonstram a grande influência que

exercem os universos social e cultural sobre a adoção de comportamentos de prevenção ou de risco e sobre a utilização dos serviços de saúde (Couto, Schaiber e Ayres, 2009). Tais estudos revelam que os comportamentos frente a seus problemas de saúde, incluindo a utilização dos serviços médicos disponíveis, são construídos a partir de universos socioculturais específicos mediados pela experiência concreta do indivíduo em sua realidade cultural. Eles apontam a necessidade de enraizarem os programas de educação e o planejamento em saúde em conhecimento prévio das formas características de pensar e agir predominantes nas populações junto às quais se quer intervir.

Dessa forma, cuidar da saúde depende da experiência relacionada ao processo de saúde-adoecimento, sejam elas no âmbito pessoal ou familiar. Tais experiências repercutem ou não na percepção de que cuidar da saúde é algo necessário e que deve fazer parte de um cotidiano masculino. Um dos entrevistados comenta que apenas descobriu estar com sífilis após seu filho recém-nascido ir a óbito logo após o nascimento. Este mesmo jovem ainda destaca que em diferentes momentos incentivou sua namorada a ir ao serviço para o pré-natal e ela não o fez. Tal experiência que reconfigura a tipificação sobre os atributos femininos e masculinos, parece promover a flexibilização da noção de que mulheres são mais responsáveis pelos cuidados da saúde, podendo levar à reconfiguração das relações de gênero.

Eu descobri quando a médica disse lá na maternidade (se refere ao diagnóstico de sífilis) que o menino morreu por causa dessa doença (sífilis) e também que ela não fez o pré- natal. Aí eu descobri (...) eu não planejei esse filho, mas quando vinha ela querer tirar, mas eu não deixei não. (Caio, 19a, PE)

Um aspecto que esteve presente nas falas, referiu-se aos condicionantes da dinâmica geracional que levou estes homens a recorrerem constantemente ao cuidado da figura feminina, geralmente a mãe ou a companheira. Destacando a influência da troca de conhecimento intergeracional referente ao cuidado e à forma como as percepções dos sintomas são compartilhadas dentro de relações de parentesco, a mediação transparece como meio de recorrer a cuidados caseiros ou até mesmo para saber se é ou não necessário procurar pelo posto de saúde.

(...) é mais fácil um homem ir pra o médico com a mulher do lado e a mulher fazer as perguntas pro médico do que ele ir só e fazer as perguntas. (Leonildo, 34a, RN)

(...) lá em casa é a mulher que tá sempre puxando a gente pra levar os filhos, é ela quem exige mais. A mulher, ela procura mais, não tenho nem dúvida disso. Qualquer problemazinho que ela tenha, ela recorre ao posto. (Nilson, 46a, RN)

(...) é o que minha mãe, todos os dias, ela me diz: preservativo sempre, né? E não ter vários parceiro, várias parceiras, sabe. Procurar se fixar numa pessoa só, sair pra balada, não tá beijando muita gente, porque muitas dessas doenças é transmitida pela boca. (Elias, 20a, PE)

Minha avó. Minha avó é de idade e conhece muito remedinho medicinal, sabe? Pra garganta, romã; pra catarro, mastruz com leite. Esses negócios assim, lambedor. (Leonardo, 26a, RN)

(...) hoje quem insistiu foi minha mãe, quem veio marcar ficha foi ela, conseguiu, mas se ela não tivesse conseguido, não sei se eu viria também, né? (Wilson, 24a, PE)

(...) só quem me acompanha mesmo é minha esposa. Isso aí eu bato no peito, eu tenho mãe e tenho uma esposa (...) eu vim pegar o leite e é uma ladeira ali. Então, quando eu fui subir a ladeira, eu me senti mal, eu tava com meu celular. Ela também tem celular. Eu me sentei assim e comecei a suar frio, eu com três litros de leite só, num saquinho. Aí liguei pra ela, ela de resguardo, ela desceu e veio me buscar (Joilson, 40a, RN).

Embora o cuidado com a saúde se configure pela mediação, no plano dos valores de alguns homens, receber o cuidado materno após certa idade é entendido como negativo e podendo presumir disto uma relação negativa com a construção da masculinidade.

É, minha mãe não, não gosto, né? Um cara de 24 anos, a mãe cuidando...não dá certo. (Gilmar, 24a, RN)

Mas, voltando à prática, diante de uma possível gravidade, a figura feminina retoma o papel de cuidado quando se refere a compartilhar os problemas de saúde. O fato de a mãe ou da figura feminina de referência trabalhar fora de casa, pode