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4.1.5.1.1.2 Kural eylemi

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4.4.4 Web erişimi koruması

O princípio da isonomia assegura a igualdade perante a lei e orienta o legislador com leis que atendam a todos. Tal princípio ainda constitui clara defesa dos cidadãos e age como barreira ao coibir excessos. Na mesma linha dada pela orientação internacional da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas impõe em seu art.7º:

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação

O Art.5º, I da Constituição aludi que homens e mulheres são iguais em direitos (grifo nosso) e obrigações e ao interpretarmos este dispositivo, percebemos que o tratamento isonômico tenta anular o desnivelamento entre os sexos, como argumento material, permitindo este, entretanto, quando o desnivelamento objetivar diminuir os desníveis entre homens e mulheres.

Para ratificar esta regra principiológica geral, o constituinte de 88 alcunhou no art. 3°, inciso IV, quando determina como objetivo da República Federativa do Brasil a promoção do bem de todos, sem preconceitos, entre outros, de sexo. Sendo assim, tal princípio representaria clara defesa dos cidadãos e age como barreira ao coibir excessos e diferenciações entre os sexos.

Sua aplicação abrange sem reservas a todos no art. 226 § 5° (“os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher”), ainda que a situação ocorra entre particulares (numa união entre indivíduos) será normatizado, como no arquétipo mencionado.

Embora existam outros dispositivos que de início pareçam se contrapor com os valores pensados pelo legislador da Carta Magna de 1988, como ocorre em ações de separação judicial e divórcio, onde privilegia-se o domicílio da mulher contrariando a regra geral de igualdade entre homens e mulheres.

O princípio apresenta duplicidade ao passo que impõe limite ao legislador e ao executivo nas proposições normativas editadas por esses poderes, impedindo por fim que leis sejam editadas com o fito de conferir tratamento diferenciado a pessoas que estejam em situações análogas.

Doutra forma, constitui barreira na aplicação dos dispositivos legais, ao coibir desvios pelo intérprete que possa gerar diferenciações em razão de SEXO (grifo nosso), religião, cor, ou ainda orientação sexual, política ou filosófica.

Deve ser incluído o particular, pois caso insista em praticar condutas de teor discriminatório caíram sobre este, as responsabilidades penais e civis do ordenamento jurídico.

Por tanto, para que se note desigualdade na regra é necessário que esta faça de maneira arbitrária diferenciações abusivas sem qualquer respaldo constitucional.

Nessa senda, Alexandre de Moraes expõe que:

Para que as diferenciações normativas possam ser consideradas não discriminatórias, torna-se indispensável que exista uma justificativa objetiva e razoável, de acordo isso uma razoável relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a com critérios e juízos valorativos genericamente aceitos, cuja exigência deve aplicar-se em relação à finalidade e efeitos da medida considerada, devendo estar presente por finalidade perseguida, sempre em conformidade com os direitos e garantias constitucionalmente protegidos.(MORAES, 2001, p.63)

Por tanto, as normas que originam disparidades frente ao texto constitucional, consequentemente aos seus princípios seriam inconstitucionais. Não obstante quando a diferença se faz pelo fato da mulher merecer a diferenciação por causa da diferenciação biológica que esta tem em relação ao homem, não há distorção do princípio apenas uma acomodação por assim dizer pela condição de ser dela.

A lei deve, no entanto, contribuir para eliminar os resquícios do passado na promoção de políticas públicas pela equiparação. A Carta Maior o faz no art.5º,I que aludi: que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações ditando um padrão de igualdade.

Ao interpretarmos este dispositivo, percebe-se que o tratamento isonômico tenta anular o desnivelamento entre os sexos, como argumento material, permitindo este, entretanto, quando o desnivelamento objetivar diminuir os desníveis entre homens e mulheres

É oportuna a lição de Fábio Konder Comparato (1996, p. 59) ao dizer que “As chamadas liberdades materiais têm por objetivo a igualdade de condições sociais, meta a ser alcançada, não só por meio de leis, mas também pela aplicação de políticas ou programas de ação estatal. ”

O tratamento jurídico único não é a máxima a ser atendido, quanto a lei deve discriminar situações caso a caso, para cada particularidade seja adjudicada tratamento específico. Por isso Kelsen (1986) afirma que: "[...] seria absurdo impor a todos os indivíduos exatamente as mesmas obrigações ou lhes conferir os mesmos direitos sem fazer distinção alguma entre eles [...]"

