2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.2. Etkili Okul
2.2.2. Etkili Okulda Çevre Faktörü
O espaço se altera conforme o olhar que a ele se dispensa. Os ângulos em que se observam os espaços, modificam sua visualização e, conseqüentemente, a leitura que deles se faz. Nas duas narrativas, encontramos o emprego dos dêiticos, dentre outros: à direita, à esquerda, mais longe, mais perto, ao fundo, abaixo, acima, medidas em metros, quilômetros, léguas facilitadoras da dimensão e posicionamento dos elementos do espaço narrativo.
O narrador de Os Sertões percorre espaços distintos, contudo, vê o cenário da luta, do alto, do morro da Favela. Compõe-se, portanto, um teatro propício à exibição da tragédia, semelhante à apresentada no antigo teatro grego. A visão da luta, se não fosse a fumaça emanada do cenário, seria a melhor possível, já que o narrador se posiciona junto aos oficiais do alto comando e à comissão de engenharia, para assistirem ao drama representado abaixo deles, no teatro da luta. A névoa que se forma e impede a visão nítida, significa, metaforicamente, as incertezas que impedem a plenitude de uma narração verídica dos fatos, embora o narrador se empenhe em consegui-la.
O leitor é lembrado de que o espaço sertanejo é um imenso teatro. Ao longo da narrativa, o narrador deixa pistas sobre sua intencionalidade, mostrada pela palavra. Dentre outras denominações, chama o cenário da luta de Tróia de taipa (p. 192), áspero teatro da guerra (p. 550) e anfiteatro amplíssimo (p. 554). Utiliza expressões como:
A história é ali mais teatral, porém menos eloqüente (p. 169); [...] afastemo-nos pouco do teatro em que se desenrolou o drama histórico de Canudos [...] (p.183).
... A algara tumultuária teve um desfecho teatral (p. 396); [...] abriu-se de improviso um episódio épico (p. 488).
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Descidas as vertentes, em que se entalava aquela furna enorme, podia representar-se lá dentro, obscuramente, um drama sanguinolento da idade das cavernas. O cenário era sugestivo. Os atores, de um e de outro lado, negros, caboclos, brancos e amarelos, traziam, intacta, nas faces, a caracterização indelével e multiforme das raças e só podiam unificar-se sobre a base comum dos instintos inferiores e maus (p. 735).
O exemplo, eivado pelo determinismo, pela crença na inferioridade racial da miscigenação, é a antítese de momentos da narrativa em que as personagens são dignificadas. O espaço em que ocorre a ação dos atores , é representado, novamente, como teatro da guerra.
O espaço encontra, em Os Sertões, outros ângulos de visão, quando se trata da própria natureza servindo como cenário, por exemplo, no extrato: [as chapadas nuas] formando o palco desmedido para os quadros dolorosos das secas (p. 159). Esse cenário é o encontrado em toda a região sertaneja, vista mesmo de uma posição mais baixa.
Em Grande Sertão: Veredas, a variação dos ângulos, pelos quais o narrador transmite seu olhar, variam de acordo com o local, por exemplo, no excerto:
Vamos embora daqui, juntos, Diadorim? Vamos para longe, para o porto do de-Janeiro, para o sertão do baixio, para o Curralim, São Gregório, ou para aquele lugar nos gerais, chamado Os-Porcos, onde seu tio morava... (p. 157)
... Saíram os de primeiramente, iam um ante outro como um rio a buscar
baixo; ou um cão, cão. A gente demorava (p. 342).
Tanto na reprodução do diálogo com Diadorim, como na comparação, o narrador lembra de lugares situados num plano mais baixo ao que se encontra no momento da narração.
O que mais nos interessa, ao tratarmos dos ângulos de visão encontrados nas duas obras, é a aproximação da idéia de chefia expressa pelo olhar de um ângulo superior a um ângulo mais baixo onde, em geral, ocorre a ação observada. Encontramos, em Os Sertões, um trecho em que se não é possível afirmar documentalmente sua influência, conforme definição de Sandra Nitrini (2000) e que nos reporta à introdução desta pesquisa, sobre a narrativa de Grande Sertão: Veredas, ao menos, pode-se afirmar por conjectura. Vejamos:
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A estrada vai até à praça, retangular, em declive, de chão estriado de enxurros. No centro o indefectível barracão da feira tem, ao lado, pequena igreja, e de outro o único ornamento da vila um tamarineiro, secular talvez. Em torno casas baixas e velhas; e, sobressaído, um sobrado único que seria mais tarde o quartel-general das tropas.
Em Grande Sertão: Veredas, lemos: aquele sobrado, sobradão, parava lá, sobre sereno me prazia tudo comandando (p. 515). O sobrado do Paredão é diferente do sobrado de Monte Santo, pois compõem cenários diferentes. No Paredão há uma só rua, em Monte Santo há várias, porém os dois espaços se aproximam quando os relacionamos com as ações das personagens: os dois servem para o comando. O primeiro, do chefe jagunço, Riobaldo, o Urutu-Branco, e o segundo, do exército. Literariamente, ambos os sobrados simbolizam o poder, a chefia e as implicâncias advindas desse posto. O momento de tensão e a importância do sobrado como espaço são maiores em Grande Sertão: Veredas. O Sertão circunda ambos os sobrados.
5. O SERTÃO NAS DUAS NARRATIVAS
Chegamos ao ponto basilar de nossa pesquisa. Após a incursão pelos espaços da narrativa, podemos perceber o SERTÃO como elemento aglutinante da espacialidade, uma vez que sua presença se instaura na totalidade dos espaços tratados.
O sertão exterior se faz presente com as peculiaridades de cada região. A diferença reside no modo de avaliar o SERTÃO alegórico. A narrativa da guerra de Canudos mostra como o sertão transforma as personagens, física e emocionalmente. Na luta do bem contra o mal, de Riobaldo e seus jagunços contra os hermógenes o sertão envolve a tudo e a todos.
Além da etimologia do termo sertão, que mencionamos no início do capítulo I, baseada em estudo de Walnice Nogueira Galvão, vale lembrar, conforme As Formas do Falso, da mesma pesquisadora (1986, p. 25), que o sertão pode ser considerado como