3. DEVREKÂNİ VE GİNOLU SAHİLİ’NİN SOSYAL VE KÜLTÜREL
3.1. Yörede Vakıflar ve Vakıf Eserleri
3.1.4. Devrekâni Kazasında Tekke ve Zaviyeler
Figura 40 Capa da 43ª ed. do livro Coração
1946
Fonte: http://www.uff.br/lihed/
Figura 41 Capa da 46ª ed. do livro
Coração 1954
Fonte: http://www.uff.br/lihed/
As modificações realizadas no projeto gráfico nas Capas apresentadas nas figuras 40 e 41 são visualmente mínimas. Nelas o destaque está no título e na imagem. A imagem de uma mulher ‘beijando’ um menino se constitui como elemento formal do layout, e não como plano de fundo. A imagem apela para a emoção e tem função expressiva. Somente após a leitura do livro, conseguiu-se levantar uma hipótese sobre a imagem. Acredita-se que sua função é simbólica, pois representa a ideia do sentimento, do amor. Essa imagem remeteria à intensidade com a qual o amor materno aparece nas ao longo da trama. Uma curiosidade em relação a essa imagem é o fato dela se encontrar entre as páginas iniciais do livro Corazón que circula na Colômbia.
2.6 Prefácios indícios de protocolos de leitura
As obras analisadas trazem dentre suas primeiras páginas prefácios escritos pelos próprios autores. Sobre a instância prefacial Genette citado por Sousa (2012, p. 116) afirma que
se trata de um texto preliminar sobre a obra a que se refere. Frequentemente destinado mais ao leitor empírico que ao público em geral, diferente com o que ocorre com o título, o prefácio pode ser portador de uma leitura prévia do texto para o qual presta serviço. Dessa forma, o prefácio de cada obra nos fornece pistas sobre as singularidades dos textos. Os elementos pré-textuais das obras estão organizados da seguinte maneira: no Cuore, tem-se apenas o prefácio que ocupa uma página; no Corazón, são apresentados dois prefácios, um da obra adaptada, escrito por Isidoro Vera Burgos responsável pela adaptação, e outro corresponde à tradução do prefácio do livro de Edmundo de Amicis, além dos prefácios, o autor apresenta uma dedicatória aos netos. Já no livro Alma e Coração, tem-se primeiro o parecer elaborado pela comissão representante do Conselho Superior de Instrução Pública da obra e depois o prefácio escrito pelo autor.
Nos prefácios, os autores apontam seu público-leitor e fornecem pistas sobre as obras: no Cuore, “Questo libro é particolarmente dedicato ai ragazzi delle scuole elementari, i quali sono tra i nove e i tredici anni ...”82 (AMICIS, 1910, s/p.); no Corazón, no prefácio intitulado “Prefácio de esta edición: al magisterio argentino”, o autor além de explicitar que as crianças das escolas argentinas seriam seu público leitor, também dá visibilidade aos professores. Em
Alma e Coração, Amanajás (1905) teceu os seguintes comentários:
Este livrinho foi recebido pelo publico da minha terra com uma benevolência, que me confunde e me desvanece.
A família e a escola deram-lhe dignificante acolhimento; pois em três annos exgottou-se a primeira edição de cinco mil exemplares.
Ao comparar esses indícios, pode-se inferir que, no livro Alma e Coração, o público leitor é ampliado, diferentes dos outros dois livros, a escola deixa de ser a única instituição a consumir a obra, à família também é atribuída essa condição. Nesse trecho do prefácio, percebe-se que a produção dessa obra teve um caráter regional, provavelmente, naquele contexto, esse manual alcançou sucesso editorial, tornou-se uma obra de referência nas escolas primárias do Pará. No Brasil, as produções regionais de manuais escolares surgiram na primeira metade do século XIX em províncias como Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco e, em um movimento crescente de expansão, “[...] a partir da década de 80 se tornam mais freqüentes[sic] e na década de 90, em muitas províncias, se tornaram hegemônicas” (TAMBARA, 2002, p. 30).
82 Este livro é especialmente dedicado às crianças do ensino fundamental, que estão entre nove e treze anos... (Tradução nossa).
Outro aspecto a ser considerado, nesses indícios, é a orientação em relação ao espaço onde essas obras deveriam ser utilizadas, que suscita a instauração de uma ordem na utilização dos manuais. Para Chartier (1999, p. 8), o livro está sempre submetido a uma ordem, seja ela: “a ordem de sua decifração, a ordem no interior da qual ele deve ser compreendido ou, ainda, a ordem desejada pela autoridade que o encomendou ou permitiu a sua publicação”. É interessante pontuar que a busca pela compreensão dessa ordem e do seu significado, algumas vezes, contribui para que o pesquisador obscureça a sua percepção em relação à existência de lutas e conflitos no desenvolvimento do processo.
