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Duyarlılık analizi – döviz kuru riski (devamı)

Como foi visto, a Fortaleza Hoje é a primeira fase pública do projeto e consistiu na realização dos grupos de trabalho para diagnóstico da cidade atual. Os principais responsáveis

por essa atividade foram dois técnicos do Iplanfor encarregados de organizar os encontros, e cada Regional que se responsabilizava pelo convite e mobilização de pessoas dos bairros.

A apresentação do Plano ocorreu no mês de março de 2015 e consistiu de encontros nas Regionais (um em cada Regional) e apresentação para outros setores, como poderes públicos e organizações privadas, ocorrida na sede da Câmara de Dirigentes e Lojistas do Ceará (CDL). A ligação entre o Iplanfor e a população se deu por meio da articulação das Secretarias Executivas Regionais (SERs), que escolheram uma equipe ou uma pessoa para convidar outras pessoas e lideranças dos bairros localizados nas regionais.

As apresentações do Fortaleza 2040 tinham como objetivo expor a concepção do Plano e sua metodologia para a construção dos grupos de trabalho de diagnóstico da cidade. Foram utilizados recursos como vídeos explicativos e apresentação de dados de pesquisas já realizadas anteriormente pela equipe técnica do Iplanfor. A metodologia do Plano, além de ser explicada nos vídeos e/ou projetada em tela era esclarecida pelo articulador das reuniões que, ao final de sua fala, tirava dúvidas sobre o Plano e organizava os grupos de trabalhos temáticos dos bairros, para que realizassem a atividade “A Cidade que Temos”.

Os grupos de trabalho da fase “A Cidade que Temos” foram divididos em três diferentes eixos: o primeiro com os grupos de bairros, o segundo com instituições do poder público e por último o setor privado. A metodologia de trabalho variava de acordo com o tipo de grupo, cada eixo de trabalho deveria entregar um produto especificado pelos Cadernos de Trabalho49.

Os encontros dos bairros tinham, como produto, um relatório contendo caracterização do bairro, situação da infraestrutura e mobilidade, serviços existentes, integração social, economia do bairro, além da produção de um mapa identificando, nos bairros, os pontos de lazer, violência, etc. Este relatório é definido pelas diretrizes contidas no Caderno de Trabalho “Fortaleza Hoje – Bairros”.

Já as instituições públicas respondiam em seu relatório questões sobre políticas públicas, nível de integração vertical e horizontal destas políticas, impacto em Fortaleza, fatores de convergência e análise de ambiência e identificação de prioridades. O relatório que precisava ser realizado era balizado pelo Caderno de Trabalho “Fortaleza Hoje – Políticas Públicas”.

Por fim, o setor privado respondia a questões relativas à identificação da organização, cidadania, rede de vínculos associativos, grau de dependência das instâncias governamentais, impactos da cidade sobre a organização, potenciais da cidade, mobilidade urbana e principais

49 Foram organizados três Cadernos de Trabalho, sendo um para os núcleos territoriais e outros dois para o setor

problemas e soluções da cidade. O relatório era balizado pelo Caderno de Trabalho “Fortaleza Hoje - Núcleos Setoriais”.

Nessa fase, o Iplanfor foi responsável pela organização junto ao poder público e o setor privado, e as Regionais se encarregaram das reuniões territoriais. Estas, por sua vez, tinham maior liberdade de organização de acordo com o perfil do organizador dos encontros.

O fato do organizador ser alguém da sociedade civil ou do corpo administrativo da prefeitura influenciava na escolha do local e das pessoas que iam aos encontros. Isto se deve à rede de relações que cada organizador conseguia mobilizar para realizar a reunião. Por exemplo, um organizador que tinha um histórico com movimentos sociais ou tinha trabalho com pessoas de classes populares conseguia agregar mais participantes destes segmentos do que alguém que não tinha tal histórico. Isso foi algo recorrente durante a participação popular na elaboração do Plano e põe em relevo duas situações: indica uma gama variada de metodologias empregadas pelos grupos de trabalho nos bairros e a grande diferença nos perfis dos participantes que compunham os grupos.

Outra questão a salientar deste momento da elaboração do Plano Fortaleza 2040 é a diferença encontrada para mobilização de pessoas para participar do diagnóstico nos bairros da cidade. Enquanto havia regiões e territórios onde existia a participação de um grande número de pessoas, em outros bairros ocorria uma grande dificuldade para chamar e reunir a população do local. Entre os bairros que tinham uma participação massiva da população, destacaram-se os bairros da região do Grande Bom Jardim, Grande Messejana e Barra do Ceará. Uma região que teve dificuldade foi o bairro da Aldeota e adjacências. Nesse caso, foi desenvolvido pelo coordenador do bairro uma forma de participação online que posteriormente foi adotada pelo Plano como forma de coleta de dados sobre a cidade.

Sobre este caso o coordenador do grupo da Aldeota esclarece que

A intenção era que se fizesse algumas reuniões no bairro e aí era uma coisa que a gente não tinha, não sabia como convidar as pessoas pra fazer essas reuniões. Porque a Aldeota por ser um dos bairros mais desenvolvidos da cidade, por ter pouca, por não ter tanta demanda quanto tem outros bairros menos centrais ela não tem associação de moradores do bairro. Ela não tem nenhum tipo de movimento territorial. As associações de moradores que devem ter dentro da Aldeota, eu falo deve porque eu nem conheço todas, devem ser das comunidades que estão inseridas aqui dentro, mas não do bairro de uma forma geral. E acaba que as pessoas que moram aqui são pessoas que não se ligam tanto em ter esse contato ou esse tipo de organização [...] a gente não conseguiu atrair muitas pessoas pelo menos paras reuniões presenciais. Então a gente jogou essa coisa de mapas colaborativos e ferramentas colaborativas online e o pessoal ia adicionando alguma coisa que quisesse lá e depois a gente só fazia a questão de organizar os dados para entrega para o Iplanfor. (Entrevista concedida ao pesquisador em 17/10/2017).

Compreende-se, então, que, neste momento da elaboração do Plano, tiveram bairros e territórios onde a participação foi mais simples de se organizar. Geralmente, essas localidades mais participativas coincidiram com as regiões com menos infraestrutura e mais necessidades do que os bairros e locais mais desenvolvidos.

De forma geral, os participantes dos bairros compreenderam bem as atividades que lhes foram pedidas nesta fase do Plano e não foram relatados momentos de discordância ou de conflitos entre a população e a equipe responsável pela elaboração do Fortaleza 2040. Entre as atividades pedidas pela organização do Plano para os moradores dos bairros que foram realizadas com êxito, se destaca a identificação dos problemas enfrentados localmente pela população de Fortaleza50.

Durante este período de elaboração do Plano, houve a presença majoritária de indivíduos dos bairros, representantes de associações de bairros e de moradores autônomos. A presença de ONGs e movimentos sociais foi em menor número sem haver uma participação ativa, por vezes, estando presentes mais para monitoramento do processo do que propriamente para a elaboração do Fortaleza 2040.

Conclui-se que, após sensibilização para o trabalho e apresentação do Plano por parte da prefeitura, houve uma mobilização da população para a participação do projeto especialmente no que tange a uma organização participativa com enfoque territorial. No entanto, esta mobilização sofre mudanças na sua composição e nos seus objetivos nas fases posteriores do processo participativo.