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ARAŞTIRMANIN ÖZELLİKLERİ

İKİNCİ BÖLÜM KURAMSAL ÇERÇEVE

2.1. ERGENLİĞİN TANIM

2.1.2. Ergenliğin Temel Değişimleri 1 Bedensel Gelişim

Durante a realização dos trabalhos de campo foram identificados até três níveis deposicionais fluviais (N1, N2 e N3) em cada bacia hidrográfica analisada. Os níveis N1 correspondem às planícies de inundação, os níveis N2 aos terraços e os níveis N3 aos níveis deposicionais cujas formas foram alteradas pelos processos de encosta. Em algumas bacias, como a do Ribeirão do Ouro e do Rio Vermelho, afluentes da margem esquerda do Rio Paraopeba, os N3 não foram identificados. A existência e localização desses níveis foram consideradas evidências importantes da dinâmica fluvial e ajudam a compreender a gênese dos depósitos fluviais de fundo de vale.

Como foi apresentado e discutido no Capítulo 6, os afluentes das margens direita e esquerda do Rio Paraopeba se diferenciam quanto à organização e número de níveis deposicionais. Assim, na margem direita, os segmentos A e B dos ribeirões das Abóboras e dos Macacos possuem N1 e N2 (Figuras 16, 17, 20 e 21). Nos dois ribeirões, em seus segmentos A e B os N1 estão integralmente embutidos nos N2 (Quadro 3). Desse modo, não é possível verificar a espessura real dos N2.

Nos afluentes da margem esquerda há maior diversificação da organização e do número de níveis deposicionais. Os segmentos A dos ribeirões das Lajes, do Ouro, Cova D’Anta e do Rio Vermelho, além de todo o Ribeirão Águas Claras e do baixo curso do Rio Pardo apresentam apenas N1, geralmente amplos e de espessuras variáveis. Os segmentos B dos ribeirões das Lajes, do Ouro, Cova D’Anta, do Rio Vermelho e médio e alto curso do Rio Pardo possuem N1 e N2 (Figuras 24, 25, 28, 29, 32, 33, 36, 39, 40 e 43). Como se observa no Quadro 3, nos segmentos B do Ribeirão das Lajes e do Rio Vermelho os N1 estão embutidos nos N2 e nos ribeirões do Ouro e Cova D’Anta os N1 estão encaixados em relação aos N2. Os segmentos C dos ribeirões das Lajes e do Ouro possuem N1 e N2, sendo que, no primeiro, o N1 está embutido no N2 e no segundo o N1 está encaixado em relação ao N2.

Como foi apresentado no item que trata das análises granulométricas, os depósitos fluviais de fundo de vale são constituídos predominantemente por material arenoso, destacando-se a areia fina (Tabela 4). Apenas na bacia do Ribeirão Águas Claras foram encontradas fácies de seixos associada ao N1. É possível que essas fácies de seixos não estejam associadas à dinâmica

sedimentar atual daquele ribeirão, haja vista sua capacidade e competência. Como foi apresentado no Capítulo 6, em nenhum N2 foi encontrada fácies de seixos, apenas algumas fácies com uma quantidade maior de grãos maiores que 2 mm. Nos Quadros 6 a 8 estão descritos de modo sintético os níveis deposicionais N2, onde é possível observar descrições com ausência de fácies de seixos. Como os solos da região são mais evoluídos, sobretudo Latossolos e Argissolos, é possível que os processos erosivos atuantes principalmente no PEC e no PPMI não tenham sido capazes de expor o substrato rochoso para disponibilizar material que viesse a compor uma fácies de seixos. Com isso, mesmo que os movimentos de massa tenham se intensificado na região quando houve a formação dos N2, eles não devem ter sido suficientes para disponibilizar seixos para os cursos d’água. Portanto, apenas sedimentos nas frações areia, silte e argila teriam chegado em grande quantidade aos cursos d’água e transportados por estes. De fato, mesmo em áreas que apresentam índices morfométricos (Is por trecho e Rr – Tabela 6 e Figura 44) que indicam maior capacidade energética nos afluentes da margem esquerda do Rio Paraopeba e nos quais é possível observar o contato entre o elúvio e a base do pacote sedimentar, não foram observadas fácies de seixos.