Os prefácios, além de apresentarem um conjunto de intenções explícitas sobre as maneiras de ler, são ricos em indícios sobre a percepção do autor em relação ao processo educativo. De certa forma, eles interferem na autonomia do leitor, direcionando o ato de leitura a uma interpretação considerada correta pelo autor e a uma leitura autorizada da obra. No Cuore, o autor lança coordenadas sobre a obra ao apontar que:
Dicendo scritta da un alunno di 3ª, non voglio dire che l’abbia scritta propriamente lui, tal qual è stampata. Egli notava man mano in un quaderno, come sapeva, quello che aveva visto, sentido, pensato, nella scuola e fuori; e suo padre, in fin d’anno, scrisse queste pagine su quelle note, studiandosi di non alterare il pensiero, e di conservare, quanto fosse possibile, le parole del figliuolo anni83.
Destarte, o autor indica implicitamente como forma discursiva fatos comuns às escolas e famílias da época, em que a temática da constituição familiar e dos valores morais e cívicos fazia parte do contexto histórico social. Acredita-se que a obra de Amicis atendia
a proposta de um ensino que tocasse os sentimentos da criança, proposta essa recorrente no discurso educacional e que considerava ser através do despertar dos sentimentos, que a criança criaria uma identificação com o texto, o que a faria sentir vontade de aprender KLINKE (2003, p. 165).
O reconhecimento de que o Cuore apresentava como diferencial uma maior intensidade na exploração dos sentimentos é perceptível no prefácio do livro Corazón em dois momentos distintos: primeiro, quando Isidoro Vera Burgos84 comenta sobre os objetivos do
83 Dizer escrita por um aluno de 3ª, não vou dizer que ele realmente escreveu isso, tal qual está impresso. Ele anotou em um caderno, como sabia, o que tinha visto, sentido, pensado, dentro e fora da escola; e seu pai, no final do ano, escreveu estas notas nessas páginas, esforçando-se para não alterar o pensamento, para preservar, tanto quanto possível, as palavras do ano do seu filho. (Tradução nossa)
seu trabalho: “Y bien; ése ha sido mi propósito: dar a los niños argentinos la sentidíssima obra de Amicis en forma de tal, que venga a resultarles algo tan comprensible y tan propio como es el original a los niños italianos”85; segundo, ao expor as adequações realizadas, “[...]pero siempre he tenido especialísimo cuidado en conservar ese tono sencillo e ingenuo que tanto embellece el libro de D' Amicis, y sobre todo, la delicada nota de ternura que le hace único en el mundo”86.
A preocupação em despertar sentimentos é sinalizada também no livro Alma e
Coração, mais especificamente no Parecer impresso dentre suas primeiras páginas, a
comissão que o elaborou ressaltou:
O autor trata ahi de espertar no espírito das creanças, por meio de agradáveis prelecções: a crença na existência de Deus e na immortalidade da alma, o amor filial, o amor fraterno, a perseverança no trabalho, a humildade, o amor para com Deus e para com a pátria, os sentimentos de caridade, etc (AMANAJÁS, 1905, s/p.).
No que tange à adaptação do Corazón, Isidoro Vera Burgos relata que realizou de forma cuidadosa, preservando sua essência.
Y así como tengo la conciencia de haber hecho con esto obra útil a nuestros niños, estoy también persuadido de que si Edmundo de Amicis viviera, no sólo aprobaría, sino también celebraría, sin reservas, esta manera de interpretar su obra, que la presenta a los niños de diferente nacionalidad y distinto idioma, con toda la riqueza emocional con que él se ofreció a los niños de su patria. Como la habría él escrito si hubiera sido argentino (VERA BURGOS, 1932, prefácio.).87
A profundidade das adequações realizadas a partir do texto original do Cuore é explicitada no prefácio, o que possibilita um vislumbre da forma que tomou a obra.
[...] he debido apartarme, en multitud de pasajes, del original; hasta el punto de hacer un libro que podrá ser cualquier cosa menos una
85 Bem, esse tem sido o meu propósito: dar às crianças argentinas um livro que desperte sentimentos como Amicis fez em sua obra original com as crianaças italianas. (Tradução nossa).
86 [...] “mas eu sempre tive cuidado muito especial para manter esse tom simples e ingênuo que tanto embeleza o livro de D'Amicis, e especialmente a nota delicada de ternura que faz dele único no mundo”.
87 E como tenho a consciência de ter feito este trabalho útil a nossas crianças, também estou convencido de que se Edmundo de Amicis vivesse, não só aprovaria, mas também ficaria satisfeito, sem reservas, a esta maneira de interpretar sua obra, que a apresenta às crianças de diferentes nacionalidades e línguas diferentes, com toda a riqueza emocional que ele se ofereceu para crianças em sua terra natal. Como ele teria escrito se tivesse sido na Argentina. (Tradução nossa)
traducción - aunque por ella he comenzado mi trabajo - suprimiendo capítulo enteros y poniendo en su lugar otros de mi cosecha [...](VERA BURGOS, 1932, prefácio.).88
Por fim, no prefácio de Alma e Coração, além de sinalizar alterações realizadas nessa 2ª edição, o autor deixa transparecer a proximidade existente entre ele e o público leitor, ao afirmar que “De professores e particulares recebi congratulações animadoras, que me deram coragem, para fazer uma segunda tiragem, corrigindo o texto, libertando-o dos erros que escaparam na primeira, e modificando-o ou ampliando-o, onde julguei necessário”.