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A.8. FİZİKSEL VE ÇEVRESEL GÜVENLİK

A.8.3. Ekipman Güvenliği

A aula como possibilidade do acontecimento como referencia Geraldi (2010), é o encontro de palavras que constitui e promove outras palavras como Ponzio (2010, 2013) tem levantado discussões em seus textos. A leitura evento único pode ser possibilitada no espaço do fórum como o instrumento didático no projeto literário em questão. Durante a pesquisa levantou-se uma questão não pensada de início, mas interessante para a compreensão do espaço na arquitetônica dos sujeitos leitores ali envolvidos: o fórum no

projeto, e em si mesmo naquele evento, adquiriria diagramação de instrumento didático, visto seu tema, estilo e estrutura composicional?

Nós professores de Língua Portuguesa e Literatura, ou até os professores de um modo geral, dispúnhamos das aulas e nestas de espaços de escuta, a escuta que fala muito sobre o que precisamos trabalhar com os alunos, o que é necessário para uma formação que privilegie o desenvolvimento das tão referenciadas competências e habilidades leitoras, que possa levar cada aluno e cada professor a se perceberem parte de um amplo processo de aprendizagem. O fórum nesta visão do instrumento didático pôde ser bem utilizado com o propósito de encontro de palavras outras, mesmo sem uma ideia pronta ou precisa, observamos no espaço tempo das discussões a palavra capaz de propiciar uma compreensão que desencadearia um investimento intelectual repleto de sentido e de palavras outras. Afinal os alunos se fizeram ouvir através da ideia do fórum e mesmo que as participações fossem consideradas moderadas, em vista dos acessos relativos ao 9° ano somente (uma turma pequena), ainda sim, aquele espaço foi constituído a partir da palavra outra que aqueles leitores deram ao fórum oficial.

O fórum do projeto era uma atividade com proposta de discussão para um questionamento levantado a partir da obra literária lida ou em leitura para aquele momento e ano (série), aquilo de certa forma limitava o campo de discussão daquele grupo, que muitas vezes acessavam o fórum somente para responder a questão proposta e não estabelecia uma discussão efetiva com os demais leitores. É sob o viés do diferente e não do igual, é na peculiaridade, na singularidade, marcadas em cada possível enunciado nos fóruns e que podem apresentar sentidos que não se limitam às respostas esperadas para a questão proposta ou ao que se espera de um aluno para atividade de leitura obrigatória. O lampejo do sentido na palavra do outro e nas palavras outras capazes de construir o que de capacidades e habilidades leitoras, assim como constituir cada sujeito- leitor ali envolvido.

Pensar um espaço e tempo do fórum, mesmo ligado à escola, que se constituiria em um lugar de descobertas de si e do outro permeado pela leitura literária, seja escolar ou não, é o ‘outro’ olhar sobre a atividade do fórum. Talvez o mesmo e o diferente, a leitura libertadora no espaço dos fóruns, nos tornasse aptos a tratar sobre leitura como evento da singularidade, como uma prática espontânea de dizer algo através da leitura, do querer ser leitor. Se existe algo mais libertador e trans(formador) que uma leitura enquanto proposta de autoconhecimento de si enquanto leitor, desconheço. O aluno-leitor deve no evento da leitura tecer suas considerações sobre a obra, decidindo seus aspectos

positivos e negativos, abandonando-a ou insistindo a seu maior ou menor link com o texto desbravado. Infelizmente os roteiros e tarefas de leitura desmerecem esse caráter da leitura.

Observar o fórum como instrumento didático, como possibilidade de um espaço para reflexão sobre a obra e sobre a prática leitora não tem nada de inovador e revolucionário, todavia é um viés que transforma completamente a concepção do trabalho de leitura realizado, seja na escola, seja no projeto literário aqui citado. Todavia, é uma percepção diferente, conceber a leitura sob uma nova logística, sob o viés do sujeito dono da ação em sua alteridade com a palavra literária e os outros sujeitos leitores. Talvez Manuel de Barros possa poeticamente descrever o que aqui se tenta refletir:

Eu queria usar palavras de ave para escrever.

Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem nomeação. Ali a gente brincava de brincar com palavras tipo assim: Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra!

A Mãe que ouvira a brincadeira falou: Já vem você com suas visões! Porque formigas nem tem joelhos joelháveis e nem há pedras de sacristias por aqui. Isso é traquinagem da sua imaginação. (BARROS, 2010, p. 9).

Uma outra possibilidade de exercer a palavra, embora óbvia, diante do que se compreende por gêneros emergentes ou das novas práticas de leitura que se apresentam aos jovens (já há um bom tempo), mas que no espaço escolar se torna inusitadamente um diferencial. O fórum se mostra um desafio fecundo às práticas de leitura na escola e pode ser o caminho para desenvolver as denominadas competências e habilidades leitoras fortemente almejadas nas propostas dos documentos oficiais de modo geral; assim como buscadas pelos professores que se inquietam com a leitura e sua recepção nas aulas de português.