Os níveis deposicionais identificados neste estudo podem ser relacionados aos níveis deposicionais do Rio Paraopeba identificados por Marques (1997) no vale do rio, em um trecho a montante de Juatuba. Ela identificou cinco níveis deposicionais no vale do Rio Paraopeba, os quais tiveram suas gêneses associadas a períodos de instabilidades tectônicas que resultaram no soerguimento regional da área estudada. Independente da interpretação realizada pela autora, cabe destacar que os níveis deposicionais identificados por ela podem ser relacionados aos níveis deposicionais dos afluentes do Rio Paraopeba. Assim, essa relação pode ser um indício importante de que a gênese de diversos níveis deposicionais identificados nos afluentes do Médio/Baixo Rio Paraopeba teve como principal condicionante o nível de base regional representado pelo Rio Paraopeba. Nesse sentido, os episódios de rebaixamento desse nível de base regional teriam condicionado a gênese de níveis deposicionais nos afluentes do Médio/Baixo Rio Paraopeba, bem como estariam relacionados ao surgimento de knickpoints e níveis de base locais nesses afluentes. A seguir, é apresentado um quadro com os níveis deposicionais dos afluentes do Médio/Baixo Rio Paraopeba e sua correlação com os níveis identificados por Marques (1997). Ressalta-se que a nomenclatura utilizada pela referida autora não foi apresentada na tabela para que não provocasse nenhuma confusão (Quadro 10).

Quadro 10: Correlação entre os níveis deposicionais dos afluentes do Médio/Baixo Rio Paraopeba e os níveis

deposicionais identificados por Marques (1997) no vale do referido rio, a montante de Juatuba.

Nível deposicional/segmento do afluente e características que permitem a

correlação

Nível deposicional do Rio Paraopeba (Marques, 1997) e suas principais

características N3 do segmento A do Ribeirão dos

Macacos – localização no interflúvio do

ribeirão com um afluente de pequeno porte do Rio Paraopeba; cota altimétrica, a altura em relação à lâmina d’água; as características dos seixos (grau de arredondamento, litologia e tamanho).

Nível deposicional localizado a 760 m de altitude e a cerca de 60 m de altura em relação à lâmina d’água, apresenta pacote sedimentar com espessura máxima de 13 m, com fácies basal de seixos arredondados, de litologia predominantemente composta de quartzo e quartzito, recoberto por outras fácies, com predomínio daquelas compostas de areia.

N3 dos afluentes da margem esquerda do Rio Paraopeba – cota altimétrica;

litologia dos seixos da fácies basal (ressalta-se que a escassez de registros do N3 e a alteração da forma dos mesmos impede qualquer afirmação conclusiva).

Nível deposicional cujos depósitos estão localizados a 750 m de altitude e entre 30 e 40 m de altura em relação à lâmina d’água. É composto por fácies basal composta de cascalhos suportados, arredondados a subarredondados, com tamanho médio de 8 cm, recoberto por silte e areia fina, frequentemente com grânulos e pequenos seixos.

N2 dos segmentos B dos afluentes do Rio Paraopeba – depósitos preservados na cota

altimétrica que varia de 680 m nos afluentes mais a jusante a 740 nos afluentes mais a montante; relação com os N3 coluvionados; diferença altimétrica entre a base e a superfície dos knickpoints (20 m, em média) semelhante ao encaixamento posterior à formação do nível deposicional do Rio Paraopeba análogo.

Nível deposicional localizado a 730 m de altitude e a 20 m de altura em relação à lâmina d’água, composto de camada basal de seixos subarredondados recoberto por areia fina, em alguns trechos, esse nível deposicional é recoberto por uma camada de material areno-siltoso, interpretado como indício de coluvionamento de um nível deposicional mais antigo.

N2 dos segmentos A dos ribeirões das Abóboras e dos Macacos – cota

altimétrica; espessura e composição granulométrica dos finos dos depósitos (nos afluentes da margem esquerda do Rio Paraopeba, é possível que não tenha ocorrido a formação deste nível ou que o mesmo tenha sido desmontado).

Níveis deposicionais posicionados na cota altimétrica de 720 m e a cerca de 10 m de altura em relação à lâmina d’água cujos pacotes sedimentares possuem até 7 m de espessura e são compostos de camada basal de seixos arredondados com granulodecrescência normal, recoberta por uma camada de material areno- siltoso.

N1 dos segmentos A e baixos cursos dos afluentes do Rio Paraopeba

correspondem às planícies dos afluentes do Rio Paraopeba cuja formação está condicionada pelo nível de base regional representado pelo Rio Paraopeba; a espessura e a composição granulométrica dos depósitos em todos os segmentos permitem essa correlação.