As segregações juridicamente toleradas são revalidadas pelo princípio da igualdade que além de objetivar a eliminação de privilégios, resguarda direitos individuais contra possíveis ataques.

Aos tribunais cambem a verificação de atentados a este princípio nas situações fáticas, cabendo ao juiz singular identificar no caso concreto que direito fundamental irá sobressair em cada demanda, pois nenhum direito será ponderado eliminado por completo outro.

Aos princípios não se aplicam a regra do tudo ou nada das normas, mas sua aplicação precisa de um so pesamento para garantir a máxima efetividade na sua aplicação. Captado dos ensinamentos de Dworkin (2002, p.39).

A Constituição como ordem jurídica e política deve primar por seus princípios enquanto regra albergadora das demais regras do sistema jurídico. Não obstante, tende a criar critérios (materiais e formais), para que não haja interpretações ao bel-prazer de seus destinatários. Porque como coloca STRECK, LUIZ LENIO (pag. 360). “Interpretar a lei é um ato produtivo e não reprodutivo” blindado pela hermenêutica constitucional.

Por essa lógica não se enquadra como segregadoras os diplomas normativos e nem tão pouco vão de encontro com os princípios constitucionais, quando estas conferem tratamentos diferenciados quando justificados pelo fato de existir um propósito maior, balizado cujo objetivo atine com os princípios positivados no Carta Maior.

A mesma lógica de interpretação venceu o entendimento na mais alta corte brasileira- O STF. Uniformizada a jurisprudência do Superior Tribunal Federal assegurou a vigência da lei Maria da Penha e a constitucionalidade de suas alíneas. Ao entender que esta não desvirtua o princípio da isonomia ela apenas lhe confere

aplicabilidade. A Lei Maria da Penha possui finalidade lícita amparada na legalidade e também explícita, pois resguarda o bem mais valoroso: a vida.

É imperioso falar, que quando os dos direitos fundamentais foram constitucionalizados por assim dizer no recente registro do constitucionalismo brasileiro, como pacto social que se apresentou, gerou o paradigma da interpretação constitucional segundo a ótica não só dos seus fundamentos, mas como pacto social que é, alude expectativa de direitos e transforma-se em Estatuto Supremo de cidadania para seus interpretes e aplicadores.

Não há, portanto, óbice em conferir distinção de tratamento a mulher, tão somente se reconhece na norma a vulnerabilidade da mulher e o legislador tenta minimizar a disparidade de sua condição12, ao conferir a elas leis mais específicas e

protetivas. Não por ela ser tida como “sexo frágil”, mas por ela historicamente ter sido inferiorizada pelo simples fato de existir como mulher.

12 A Constituição atende a mulher de maneira diferenciada em vários de seus dispositivos: o Art. 7º,

4 CONDICIONAMENTOS DA LEI MARIA DA PENHA COMO CONDUTA PROTETIVA DA MULHER NA SOCIEDADE BRASILEIRA: dos seus fundamentos de criação à previsão legal

A lei Maria da Penha é o reconhecimento da história de terror vivida pela farmacêutica e bioquímica que passados dez anos da ação contra seu agressor denuncia o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) essa por sua vez determina que o Brasil julgue com a maior brevidade possível o caso de Penha, obrigando o governo brasileiro a criar um dispositivo legal que conferisse maior eficácia ao enfrentamento da violência doméstica.

A Lei vislumbra a problemática da mulher e conceitua nesse dispositivo a violência empreendida as vítimas:

Art. 5o - Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar

contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial13:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.

Ao Estado brasileiro através do Art. 226, § 8º coube “assegurar a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integrarem, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”.

Nesse meio se encontra a proteção da mulher, que amparada pela a Lei Maria da Penha que passa a vigorar em 22 de setembro de 2006 de certa forma também estabelecida por determinações previstas em tratados internacionais dos quais o Brasil foi signatário. Cumprindo por fim à Convenção para Prevenir, Punir, e Erradicar a Violência contra a Mulher, a Convenção de Belém do Pará, da Organização dos Estados Americanos (OEA), ratificada pelo Brasil em 1994, e à Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw), da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Lei Maria da Penha restou sem dúvidas, um salto na história do enfrentamento pela discriminação do gênero no país pela afirmação de muito do exposto nos mencionados tratados fortalecedores da causa feminina.

