2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.4. Ölçme ve Değerlendirme
2.4.9. Günlükler
A teoria das representações sociais assemelha-se mais a um paradigma de pesquisa, uma estrutura de conceitos e processos que possibilita uma nova via de acesso aos fenómenos cognitivos, que a uma teoria formal (Camargo, 2005 cit. in Wachelke & Camargo, 2007, p. 388).
Existe uma variedade de definições relativamente à teoria das representações sociais, “segundo o foco no processo ou no produto, e pluralidade de perspetivas de estudo” (Wachelke & Camargo, 2007, p. 380).
A análise das representações sociais vai permitir compreender a dinâmica e o conteúdo de se pensar a escola e a educação na base de uma liderança que se quer eficaz numa eventual análise da dimensão da escola «aprendente» numa rica possibilidade de exploração dos aspetos funcionais, sociais e culturais.
A teoria das representações sociais para Wachelke e Camargo (2007) constitui- se tendo como pano de fundo a ideia de que o indivíduo extrai categorias de pensamento da sociedade, sendo esta teoria um estudo científico do senso comum. Para os autores a teoria das representações sociais é um desenvolvimento da corrente sociopsicológica denominado pensamento social, do modo que a representação social “é apenas uma dentre outras variedades de constructos do senso comum, juntamente com ideologias, atitudes, nexus, imagens sociais, dentre outros” (p. 380). Em suas palavras: “a teoria das representações sociais via explicar uma forma específica do pensamento social, ainda que muitas das descobertas teóricas e operacionalizações metodológicas sejam passíveis de transposição para outros constructos dessa natureza” (Wachelke & Camargo, 2007 p. 380).
Certamente, para os autores, o processo de representação social permite às pessoas interpretar e compreender aspetos da realidade para assim agir em relação a eles, dado que a representação toma o lugar do objeto social a que se refere e transforma-se em realidade para os atores sociais. Afirmam que a transformação das
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representações pode ocorrer por mudanças ocasionadas na relação do grupo com o objeto bem como nas relações intergrupais ou em outras mudanças de contexto social. De fato, os autores pressupõem que a finalidade das representações sociais “é classificar os eventos da vida social segundo uma grade de interpretação grupal, permitindo ações relativas a esses acontecimentos” (Wachelke & Camargo, 2007, p. 381).
Analogamente, Vala (2002) salienta que as representações sociais exprimem a relação de um sujeito com o objeto, relação essa que envolve uma atividade de construção e de simbolização. Essa construção vai assegurar ao sujeito social a construção de sentimentos de pertença social e a possibilidade de estabelecer com seus pares relações de comunicação e representação. Para o autor “as representações sociais são um produto das interações e dos fenómenos de comunicação no interior de um grupo social, refletindo a situação social desse mesmo grupo, seus projetos, problemas e estratégias além das suas relações com outros grupos” (p. 461).
Tendo em consideração o anteriormente exposto, Jodelet (2007) vem dizer-nos que as representações sociais são fenómenos complexos sempre ativados e em ação na vida social, quer individual quer grupal, e são compostas de diversos elementos (informativos, ideológicos, cognitivos, valores, crenças, etc.) que estabelecem uma ligação entre o sujeito e o objeto da representação. As representações sociais sob a forma ideológica, moral e política, têm uma real influência sobre os procedimentos do ensino da qual a primeira função está ligada à produção de uma determinada cultura. A abordagem das representações sociais que tem a vocação de identificar a dimensão simbólica dos fenómenos sociais abre assim, hipóteses de análise a muitos dos aspetos do sistema educativo. Segundo o autor é necessário evitar a redução do campo da educação ao das representações sociais e vice-versa, uma vez que o campo da educação não se limita a um “espaço de coleta de dados ou um espaço puro de aplicação de um modelo teórico” (p. 13). Assim sendo, a área da educação deve ser pensada como uma totalidade no seio da qual os recursos oferecidos pelo modelo das representações sociais devem ser aplicados de forma adaptada aos problemas característicos dos diferentes níveis de sua estruturação.
