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1.3. ĠliĢkisel Pazarlamanın Karakteristik Özellikleri

1.3.3. MüĢteri-ÇalıĢan Bağı (KiĢilerarası Bağlar)

1.3.3.5. Güven

A af ir mação mais r ecor r ent e, pr of er ida por pessoas de dent r o e de f or a da comunidade, ouvida em cont ext os dist int os, é nós somos t udo par ent e, aqui t odo

mundo é par ent e, lá é uma f amília só. A ext ensão dessa r ede de par ent esco é t ão

ampla e complexa que cada uma das pessoas não pode dar cont a de t oda sua par ent ela. Os dados que obt ive f or am possíveis depois de muit as per gunt as e obser vações or iginadas de vár ias pessoas dif er ent es quant o à idade, sexo e gr au de par ent esco.

40 O bat uque par ece ser uma denominação mais ger al, e seu r eper t ór io cont a com músicas que t êm sua or igem na cont r adança, na passagem, e em out r as danças.

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A ext ensão da r ede de par ent esco não é complet ament e conhecida nem mesmo pelos pr ópr ios membr os. Numa conver sa em meio à pr epar ação de um almoço, uma j ovem de cer ca de 18 anos most r ou-se sur pr esa ao ouvir que o seu avô er a ir mão do avô de uma colega, sendo por t ant o par ent es mais pr óximos do que ela imaginava, o que a levou a exclamar – uai, ent ão nós somos t udo f ar inha do mesmo saco mesmo! 41

Quando f alam sobr e as pessoas de seu r elacionament o, os ar t esãos classif icam-nas de acor do com as seguint es cat egor ias: par ent e, compadr e, vizinho e, ainda, amigo – quando exist e uma r elação de amizade ef et iva, o que par ece incluir uma convivência cot idiana. O par ent e é aquele apar ent ado por consanguinidade; o compadr e, por apadr inhament o; o vizinho é o vizinho mesmo. São t r ês r elações de pr oximidade, que se dif er enciam no sist ema mais amplo de t r ocas – t r oca de ser viço, de f avor es, de gêner os aliment ícios, de obr igações, como nos ensinar am, ent r e out r os Mauss (1974) e Lévi-St r auss (1976).

A pr incípio, t ais af ir mações par ecem t r at ar do par ent esco consanguíneo, e as explicações dadas r emet em a est a f or ma de par ent esco. No ent ant o, par a além da “ár vor e genealógica” de uma f amília, e mesmo na t ent at iva de seu desenho, out r as cat egor ias de par ent esco apar ecem const ant ement e.

De acor do com Maur o Almeida, dos est udos br asileir os sobr e a f amília r ur al, depr eendem-se duas acepções de f amília: (1) as pessoas que per t encem a uma unidade domést ica, compar t ilhando casa, cozinha e t r abalho conj unt o; r est r ingindo est a acepção, (1a) par a ser f amília, o gr upo domést ico deve ser const it uído de par ent es por f iliação e casament o; (2) det er minado conj unt o de par ent es (f amília nuclear e out r os t ipos), desde que pr oduzam novas pessoas; e (2a) além do cr it ér io do par ent esco, acr escent a-se o cr it ér io econômico, ou sej a, par a ser f amília deve cor r esponder , t ambém, a uma unidade de t r abalho ou de consumo. Ar gument a que a

41 A opor t unidade dessa descober t a sur giu devido às muit as per gunt as que eu ia f azendo, na t ent at iva de compr eender quais er am as ligações consanguíneas (e out r as) daquela f amília com as out r as.

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posição de For t es, de que “as r elações de par ent esco são pr emissas mor ais a pr ior i do compor t ament o social”, mar cou boa par t e das pesquisas na ár ea (1986, p. 70). Pr ossegue exemplif icando diver sos casos que não se encaixam nas acepções de f amília apr esent adas: “isso ger a uma ambiguidade hor r ível na noção de unidade de pr odução f amiliar e nas ideias de r epr odução, bem como na t ipologia de f amílias com base em inf or mações censit ár ias. Na pr át ica, aquilo que é uma ambiguidade hor r ível par a o invest igador signif ica simplesment e f lexibilidade est r at égica par a os invest igados” (1986, p. 71).