Nível deposicional que corresponde à planície fluvial atual do Rio Paraopeba, cuja dinâmica atual do rio está sendo marcada pelo aumento da carga, que ultrapassa a capacidade de transporte e tem gerado sinais de entrelaçamento da drenagem. O aumento da carga, segundo a autora, deve estar associado à atividade minerária a montante da área.

Os depósitos fluviais de fundo de vale (N1 e N2) foram inseridos no mapa de unidades do relevo e correspondem às unidades denominadas Fundos de Vale, conforme Figura 8. A partir

da observação da figura, verifica-se que a maior parte desses níveis se localiza na DZCP. Uma pequena parte deles se localiza na DRPB, no PEC e no PPMI. Assim, constata-se que a principal zona de formação desses níveis é a DZCP, caracterizada pela grande quantidade de diques básicos e veios de quartzo. Ressalta-se que esses diques básicos e veios de quartzo sustentam as cristas finas e alongadas que marcam o modelado do relevo na região. Alguns diques e veios de quartzo são os responsáveis pela manutenção de níveis de base locais e, por vezes, correspondem aos limites entre algumas unidades do relevo.

De acordo com Schumm (1986), a observação do perfil longitudinal de um canal fluvial permite identificar as zonas de alta e baixa velocidade, o que pode explicar as características e o padrão fluvial de um curso d’água. As zonas de alta velocidade são aquelas com gradiente do canal mais elevado, portanto mais declivosas, nas quais haveria o predomínio da incisão do canal. Por outro lado, as zonas de baixa velocidade correspondem aos trechos com menor gradiente do canal, menos declivosos, nos quais tende a ocorrer a deposição de sedimentos. Na área investigada, como se observa nos perfis longitudinais dos afluentes investigados (Figura 44), os trechos de alta velocidade desses canais localizam-se nos planaltos (PEC e PPMI) e na serra (SRP), em altitudes acima de 820 m. Nesse sentido, o Índice de Sinuosidade por trecho, expresso na Figura 44, corrobora com esse entendimento, haja vista que os valores do Is nos trechos localizados acima de 820 m é sempre menor que os valores obtidos para outros trechos, em cotas altimétricas inferiores. Com essas características, os planalto e serras devem corresponder às principais áreas de produção de sedimentos que contribuem para a formação dos N2 e dos N1, atualmente. O PEC e o PPMI correspondem a áreas cuja litologia é composta de rochas granito-gnáissicas-migmatíticas. No PEC a litologia é composta pelos migmatitos do Complexo Belo Horizonte, no PPMI predominam as rochas da Suíte Intrusiva Pará de Minas (Granito Pará de Minas), ambas de granulação grossa.

Na mesma linha de pensamento, verifica-se que os trechos dos canais localizados na DZCP são zonas de baixa velocidade, cujos Is por trecho apresentam valores mais elevados (Figura 44) e nos quais estão concentrados os níveis deposicionais apresentados ao longo do Capítulo 6. Ressalta-se ainda que nos afluentes da margem direita do Rio Paraopeba, nos ribeirões das Abóboras e dos Macacos, localizam-se os N1 e N2 mais expressivos horizontal e verticalmente. De acordo com as análises morfométricas, esses dois afluentes também apresentam os valores mais elevados de Is por canal e os menores valores de Rr (Tabela 6), que podem ser considerados como indícios da menor capacidade energética nos mesmos.

Além disso, apresentam os perfis longitudinais mais regularizados nos médios e baixos cursos entre os afluentes investigados (Figura 44). Já os valores intermediários de Dd (Tabela 6) devem estar relacionados às cristas sustentadas pelos diques básicos e veios de quartzo, que podem contribuir para a manutenção de um número elevado de canais de primeira e segunda ordem. A DZCP é uma área cuja litologia é composta de gnaisses do Complexo Belo Horizonte e de granitoides, geralmente de granulação grossa, seccionada pelos diques e veios. Na Figura 45 estão representadas as unidades do relevo que compõem a bacia do Médio/Baixo Rio Paraopeba. Considerando as informações apresentadas nos Capítulos 5, 6 e 7, propõe-se uma divisão da área de estudo em zonas de erosão e sedimentação que estão de acordo com as unidades de relevo anteriormente apresentadas. São proposta três zonas de erosão que coincidem com os planaltos e com uma serra – PEC, PPMI e SRP; e três zonas de deposição que coincidem com as depressões – DZCP e DRPB.

