Durante cerca de um mês e meio do meu estágio na VISÃO Júnior, colaborou-se ativamente nesta secção com artigos que abrangeram uma grande diversidade de temas. Os temas trabalhados decorreram das reuniões de planificação da secção de Sociedade que aconteciam semanalmente.
O primeiro trabalho pedido prendia-se apenas com a verificação de factos. Na rúbrica «Janela Indiscreta», falava-se duma polémica popularizada e rebatida nas redes sociais que denunciava e ridicularizava Cristina Espírito Santo Toscano Rico pelo emprego da expressão “é como brincar aos pobrezinhos na Comporta”. A jornalista Rosa Ruela, responsável pelo artigo «E vem-nos à memória uma frase batida…»49
escrevia sobre o facto desta frase, dita “meio a brincar” por Cristina Rico, não ter originalmente sido proferida pela própria, mas pela cronista Maria Filomena Mónica, algures em 1995, no suplemento Caderno 3 do extinto jornal semanário O
Independente, informações que careceram de uma confirmação rigorosa, sob pena da notícia seria suprimida.
75 Para isso, houve uma deslocação à Biblioteca Nacional, onde se levou a cabo uma pesquisa para descobrir a edição em que Maria Filomena Mónica publicara a crónica sobre a Comporta. Inicialmente, verificaram-se todos os suplementos publicados durante o ano de 1995, uma vez que havia alguma incerteza acerca do mês em que teria sido publicado o texto. Contudo, o artigo não apareceu em nenhum dos números desse ano. Alargou-se então a pesquisa aos anos posteriores, já que a irregularidade editorial da autora pareceu manifesta.
A investigação levou a procurar o trabalho patente no Caderno 3, desde 1994, data em que as crónicas de Maria Filomena Mónica tiveram início, tendo-se estendido a pesquisa até ao ano de 1997, mais precisamente a uma edição do mês de junho. Ao fim de centenas de suplementos analisados, conseguiu-se confirmar a fonte deste trabalho: a autora não foi Maria Filomena Mónica mas sim, Isabel Jacobetty, que redigira um artigo de seis páginas sobre a recuperação das cabanas da Comporta, onde citava um vendedor de jornais que dizia que ali era “onde os ricos brincavam às casinhas e aos pobrezinhos”.
Ainda nesta mesma secção, na rubrica «Radar», fez-se um trabalho sobre saídas provisórias da prisão, no âmbito da fuga de um presidiário durante um período de saída concedido pela Direção Geral de Serviços Prisionais (DGSP). Para este artigo, que viria a ter por título de «Quatro factos sobre saídas precárias»50, entrou-se em contacto com a entidade atrás mencionada que viria a facultar todas as informações e legislação auxiliar para documentar o trabalho. O gabinete de imprensa da DGSP disponibilizou-se ainda para responder a algumas questões sobre o funcionamento das saídas precárias e sobre Américo Piçarreira, o recluso que se tinha evadido e que fazia notícia de abertura nos diferentes serviços noticiosos.
O mediatismo deste tema prendeu-se com o facto de este presidiário estar a usufruir de uma segunda saída precária, oito anos depois de uma primeira em que apunhalou um homem e esteve em parte incerta durante várias semanas.
76 Assim, o artigo redigido pretendeu ser sobretudo sintético, sem descartar um tom sarcástico, em que explicava os procedimentos necessários para conseguir uma saída precária sem arranjar problemas de maior.
Na secção de Sociedade os temas são múltiplos e, de vez em quando, conseguem-se exclusivos relevantes, como foi o do Plano Pormenor para as margens do rio Jamor51. Por indicação de um colaborador da VISÃO, elaborou-se uma notícia, que
dias mais tarde, após a publicação da revista, despoletou uma série de artigos nos jornais diários. Nesta notícia apresentaram-se uma série de irregularidades patentes num projeto camarário para a foz do rio Jamor, em Algés, Oeiras. Apesar das inúmeras diligências para obter um parecer da Câmara Municipal de Oeiras, nenhum departamento se mostrou disponível para esclarecer as questões levantadas, mencionando apenas que o projeto estava para consulta pública, de uma forma severamente omissa.
Ainda para esta rubrica, escreveu-se sobre os prémios MTV Video Music Awards 2013, que tiveram lugar em Brooklyn. Em «A noite da metamorfose, os VMA»52, apresentaram-se os premiados e os momentos mais singulares do espetáculo: em particular a apresentação de Applause, o novo single de Lady Gaga e a atuação arrojada de Miley Cyrus com Robin Thicke, que causou celeuma junto do público norte-americano. Para a preparação deste artigo, houve uma documentação sobre os artistas que atuaram e sobre os nomeados para as diferentes categorias, e assistiu-se ao direto transmitido na MTV Portugal.
Grandes Perguntas de Gente Miúda com Respostas Simples de Gente Graúda, de Gemma Elwin Harris, foi um lançamento de destaque da Editorial Presença. Escreveu-se sobre esta obra para a VISÃO Júnior e, por sugestão da editora de Sociedade, este artigo foi por igualmente apresentado numa página e meia, para revista a VISÃO, numa rubrica denominada «Conhecimento»53. Neste texto houve a oportunidade de se expressar a opinião crítica sobre o conteúdo do livro, bem como
51 Ver anexos, página 138. 52 Ver anexos, página 139. 53 Ver anexos, páginas 140 e 141.
77 sobre as personalidades que para ele contribuíram com respostas interessantes, ou, pelo contrário, com textos pouco inspirados e lacónicos.
Outra das secções para a qual se escreveu foi a rubrica «Manual», onde se orientaram os pais e os encarregados de educação no melhor percurso para escolher atividades extracurriculares dirigidas aos mais novos. «Atividades extracurriculares – Como fazer a melhor escolha para os seus filhos»54, foi um texto em que, passo-a-passo,
se procurou apresentar soluções práticas para se conseguir escolher uma (ou várias) atividades, de forma criteriosa e simples.
Este trabalho acabou por vir a ser publicado como abertura na página da internet da VISÃO, tendo sido um artigo intensamente partilhado nas redes sociais, durante várias semanas.