Um importante aspecto sobre os fóruns como instrumento didático é o fato deles permitirem, pelo enunciado e os sentidos circulantes, vislumbrar a atuação do professor enquanto mediador e também leitor. E não se está levantando a possibilidade de analisar metodologias ou posturas do professor ou do aluno, é outra a perspectiva, é como Barros (2010) coloca quando descreve o pensamento do pai diante do menino e seus modos de escrever “...queria desver o mundo para encontrar nas palavras novas coisas de ver...”. Ou seja, é, no espaço-tempo dos fóruns, colher os lampejos de sentido que compõem a

rede do evento leitura e neste formar o todo da aprendizagem. Cada sujeito no seu ato responsável e responsivo diante do aprendizado pela e com a leitura.

O ato de ler tomado como instrumento de trans(formação) nos fóruns escolar(oficial) ou paralelo, sempre compreendendo o professor como também leitor naquele espaço-tempo, reforça o sentido cultural, social e portanto ético, da aprendizagem. Seria a construção ética sobre a estética das leituras literárias ou não, numa postura de aprendizagem mútua (professores e alunos e até a família).

Divago mais uma vez pelos dizeres do menino de Barros (2010) quando poeticamente relata seus prazeres inocentes com a leitura e a escrita “A gente gostava das palavras quando elas perturbavam o sentido normal das ideias”; e neste sentido o professor não se limita a preencher as atividades de análise sobre a obra, para de algum modo também preencher o aluno de saberes pré-determinados, mas se tornar parceiro do aluno na concretização da aprendizagem, entra na relação de alteridade e também se constitui sujeito leitor. Assim sendo, o professor pode se destacar da perspectiva da leitura como o promotor de diversas formas do desejo de aprender, de ler.

A ideia aqui disseminada não é uma reflexão solitariamente realizada na perspectiva dos conteúdos das disciplinas de português e literatura. Muitíssimo pelo contrário, é uma projeção que ultrapassa as nuanças das áreas do conhecimento, é neste aspecto indissociável de todos os conteúdos e disciplinas, ou seja, é inerente ao processo de aprendizagem como um todo. O caráter essencial da competência leitora é uma questão de ato responsável para todos os que compõem o processo de escolarização dos sujeitos. Aqui se fala de um trabalho que oportunize alunos e professores reconhecer o uso fluente da Língua materna em qualquer espaço ou área de uso.

Destacada a importância do ‘evento leitura’ para todas as disciplinas e os variados gêneros textuais que compõem o processo de aprendizagem escolar, este trabalho acolhe para suas reflexões a leitura literária enquanto conjunto de conceitos, posturas ideológicas, valores sociais cotidianos que são trazidos à superfície palpável do dia a dia escolar e muitas das vezes colocadas em reflexão pelos leitores, é neste movimento ético- estético que cada sujeito leitor na escola ou fora dela poderá se constituir pela leitura que trans(forma), pelo singelo ato de ler naturalmente e, sem as amarras dos roteiros. Pensar sobre o que e como leu; conduzidos por suas experiências de vida, valores sociais e familiares, também transformados pela leitura22.

22 Minhas memórias leitoras recordam o quanto a imagem da mulher apresentada por Alencar em

De maneira inversa, o ritmo acelerado imposto pela sociedade capitalista e sua estrutura tecnológica, com as diversas mídias e redes sociais, nos tem estabelecido como pressuposto de conhecimento e socialização um volume inimaginável de informação e conforme Larrosa(2002), isso interfere na experiência, à medida que somos seres extremamente informados, somos não formados e a experiência é cada vez mais rara, não há reflexão sobre a informação que potencializa o saber . Do meu lugar de professora, pesquisadora e leitora, afirmo que a escola, de um modo geral, tem sofrido com essa tendência à informação excessiva, sem provar do saber pela experiência, a construção do conhecimento pelo sentir, ter contato com o que se estuda e pensa. De certa forma, o Projeto Digital Leitura e Companhia reforça a tendência da informação, quando à escola é apresentada uma fórmula para desenvolver as capacidades e habilidades leitoras – como se isso fosse possível – e aos leitores é mostrada uma forma de leitura totalmente estruturada naquilo que “acreditam” ser atrativo, seguindo os moldes das redes sociais e as suas “facilidades” para opinar sobre algo.

Todavia, acredito que posso confirmar o fórum “ Sujeitos leitores” como uma experiência que se deu pela escuta daqueles que são parte importante na construção do saber e, por isso, relevantes também quando pensamos e realizamos nossas práticas de ensino nas aulas de leitura. No fórum nos constituímos sujeitos porque a ação de ler é única, no espaço e tempo a cada vez realizada é singular e mostra o efeito de sentido provocado diante da proposição dos alunos para elaborar aquele fórum.