Os planaltos PEC e PPMI e a serra SRP são consideradas as zonas de erosão mais importantes na área de estudo. Elas devem ser as principais fontes de sedimentos para as áreas a jusante, tanto para os afluentes aos quais estão diretamente conectadas como para o Rio Paraopeba. Tendo em vista as características dos níveis deposicionais dos afluentes da margem direita do Rio Paraopeba (ribeirões das Abóboras e dos Macacos), pode-se inferir que o PEC desempenha um papel de destaque enquanto zona de erosão. Soma-se a isso o fato de que essa unidade de relevo possui a maior extensão areal quando comparada ao outro planalto e às demais serras. O PPMI e a SRP são unidade de relevo cujas áreas são menores, o que deve influenciar na quantidade de sedimento disponibilizado para os cursos d’água a elas conectados. Como se observa na Figura 12 e nos Gráficos 6, 7 e 10, as subbacias do PPMI e da SRP possuem valores de Dd mais baixos que aqueles das subbacias do PEC, o que também corrobora com o entendimento de que o PEC representa uma zona de erosão mais expressiva, com maior potencial de fornecimento de sedimentos para as áreas a jusante.

Como dito anteriormente, pode-se identificar até três zonas de deposição de sedimentos, que correspondem a áreas preferenciais de acúmulo de sedimentos. Essas três zonas de deposição estão associadas a duas depressões: DZCP e DRPB. A primeira depressão comporta duas zonas de deposição, sendo uma condicionada pelos níveis de base locais, sustentados pelos diques básicos e veios de quartzo, e a outra associada ao nível de base local do Rio Paraopeba no fundo de vale desse rio, no trecho em que ele atravessa as rochas do Complexo Belo Horizonte e dos granitoides. Já a DRPB possui apenas uma zona de deposição, que também

corresponde ao fundo de vale do Rio Paraopeba, porém em uma área cuja litologia é composta de rochas do Grupo Bambuí. Chama a atenção o fato de que essa terceira zona de deposição ocorre em uma área com a referida litologia e justamente a jusante do contato entre as rochas do Grupo Bambuí com o Granitoide de Cachoeira da Prata.

A partir da observação da Figura 45, pode-se concluir que os planaltos e serras constituem as principais áreas fonte de sedimentos para as áreas a jusante e que as diferenças de capacidades energéticas e de densidade de drenagem entre os cursos fluviais e bacias hidrográficas dessas unidades de relevo devem ter influenciado no fornecimento de sedimentos para os cursos d’água. Como consequência, os afluentes da margem direita devem ter recebido maior carga de sedimentos e isso, associado à menor capacidade energética desses cursos d’água nos médios e baixos cursos, deve ter contribuído para a formação de níveis deposicionais mais expressivos nesses afluentes.

Assim, dentro da DZCP existem áreas associadas aos médios e altos cursos de afluentes (segmentos B e C) nas quais a preservação de níveis deposicionais e o barramento de sedimentos são condicionados por níveis de base locais, sustentados pelos diques básicos e veios de quartzo. Desse modo, além de evitar a propagação da incisão da drenagem, a baixa energia nos segmentos a montante dos diques e veios impedem que boa parte dos sedimentos alcance os trechos dos afluentes a jusante ou mesmo o Rio Paraopeba. Apesar disso, é possível que parte dos sedimentos consiga alcançar os trechos a jusante e o Rio Paraopeba apenas durante eventos mais intensos de chuva, quando ocorre o aumento significativo da vazão dos cursos d’água.

Nas áreas mais rebaixadas da DZCP estão localizados outros níveis deposicionais, os quais têm sua gênese associada ao nível de base regional representado pelo Rio Paraopeba. Essas áreas rebaixadas correspondem aos baixos cursos (segmentos A) dos afluentes do Rio Paraopeba e ao próprio fundo de vale do rio na área em que ocorrem as rochas do Complexo Belo Horizonte e dos granitoides. Por fim, na DPRB (que coincide com as rochas do Grupo Bambuí) está localizada a terceira zona preferencial de deposição e que também corresponde ao fundo de vale do Rio Paraopeba, porém com depósitos lateralmente mais expressivos que aqueles localizados no trecho a montante, como se observa na figura anterior.