A solução apr esent ada pelo aut or é ut ilizar o t er mo “gr upo domést ico” (unidade r esidencial e de consumo) par a gr upos def inidos segundo a acepção (1), e r eser var o t er mo “f amília” par a gr upos def inidos na acepção (2). Assim, “a cor r elação ent r e gr upos domést icos (unidades t écnicas no meio r ur al) e f amílias nuclear es t or na- se uma quest ão empír ica, e passa a r equer er uma explicação.” (1986, p. 72).

Par a empr eender uma análise mais complet a da f or mação das f amílias, das or igens, das conf igur ações at uais, suas f unções, e buscar apr esent ar dados de cunho econômico, r elacionadas à or ganização da subsist ência, da pr odução, do consumo, da cir culação e da r epr odução, ser ia necessár io r ealizar um censo det alhado da comunidade, o que não é o caso aqui. Dessa f or ma, se não posso of er ecer ao leit or e aos pesquisador es dados quant it at ivos passíveis de uso par a f ut ur as compar ações, of er eço um quadr o modest o que pode apont ar caminhos, levant ar hipót eses e indicar lacunas. Por ém, meu obj et ivo pr incipal é o de apr esent ar os dados obt idos, que nos auxiliar ão a compr eender o cont ext o da pr odução cer âmica e as quest ões r elat ivas ao associat ivismo, naquela localidade. Consola-me Ralf o Mat os quando diz que “é dif ícil, mas não impossível reor ient ar cer t as pr át icas monodisciplinar es das Ciências Sociais. Análises, est r it o senso, sobr e var iáveis econômicas (indúst r ia, agr icult ur a, ser viços, r enda, cr édit o, poupança, invest iment o), ou sobr e cult ur a, classes sociais, inst it uições e r egimes polít icos são det er minant es par a muit os analist as. Cont udo, se ignor am as populações, ingr essam num mundo sem gent e, sem as pessoas nos seus t er r it ór ios.

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Essa f or ma usual de pensar ger a poucas conclusões sólidas, capazes de ult r apassar as amar r as que o posit ivismo nos legou e que inviabiliza a t r ansdisciplinar idade” (Mat os apud Souza e Henr iques, 2010, p. 127).

Das 21 r esidências, apenas t r ês não se encaixam na acepção de f amília pr opost a acima, por ser em const it uídas por um casal de viúvos (não se r epr oduz mais), por duas ir mãs solt eir as (que cr iam, por ém, um sobr inho-net o) e um casal sem f ilhos, idoso, mais a ir mã do homem. As demais t êm a seguint e composição: 11 são f amílias nuclear es (homem, mulher e f ilhos), 1 é f or mada por um casal sem f ilhos, cuj a f ilha da mulher é adult a e r eside na casa vizinha, da sua avó, t endo sido cr iada por ela; 3 são const it uídas por um casal cuj os f ilhos se casar am (a maior par t e deles) e não mor am mais com os pais; 2 são compost as por uma senhor a viúva e um de seus f ilhos, solt eir o; 1 é const it uída por uma senhor a viúva que cr ia 3 net as, j unt ament e com os pais das mesmas, que mor am pr óximos. Quant o à localização dessas 21 casas, 12 f icam em Sant o Ant ônio, 6 em Ribeir ão de Capivar a, 1 na Capivar a, e 2 em Car aí (sede).

Ao r eunir inf or mações sobr e as f amílias, suas ascendências e descendências, f icou nít ido que é muit o comum exist ir em pessoas que não são cr iadas pelos pr ópr ios pais. Muit as vezes os pais da cr iança t êm, ou ser iam capazes de cr iar , condições par a mant er essas cr ianças. Não é pela f alt a de condições de uma f amília em cr iar suas cr ianças, ou não apenas em f unção da f alt a de condições, que as cr ianças são “dadas”42. Uma das mais ant igas ar t esãs de Ribeir ão, Ger alda Bat ist a, cr iou uma out r a ar t esã, sua sobr inha, e cont ou-me que f oi a pr imeir a f ilha da minha ir mã mais velha.

