No Brasil se reconhece como primeiro inventário o realizado por Sylvio de Vasconcellos em Ouro Preto no ano de 1948 (BRASIL, 2001), mas a valorização e sistematização da pesquisa metodológica sobre o inventário se consolidaram na década de 1970, quando também ocorreu o processo de regionalização das práticas de preservação pelo Brasil, marcada por três inventários realizados por órgãos estaduais: Ipac na Bahia, Inepac no Rio de Janeiro e Fidem de Pernambuco. Foram inventários de edificações e conjuntos históricos.
Inicia-se uma fase no Iphan, onde se estabelece uma nova abordagem de pesquisa a partir das coordenações regionais26 ueà vive iava à deà pe toà asà li itaç esà dosà it iosà deà
seleção, empregadosàpelaài stituiç o .à MOTTá&“ILVá,à
Nessesà i ve t iosà fo a à e p egadosà todosà eà e o tesà te ti osà dife e tes,à produzindo um acúmulo significativo de informações sobre os bens culturais, com fotos, desenhos das edificações, mapas, plantas cadastrais, informações bibliográficas e arquivísticas e dados sócio-econômicos. Além da grande diversidade de métodos, verificou-se nas pesquisas, a tendência de abordar num mesmo inventário diversos tipos de bens – veis,ài veis,àfaze esà ultu aisàet . à (MOTTA&SILVA, 1998, p. 17)
Na década de 1980 e 1990 o Iphan registra a delimitação de áreas em sítios urbanos sobre inventários em escalas já mais amplas, em que pode se encontrar escala de bairro, de cidade/ município, região ou estado como exemplifica através dos títulos de inventários propostos pelas coordenações regionais: Inventário da imigração alemã em Santa Catarina, Inventário da arquitetura moderna em São Paulo. (MOTTA&SILVA, 1998)
Qua toà àfo aàdeà oleta,à o statou-se que a grande maioria das propostas adota critérios estritamente arquitetônicos e estilísticos, na seleção dos bens a serem inventariados. Apenas 28% dos métodos incluem algum tipo de consulta ou envolvimento das comunidades para a identificação dos bens. … àCo lui do,àfoià possível identificar, com base nesse primeiro levantamento dos inventários, que o IPHAN vem trabalhando no sentido de atender à nova demanda de identificação do patrimônio, especialmente nas regiões onde o acervo tombado é pouco numeroso. Entretanto, fica constatada a inexistência de uma política de inventários na instituição, pois essas ações, até o momento, vêm se dando de forma dispersa e heterogênea. As informações coletadas não são previstas de maneira a integrar um
26 Esta doà p i asà dosà a e vosà eà dasà o u idadesà e volvidas,à asà egio aisà se ti a à e essidadeà deà
espo de à sà ovasà de a dasà e à elaç oà à p oteç oà deà out osà pat i ios à ai daà oà e onhecidos, e o e doàaoà egist oàdeàsuasà a a te ísti asàà o oàfo aàdeàde o st a àseuàvalo . à MOTTá&“ILVá,à
sistema de informações do IPHAN, possibilitando seu intercâmbio. Uma política institucional deverá formular conceitos e critérios claros, prevendo a criação de um sistema de informações e oferecendo o apoio financeiro, material e humano necessário para que essas ações possam se realizar de forma sistemática e
o tí ua. à MOTTá&“ILVá,à ,àp.à
Diante dessa conjuntura o Iphan envereda em pesquisas persistentes sobre a metodologia de inventário e lança manuais de inventários no final da década de 1990 e início da de 2000: INBA (Inventário Nacional de Bens Arquitetônicos), INRC (Inventário Nacional de Referências Culturais), INBI-SU (Inventário Nacional de Bens Imóveis – Sítios Urbanos), entre outros. Esses manuais sempre são marcados pelo pensamento corrente sobre o patrimônio e suas formas de abordagem, trazendo sempre textos introdutórios de autores como Márcia Chuva27, Lia Motta28,
Cecília Londres29 e Sônia Rabello.
O INRC, como introdutor de uma metodologia que considera tanto o patrimônio material quanto o imaterial, para a condução ou não ao tombamento ou registro respectivamente, é definido por:
OàIN‘Cà ,àa tes,àu ài st u e toàdeà o he i e toàeàap o i aç oàdoào jetoàdeà trabalho do IPHAN, configurado nos dois objetivos principais que determinaram sua concepção:
1. identificar e documentar bens culturais, de qualquer natureza, para atender à demanda pelo reconhecimento de bens representativos da diversidade e pluralidade culturais dos grupos formadores da sociedade; e
2. apreender os sentidos e significados atribuídos ao patrimônio cultural pelos moradores de sítios tombados, tratando-os como intérpretes legítimos da cultura lo alàeà o oàpa ei osàp efe e iaisàdeàsuaàp ese vaç o. à Co si oài àB‘á“IL,à Com a elaboração do instrumento de tombamento em 1937, a base de justificativas se dava através da autoridade intelectual e moral dos modernistas que tocavam a fase inicial do IPHAN.