Surge então, uma lei com múltiplas providências evolutivas com penas mais severas, melhorando a assistência às vítimas. Inovadora em termos de abrangência de gênero, conforme dispõe a norma do Art. 5º, em seu parágrafo único: “As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual”.

Até mesmo a jurisprudência vem tentando superar alguns questionamentos sobre a abrangência da norma e pelas hipóteses que se apresentam. Pela mesma lógica encontra-se o julgado transcrito a seguir:

Minas Gerais - Relacionamento homoafetivo entre mulheres. Lesões

corporais. Lei Maria da Penha. Aplicabilidade. Enquanto em relação ao sujeito passivo a Lei elegeu apenas a mulher, no pólo ativo das condutas por ela compreendidas encontram-se homens ou mulheres que pratiquem atos de violência doméstica e familiar contra mulheres. Dessa forma, se mulher com relacionamento homoafetivo sofre lesões corporais praticadas por sua companheira, no âmbito doméstico e familiar, aplica-se a Lei Maria da Penha em todos os seus termos. (TJMG, RSE 7918639-66.2007.8.13.0024, 7ª C. Crim., Rel. Des. Duarte de Paula, p. 17/06/2011).

Em posicionamento análogo à juíza Aline Quinto a qual afirma em sua decisão que ao analisar o caso, que qualquer pessoa que passe por situação de violência doméstica e se encontre vulnerável frente ao agressor, pode ser atendida pelas medidas protetivas previstas na lei, em seu favor ainda que sejam casais de relações homoafetivas.

O homossexual que sofreu violência por parte de seu companheiro pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha14. Por tudo isso, no caso acima mencionado,

a magistrada ressaltou na sentença15 que:

14 A narrativa dos fatos foi a seguinte: A vítima teve um enlace por quatro anos com C.T. e se separou

por volta de um mês. Com o término da relação amorosa, vem sofrendo constantes ameaças contra sua integridade física. Está sendo vigiada em seu trabalho e na instituição de ensino que estuda. A vítima afirma que o ex-companheiro é extremamente agressivo, possessivo e bastante instável emocionalmente. Após a decisão judicial ficou definido, a proibição de C.T de se aproximar de V.G.S. ou ainda de qualquer lugar onde o mesmo se encontre, sendo imperativo que permaneça a distância mínima de 200 metros. O réu também está proibido de ter contato com a vítima por qualquer meio de comunicação.

15Mato Grosso – Primavera Leste - Aplicação de medidas protetivas. Lei Maria da Penha. (MT, Proc.

É certo que a Justiça não pode se omitir e negar proteção urgente, mediante, por exemplo, a aplicação de medidas de urgência previstas de forma expressa na Lei nº 11.340/06, a um homem que esteja sendo vítima de ameaças decorrentes do inconformismo com o fim de relacionamento amoroso, estando evidente o caráter doméstico e íntimo de aludida ocorrência, tudo a ensejar a pretendida proteção legal.

O Estado direciona o seu olhar aquela mulher que violentada dentro do seu lar tem seus direitos humanos violados e objetiva protege-la nas orientações do ordenamento jurídico pátrio.

Tira da obscuridade a violência doméstica e expõe tal cenário, para ser amplamente debatido pela sociedade como problemática social. Oportunizando a devida assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar pautado nas medidas integradas de prevenção contra a discriminação.

Cite-se que o diploma legal, ditou medidas que albergam essa proteção, estabelecendo, por exemplo, que o juiz determine, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do governo federal, estadual e municipal.

Além de outras determinações trazidas pela Lei como a aduzida sobre a pena do delito de lesão corporal, cuja pena foi aumentada de seis meses a um ano e majorada restou definida entre três meses a três anos, modificando-se o Art. 129, § 9º, do Código de Processo Penal. Outra modificação foi adotada no Art. 129, § 11, do Código Penal, estabelecendo-se a partir daí que na hipótese do § 9º deste artigo16.

4.1 A Lei Maria da Penha como Política Pública

Ao analisarmos a problemática da violência doméstica contra a mulher nos seus aspectos sociais e jurídico fazemos um elo com os novos conceitos e avanços trazidos pela lei Maria da Penha.A Lei se propõe a mudar de maneira impar a realidade social impondo-se como ação afirmativa. Nesse sentido:

As ações afirmativas surgiram nos anos 1960 nos Estados Unidos onde desenvolveu-se uma ampla discussão sobre a inserção social dos negros e,

16 Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro ou com

quem conviva ou tenha convivido, ou ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabilitação ou de hospitalidade: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. [...]