Ela casou e t eve essa menina. Como eu ainda não t inha casado, me deu ela pr a cr iar , pr a eu não f icar sozinha. Out r o caso é o de Nemzinha, que não t eve f ilhos, mas cr iou vár ios, uns desde pequenininho, out r os j á chegavam maior es. Todos j á saír am. Mas é

42 Cont inuo a dest acar essas expr essões em it álico, par a most r ar como nossa linguagem e nosso pensament o est ão pr esos a t ais concepções. Não obst ant e, pr ocur o discut i-las em vár ias par t es desse t ext o.

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assim, o casal quando não t em f ilhos t em que cr iar os dos out r os, é como se f osse uma obr igação né, f icar só os dois t oda vida é esquisit o.

Todavia, essa pr át ica par ece t er sido mais comum no passado, quando ainda er a usual que cada casal t ivesse muit os f ilhos. Seguindo a t endência demogr áf ica br asileir a mais ger al, nos últ imos anos a t ax a de f ecundidade caiu bast ant e na r egião, mas pr ovavelment e se mant ém mais alt a que a média nacional, ao menos na zona r ur al.

Tabela 1 43

Esper ança de vida e t axa de f ecundidade do Vale do J equit inhonha, Minas Ger ais e Br asil em 1991 e 2000

Esper ança de vida ao nascer Taxa de Fecundidade Tot al Fr ações do Vale do J equit inhonha, Minas e Br asil 1991 2000 1991 2000 Baixo Vale 61,4 65,0 4,2 2,7 Médio Vale 63,3 66,7 4,3 3,3 Alt o Vale 63,7 67,2 4,8 3,7 Mesor r egião 63,0 66,5 4,5 3,3

Minas Ger ais 66,4 70,6 2,7 2,2

Br asil 64,7 68,6 2,9 2,3

Font e: Fundação J oão Pinheir o/ I BGE

Ralf o Mat os, analisando est a t abela, af ir ma que “quant o à f ecundidade o declínio (de 26,7% em nove anos) na Mesor r egião [Vale do J equit inhonha] f oi mais incisivo do que o ver if icado no Br asil e em Minas Ger ais, a despeit o da t axa de

43 Mat os apud Souza. A População do Vale do J equit inhonha. Belo Hor izont e: Uf mg/ Pr oex, 2010, p. 114.

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f ecundidade da r egião no ano 2000 ainda ser 1,4 vezes maior do que a do Br asil” (2010, p. 114).

Das f amílias pesquisadas, dent r e aquelas que cont inuam se r epr oduzindo, apenas uma apr esent ou um númer o maior que 4 f ilhos por casal: são 11 f ilhos. Por ém, a mãe de pr ole t ão numer osa, t ambém ar t esã, diz que t enho at é ver gonha de f alar ,

por que hoj e não se usa mais. Out r a, coment ando o nasciment o do 11º f ilho da cit ada

f amília, diz que é r uim f icar pendur ada de f ilho, cuidar é bom, mas quem cuida mesmo

é a mulher, o homem aj uda nuns pont os mas não aj uda nout r os.

O conheciment o a r espeit o dos mét odos ant iconcepcionais par ece bem dif undido, at ualment e – sit uação que mudou r adicalment e nos últ imos 20 anos. As mulher es par ecem ent ender e consider ar a possibilidade de “f azer oper ação” – muit as f azem; e de “t omar r emédio” – muit as t omam. Ent r et ant o, uma j ovem de cer ca de 17 anos, com seu pr imeir o f ilho, recém-nascido, nos br aços, cont ou-me que “t omava r emédio” e mesmo assim engr avidou. Pr ocur ei compr eender se ela sabia como f unciona a pílula ant iconcepcional, se t omava t odos os dias no mesmo hor ár io, se não havia se esquecido, se conhecia o ciclo menst r ual. Ela conhecia bem o modo de t omar a pílula, e af ir mou que seguir a o modo de usar , mas acont eceu.