Deà u à ladoà seà ti haà aà ultu aà ofi ial à efe idaà aà u à passadoà o to ,à ueà e aà museificado. De outro, se verificava a absorção acrítica dos valores exógenos, da modernização, da tecnologia e do mercado. A reação a esse processo devia ser buscada na cultura, domínio do particular, da diversidade. Mas não na cultura o ta à doà pat i ioà doà passado,à efe iasà o etasà po à est ti asà eà distantes da nacionalidade. Era preciso buscar as raízes vivas da identidade nacional exatamente naqueles contextos e bens que o SPHAN excluíra de sua atividade, por considerar estranhos aos critérios (histórico, artístico, de e ep io alidade à ueàp esidia àosàto a e tos. à B‘á“IL,à ,àp.à 6)
27 Servidora do Iphan da COPEDOC (Coordenação de Pesquisa e Documentação)
28 Servidora do Iphan e Coordenadora da COPEDOC (Coordenação de Pesquisa e Documentação) 29 Socióloga, membro do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan
A mudança da política de valores adotada para a seleção de bens culturais se modificou com as reavaliações realizadas sobre a prática de preservação empregada até então. Inicia-seàaàfaseàdeàpolíti asà ultu ais,àdeào deàsu geàoàte oà efe iasà ultu ais :
Qua doà seà falaà e à referências culturais , se pressupõem sujeitos para os quais essas referências façam sentido (referências para quem?). Essa perspectiva veio deslocar o foco dos bens – que em geral se impõem por sua monumentalidade, por sua riqueza, por seu (peso) material e simbólico – para a dinâmica de atribuição de sentidos e valores. Ou seja, para o fato de que os bens culturais não valem por si mesmos, não têm um valor intrínseco. O valor lhes é sempre atribuído por sujeitos particulares e em função de determinados critérios e interesses historicamente condicionados. Levada às últimas conseqüências, essa perspectiva afirma a relatividade de qualquer processo de atribuição de valor – seja valor histórico, artístico, nacional, etc. – a bens, e põe em questão os critérios até então adotados para a constituição de patrimônios culturais , legitimados por disciplinas como a hist ia,à aà hist iaà daà a te,à aà a ueologia,à aà et og afia,à et . … Relativizando o critério do saber, chamava-se a atenção para oàpapelàdoàpode . à B‘á“IL,à
O INBI-“Uà B‘á“IL,à à t ou eà o oà o jetivosà apoia à osà t a alhosà deà planejamento e atualização das intervenções, contribuindo diretamente para o estabelecimento de it iosà eà pa et osà deà p ese vaç o .à Co side a doà também como função dos inventários o stitui -se em uma ação de preservação do patrimônio, na medida em que conservam em outros suportes as informações contidas nos bens culturais, permitindo o acesso e a produção de conhecimento sobre os mesmos, independente e teàdosàseusàsupo tesào igi ais à B‘á“IL,à .
O INBI-“Uàfoiàt atadoà o oài po ta teà i st u e toàpa aàaàaç oài stitu io al à ueà i iaà eu i àeàsiste atiza àasài fo aç esàso eàessesà e s,à oletadasàaàpa ti àdosàleva ta e tosàdeà campo, dos levantame tosàdeàfo tesàdo u e tais,àeàso eàaàhist iaàdeàatuaç oàdoàIPHáN à B‘á“IL,à 2001). Na Paraíba, essa metodologia foi aplicada a cidade de Areia, no trabalho realizado antes do tombamento do conjunto urbano, respaldando a instrução do processo de tombamento.
A definição de sítio urbano empregada pelo Iphan nesse período foi a seguinte: … resultado do processo histórico de apropriação do território, que define a consolidação de um espaço, integrado a fenômenos que o relacionam a um contexto geográfico mais amplo – procura abranger a maioria dos tombamentos de áreas urbanas do IPHAN. Incluem-se nessa categoria não só as cidades e centros históricos, mas também trechos de cidades como conjuntos arquitetônicos, ruas e praças, valorizados a partir de sua inserção no contexto urbano maior, independentemente das suas dimensões ou do modo com estão descritas na de o i aç oàdeàto a e to. à B‘á“IL,à ,àp.
Os resultados obtidos pelo Iphan, atribuídos aos inventários:
ássi à se do,à oà t a alhoà deà i ve t ioà o à seusà levantamentos e análises vem contribuindo para atualizar os referenciais de atribuição de valor do patrimônio
urbano, permitindo a definição de critérios de intervenção tecnicamente embasados e explicitando os limites de competência institucional na gestão das cidades. Por outro lado, o registro sistemático permite disponibilizar os dados e informações produzidos para as comunidades e os poderes públicos, estabelecendo condições justas para parcerias e para um trabalho de caráter de o ti o. à B‘á“IL,à , p.9)