Para Jodelet (2007) o modelo das representações sociais oferece guias fecundos para a aproximação do papel de conjuntos organizados de significações no sistema e no processo educativo sendo que as significações figuram nos discursos dos diferentes agentes do sistema em relação à posição social que ocupam, como sendo: o discurso político que define as finalidades do sistema e as orientações de sua organização; o
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discurso dos administradores que as realizam; os discursos dos agentes institucionais dos diferentes níveis de hierarquia, o discurso dos alunos e família. Sendo que as representações sociais afetam, as conceções e avaliações da relação pedagógica e das aquisições qua a possibilitam. Todavia, o autor alude-nos para a existência de uma simbiose entre os dois conceitos (representação social e educação) devido ao vínculo histórico e lógico que existe entre ambos. O vínculo histórico tem origem na obra de Piaget a qual inspira a própria conceção da teoria das representações sociais quanto aos processos de desenvolvimento e da elaboração dos conhecimentos, e o vínculo lógico remete para o fato de que toda a educação vai para além da socialização, de uma técnica pedagógica ou que o ato do ensino /aprendizagem. Numa conceção de educação Jodelet (2007) indo ao encontro do pensamento de Durkheim, salienta que
a educação é fundada em valores e ideias que definem esquemas dominantes em momentos diferentes da evolução da escola, e que correspondem também a opções dos atores segundo sua experiência vivida dentro do sistema, sob a pressão das ideologias e das coações ligadas às finalidades e às condições efetivas de funcionamento do sistema escolar (p. 14).
A autora refere que o funcionamento do sistema institucional no qual inclui as políticas educativas, as ideologias que as ativam e as medidas que elas aplicam em diferentes momentos da sua história traduz-se assim, na representação das funções de aluno e professor. Por isso, é necessário olhar para representações que orientam o funcionamento escolar em matéria de conhecimentos e de saberes úteis à produção.
Analogamente, Menin e Shimizu (2007) indo ao encontro das ideias de Jodelet (2007), referem que as representações sociais são uma forma de saber prático que tem relação com a experiência vivida das pessoas em que todos os agentes escolares são portadores e construtores de conhecimentos sociais os quais podem influenciar as diversas práticas na escola, marcar as suas interpretações sobre funções e papéis a desempenhar na escola, bem como chocar-se com outras formas de conhecimento mais académicas. Assim sendo as representações sociais dos atores escolares podem interferir nas finalidades da escola, nas normas de funcionamento escolar bem como nos próprios processos de ensino e aprendizagem.
Tendo em conta esta perspetiva, Pires (2001) realça que a educação escolar é uma atividade complexa e multidimensional na qual a construção social da própria realidade educacional está dependente do contexto político, económico e cultural próprio de cada sociedade. A matriz social que em cada instante e em cada lugar
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carateriza o contexto influencia a respetiva educação. Pires, Fernandes e Formosinho (2001) salientam que as relações entre a escola e a sociedade são consideradas como interações dialéticas, onde, quer a escola quer a sociedade são conjuntamente determinantes e determinadas. De acordo com Durkheim:
A escola socializa os indivíduos, ou seja, prepara-os para a sua integração na sociedade. Esta socialização supõe, além da aquisição de conhecimentos e técnicas, interiorização de um sistema de valores, traduzido em atitudes e comportamentos ajustados à ordem social dominante (cit. in Fernandes, 2001, p. 138).
Para Pires (2001) a escola enquanto instituição social terá que estar atenta a todos os fenómenos sociais, e se realmente se quer “democratizadora e estimuladora do desenvolvimento social, terá que se repensar a si mesma” (p. 229).
A nosso ver, as representações sociais são as diversas formas de produção e interpretação de conhecimentos/saberes sociais os quais permitem decifrar e compreender aspetos da realidade de modo a saber agir sobre eles em conjunto com os demais, na livre circulação de ideias e conceções em suporte a uma comunicação aberta e difusa. Da combinação da simbiose (representações sociais e educação) advém representações capazes de influenciar em diferentes modos a prática, as ideologias e as políticas educativas as quais, hodiernamente, estão sustentadas por novas políticas e consequentemente, por diferentes conceitos que abarcam modelos de construção e formação em regime de reestruturação. Porém, podemos constatar que várias entidades (família, igreja, políticos) intervêm e influenciam o processo da educação escolar, no qual podemos dizer que “a educação de um indivíduo exige habitualmente a intervenção de outras pessoas, sobretudo se essa educação se processa numa instituição educativa” (Fernandes, 2001, p. 23).