As mulher es na f aixa dos 40 anos af ir mam que no seu t empo não t r abalhavam o assunt o na escola (t alvez, por que não t enham f eit o o ensino médio), e não passava na t elevisão (lembr o que, na zona r ur al, a t elevisão dent r o da pr ópr ia casa é uma “novidade” que chegou há cer ca de um ano, com a ener gia elét r ica) ou em out r os meios de comunicação e de inf or mação aos quais t enham t ido acesso (r ádio, livr os, r evist as). Cont am, ainda, que os adult os não conver savam sobr e o assunt o. Assim é que, viaj ando a São Paulo par a t r at ar de um pr oblema de saúde, uma dessas mulheres, na época com 20 anos, descobr iu que est ava gr ávida de 6 meses – nem ela, nem sua f amília havia se dado cont a do f at o. E ela não sabia, na época, como acont ecia; ao menos, é o que cont a hoj e.

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Há uma descont inuidade ent r e as ger ações per cebida de maneir a mais cont undent e. Tr abalhemos com a seguint e r ef er ência: pr imeir a ger ação: acima dos 50 anos. Segunda ger ação: dos 25 aos 50 anos. Ter ceir a ger ação: 0 a 25 anos. As t r ês ger ações af ir mam haver uma descont inuidade maior que a de alguns anos at r ás, ent r e a 1ª ger ação e a 2ª e 3ª ger ações, no que diz respeit o às r elações conj ugais, especialment e ao compor t ament o f eminino e ao cont r ole que se exer ce sobr e a sexualidade da mulher.

Se na 2ª ger ação ainda podia haver casos como o r elat ado, quando as mulher es er am pr oibidas de f r equent ar f est as desacompanhadas, na 3ª ger ação muit as vezes o pai não deixava a f ilha namor ar ; sair , só par a t r abalhar , e se event ualment e f osse numa f est a, acompanhada, nat ur alment e, t inha que chegar em casa e cont ar t udo o que havia acont ecido, por que er a melhor saber da nossa boca do que da boca dos

out r os; na 3ª ger ação há per missão de que as f ilhas f r equent em f est as, às vezes, at é

mesmo sozinhas (ou com amigas), o que é desapr ovado pela maior par t e da 1ª ger ação, que diz que hoj e est á t udo dif er ent e. Também as f est as de hoj e são muit o dif er ent es. Tome-se o caso de uma moça com idade média de 20 anos que esper a por seu noivo, que est á no cor t e de cana. Ele f icou sabendo de sua ida ao Fest ivale, acompanhada por out r as t r ês j ovens, uma delas solt eir a, e um r apaz compr omet ido e de conf iança das f amílias de t odas as 3 moças, par a vender peças, e “não gost ou”. De São Paulo, o noivo decide se ela deve ir a uma f est a ou não. Est e acont eciment o r ecent e é mais um indício de que não houve muit as mudanças quant o ao modelo ideal de compor t ament o f eminino. Out r o indício é a insist ência em que eu andasse sempr e acompanhada. Essa adver t ência cer t ament e est á ligada a uma quest ão de segur ança, mas r evela mais que isso, ainda mais consider ando que minha companhia mais habit ual er a uma cr iança, do sexo masculino, de 6 anos. A dif er ença de t r at ament o ent r e est a cr iança e out r a, mais velha, de 8 anos, só que do sexo f eminino, er a pat ent e. O menino homem pode, e deve, sair , passear , se moviment ar com mais f r equência, at é mesmo nas br incadeir as, enquant o a menina mulher deve f icar em casa. Not ei que o menino

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sabia muit o mais dos caminhos e das est r adas que a menina, mesmo sendo bem mais novo que ela.

Mat t os, em Ar t ef at os de Gêner o na Ar t e do Bar r o, descr eve algumas car act er íst icas r ecor r ent es no Vale, em r elação à const r ução da masculinidade e da f eminilidade. As noções de “at ividade” e “passividade” são cent r ais aí, per passando a vida da cr iança, desde a gest ação, quando um moviment o mais br usco do f et o é r elacionado à masculinidade, e o nasciment o, anunciado na sala, caso sej a menino, e na cozinha, caso sej a menina – “o mesmo or denament o que or ganiza, no Vale, a oposição ent r e o mundo da vida f eminina e o mundo da cidade dos homens” (2001, p. 211).