Se a experiência é o que nos acontece e se o saber da experiência tem a ver com a elaboração do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece, trata-se de um saber finito, ligado à existência de um indivíduo ou de uma comunidade humana particular; ou, de um modo ainda mais explícito, trata-se de um saber que revela ao homem concreto e singular, entendido individual ou coletivamente, o sentido ou o sem-sentido de sua própria existência, de sua própria finitude. Por isso, o saber da experiência é um saber particular, subjetivo, relativo, contingente, pessoal. Se a experiência não é o que acontece, mas o que nos acontece, duas pessoas, ainda que enfrentem o mesmo acontecimento, não fazem a mesma experiência. O acontecimento é comum, mas a experiência é para cada qual sua, singular e de alguma maneira impossível de ser repetida. O saber da experiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto em quem encarna (LARROSA, 2002, p. 27).

na adolescência. Foi atravessada pela leitura literária que, na época, fui provocada a refletir sobre a mulher e seu papel, questão antes pré-determinada pelos valores machistas característicos da sociedade e, fortemente, abarcada pela minha família.

O saber de experiência é singular e somente se dará pela abertura dos sujeitos da experiência, e se dará de uma forma singular para cada um que experimenta. Isso aconteceu com os alunos que pensaram, sugeriram e idealizaram o fórum Sujeitos em Construção e por mim como parte neste processo de descoberta da leitura em seu aspecto dialógico. A arquitetônica presente na relação eu-outro projetou, concretamente, os alunos na perspectiva da responsividade intrínseca aos sujeitos. O olhar único daqueles sujeitos leitores, naquele espaço e tempo me provocou também a perceber-me sujeito leitor naquele evento. Não eu, mas, eles tiveram o olhar dialógico sobre a atividade no fórum. Apesar de meu lugar de professora, muitas vezes concebido como detentor do saber ou orientador da aprendizagem, partiu deles o esforço para oferecer um sentido à prática de leitura em sala de aula naquele momento e diante daquele contexto.

Os diálogos sempre são bordados por palavras numa tentativa, num esforço de compreensão e de se fazer compreender na relação com outro. É sempre na relação, no encontro que se lança, no tempo e no espaço, a possibilidade de constituição dos sentidos e de cada sujeito. A constituição de cada sujeito na relação é natural, contínua e, por isso inacabada. O que há de singular neste projeto está exatamente na constituição dos sujeitos leitores, na forma como tais se constituíram naquele espaço e tempo. Um projeto que envolvia inúmeros outros alunos da mesma e de outras escolas, mas foram eles que expressaram o querer dizer de um outro modo, provocados sim pela palavra outra do fórum oficial. Quando muitos apenas cumpriam mecanicamente as tarefas no QUIZ e, em alguns casos, sequer participavam no fórum de discussão, aqueles sujeitos se lançaram a uma nova proposta.

A reflexão diante dos fatos foi inevitável, o sujeito professor e pesquisador em êxtase diante daquela situação compreendia o cronotopo bakhtiniano. O sujeito por si não existe, ele necessita se lançar para o outro e neste movimento vislumbra-se. É no outro e através do outro que eu me vejo, constituo minha singularidade mutante no espaço e no tempo. O que sou agora é o lampejo da minha relação com outro ou outros no espaço e no tempo. Ali eu me percebi, de forma mais concreta, em constituição. Foi na relação com os alunos, naquele espaço e tempo, na arquitetônica que se deu naquela sala de aula que o sujeito pesquisador refletiu sobre suas experiências, suas práticas e sobre a possibilidade de fazer algo diferente e que atendia a uma urgência dos alunos envolvidos no processo de leitura.

Franchi (2002) reconhece que a linguagem é um instrumento de comunicação, de interação, de influência sobre os outros, mas a função de comunicação pressupõe muito mais do que a simples troca de informações. É, assim, um sistema aberto, disponível para o entendimento de todas as necessidades de comunicação. Além disso, a linguagem não é somente reflexo da realidade, ela constrói a realidade e nela se transforma num processo de constituição contínuo e infinito. Para o referido autor “ a linguagem tem um papel ativo na construção dos sistemas de referência por meio dos quais o homem age no mundo”, e por assim dizer o sujeito é constituído pela linguagem, assim como compreende e trans/forma o mundo pela linguagem. Esta ideia fez todo o sentido sobre o manto da experiência com a leitura através destes fóruns. O agir no mundo é o ato responsável que faz toda diferença, principalmente quando se tem conhecimento dele. Fazer o mesmo e o diferente, foi algo que possibilitou o saber experiência pela leitura no ano de 2015 para mim e para os alunos que me constituíram.