Nas br incadeir as de cr iança, as br incadeir as de cor r er , salt ar , chut ar ou f azer malinezas (maldades) com animais são par a meninos; par a as meninas, as br incadeir as são mais mansas, e r elacionadas à casa, como br incar de boneca e de cozinhadinha (f azer pequenas por ções de ar r oz e f eij ão em pequenas panelinhas de bar r o); logo, est ão aj udando nas t ar ef as domést icas. Essas obser vações aplicam-se int eir ament e ao que pude obser var . Enquant o as meninas par t icipavam das t ar ef as domést icas, os meninos er am chamados apenas em casos “at ivos”: levar um r ecado, buscar uma ver dur a na hor t a, espant ar as galinhas, acompanhar alguém que saía. Mat t os escr eve que “ao cont r ár io do que ocor r e com os meninos, as meninas não cost umam andar sozinhas na r ua, senão f icar iam mal f aladas” (2001, p. 212). A insist ência em me f azer acompanhar de um “menino-homem” cer t ament e est á r elacionada a est e imper at ivo.

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Figur a 10: cr ianças br incando no pilão.

Mat t os af ir ma que “at r avés das ent r evist as e obser vações r ealizadas em campo pude ver if icar que, no mundo no qual os cer amist as vivem e int er agem, a dicot omia masculino-f eminino, signif icando homem e mulher , é uma met áf or a muit o f or t e que separ a os ser es humanos em dois conj unt os e const it ui-lhes as ident idades. É essa mesma divisão que ser ve de base par a a int er nalização de esquemas de dist inções na divisão de gêner o na or ganização do t r abalho. Ela t or na visível a

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at r ibuição de gêner o simbólico a obj et os, como a casa e as divisões dest a; a cor es, a locais de int er ação social” (2001, p. 205-206)44.

Pude obser var que, na zona r ur al de Car aí, o ambient e da sala e da par t e da f r ent e da casa é masculino enquant o a cozinha e o quint al adj acent e a ela são t er r it ór ios f emininos. Em t odas as casas que est ive, embor a as visit as começassem nas salas, invar iavelment e t er minávamos na cozinha. Naquelas em que eu j á não er a mais t ão est r anha, íamos dir et o par a a cozinha, e por vezes, eu mesma j á chegava dir et ament e lá. Na casa onde me hospedei, muit as visit as, em sua maior ia mulher es, j á chegavam pelos f undos, enquant o os homens se dir igiam à sala, ent r ando pela por t a da f r ent e.

I nt er essant e lembr ar que, na maior ia das casas, a cozinha const it ui um mundo ver dadeir ament e à par t e, uma casinha const r uída ao lado e nos f undos da casa, onde f ica o f ogão a lenha (f or nalha), pot es de água, o buião de caf é em cima da f or nalha, uma est ant e com ut ensílios e um banco. Algumas casas t êm suas cozinhas na par t e int er na, mas nest e caso sempr e a dona de casa coment ava que gost ar ia de const r uir uma cozinha f or a, devido à f umaça da lenha que se acumula nas t elhas, t or nando-as negr as. O espaço da cozinha é valor izado e cobiçado, desej ado por t odas as mulher es: quem não t em ainda uma cozinha, um f ogão do lado de f or a, quer f azer o seu. Mat t os (2001), gener alizando a obser vação par a vár ias comunidades cer amist as do Vale, anot a que “o pont o cent r al da casa é a cozinha. Conf or me a r enda f amiliar , menos nos cent r os mais ur banizados, as casas cost umam t er duas cozinhas. A mais usada é a que t em o f ogão à lenha. Esse local é muit o impor t ant e par a a sociabilidade f amiliar (no caso, f amília ext ensa, incluindo a par ent ela, compadr io e element os da vizinhança), pois é aqui que se cost uma passar a maior par t e do t empo e onde são r ealizadas as t ar ef as cost umeir as do pr epar o da aliment ação. A out r a, f unciona mais como um