• Sonuç bulunamadı

Cinsiyete Göre Aylk Ortalama Brüt Ücret ve Yllk Ortalama Brüt Kazanç

2. Kazanç Yaps Anketlerinin Toplumsal Cinsiyet Eşitliği Bakş Açsyla Gözden Geçirilmesi

2.3. Kazanç Yaps Anketi

2.3.3. Cinsiyete Göre Aylk Ortalama Brüt Ücret ve Yllk Ortalama Brüt Kazanç

Na época de Jesus, há um forte senso de realização das escrituras e grande esperança da vinda do Reino de Deus. Há quase que um fanatismo no que tange a esperança messiânica. Jesus afronta essa mentalidade; o trecho das tentações permite-nos uma interpretação messiânica em referência ao embate de mentalidade e de projetos entre a cultura religiosa da época e Jesus 391. Há um diálogo entre Jesus e o demônio de que se dirige a Ele, chamando-o Filho de Deus (Messias). Jesus tinha consciência que o demônio opunha-se à sua missão e que a instauração do Reino de Deus coincidia com a destruição do reino de Satanás.

389 Cf. FISICHELLA, Rino. Gesù di Nazaret Profezia del Padre. Milano: Paoline, 2000. p. 98. 390 Ibidem. p. 101.

Podemos deduzir que a perícope das tentações remonta-se a Jesus, pelo menos, na experiência de um fato verdadeiramente ocorrido na sua vida. Jesus fez os discípulos participarem de um momento dramático da sua vida, quando teve que escolher o sentido da sua missão messiânica. O messianismo de Jesus não foi uma invenção apologética da comunidade primitiva; Jesus se autoconcebeu como Messias e isso constituiu o pressuposto da fé messiânica dos discípulos; Jesus expressou um novo tipo de messianismo que rompia com a concepção judaica do seu tempo 392.

4 Como os discípulos veem Jesus

Jesus não se autoapresenta como Messias, mas exige uma discrição dos discípulos para com esse título, a ponto de proibi-los de usá-lo (segredo messiânico). Um texto importante para compreendermos como Jesus interpretou seu messianismo é Mt 11, 2-6 e no paralelo com Lc 7, 18-28. As diferenças entre as duas redações não atingem o conteúdo específico da perícope que, substancialmente, permanece igual. No texto de Mateus, há a pergunta de João Batista (vv. 2-3): “És tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”. O verbo erchomai usado no particípio presente com sentido de aquele que deve vir; no contexto pode indicar somente o Messias, aquele que foi anunciado pelos profetas e que é esperado pelo povo. Aqui, o particípio é uma modalidade de atuação do messianismo. O Batista manda perguntar a Jesus se Ele é o juiz soberano, aquele do qual falam as Escrituras. A resposta de Jesus (vv. 4-5) exprime um significado ainda mais profundo e completo daquilo que a pergunta previa. Notamos que Mateus usa sempre o nome próprio “Cristo” para atestar que aquelas obras, dos quais o texto fala, são próprias do Messias; um testemunho objetivo da missão messiânica, pois o texto mostra uma série de obras referindo-se ao profeta Isaías. A resposta de Jesus é implícita nas obras que realiza próprias do Messias, ou seja, Jesus proclama seu messianismo implicitamente e, explicitamente, o seu modo de atuação, Jesus não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo, segundo a missão que o Pai Lhe confiou 393.

No versículo seis, afirma: “beato aquele que não se escandaliza de mim”. Beato, na Bíblia, é aquele que foi capaz de participar dos bens messiânicos. Escândalo indica a pedra de tropeço no caminho que provoca a queda, um obstáculo à missão. Jesus convida João Batista a configurar-se ao seu messianismo e, através das Escrituras, confirma implicitamente que de fato é o Messias, que depois Dele não deve esperar nenhum outro. Faz-se necessário uma

392 Cf. KASPER. Walter

.

Gesù il Cristo

.

8. ed. Brescia: Queriniana, 1996. p. 138. 393 Cf. Ibidem. p. 141.

verificação histórica do texto: pertence ao Jesus histórico ou é uma criação da comunidade pós-pascal? O critério de descontinuidade confirma que a cena narrada pertence ao Jesus terreno; há uma ruptura entre a concepção messiânica de Batista com a de Jesus. O texto quer mostrar este contraste entre as duas concepções. A perícope mostra os pontos de uma progressiva autoconsciência de Jesus ao revelar a sua missão e demonstra que falou de Si mesmo como Messias 394.

Algumas vezes, Jesus provocou as pessoas a tomarem posição sobre seu ensinamento ou sobre a sua pessoa. Em Mc (8, 27-30), em paralelo com Mt (16, 13-20) e Lc (9, 18,21), temos a profissão de fé de Pedro. Primeiro, a perícope é a chave hermenêutica para todo o Evangelho de Marcos; se a catequese marciana tem um coração, ali está o seu coração. O evangelista usa o título Cristo na primeira parte do Evangelho apenas no início (1, 1 e 8, 29); ali se mostra a messianidade de Jesus. O contexto imediato da perícope é a sessão dos pães, que ilumina a compreensão de Mc (8, 26); duas narrações parecem ter um valor tipológico próprio em vista da confissão de Pedro em Cesaréa de Felipe. A primeira é em Mc (6,14-16), onde se encontra a mesma terminologia da perícope que estamos analisando. A conclusão da perícope parece orientar a preocupação de Jesus, que coloca em vigilância os discípulos sobre o conceito messiânico expresso precedentemente. A segunda é em (Mc 8, 22-26), que remete à cura do cego de Betsaida em paralelo com a confissão de Pedro. Em suma, os dois textos e todo o contexto precedente possuem um valor tipológico que tende à revelação definitiva que acontecerá em (8, 29) 395.

A profissão de Pedro insere-se num horizonte mais amplo e demonstra chegar à culminância de uma mentalidade e de uma longa espera messiânica. Há diante do monoteísmo hebraico da pergunta de Jesus, em nome do grupo, que Pedro diz: “Tu és Cristo”. Há duas soluções sobre esta afirmação:

• Pedro exprime a esperança judaica de um messias, rei glorioso e vitorioso, obrigando Jesus a corrigi-lo;

• Exprime a concepção de um messianismo político que Jesus negar.

Não tomaremos nenhuma das duas soluções. Jesus impõe o silêncio depois da resposta de Pedro; há a proibição da publicidade, isto mostra que Jesus aceita a definição de Pedro, mas impõe o silêncio, para que o messianismo se revele plenamente na cruz. Em seguida, instrui os discípulos sobre o verdadeiro significado do seu messianismo. Destaca-se o verbo ensinar, característico de Marcos para descrever a atividade de Jesus. Fala Dele como

394 KASPER. Walter. Gesù il Cristo. 8. ed. Brescia: Queriniana, 1996. p. 144. 395 Cf. Ibidem. p. 149.

um messias sofredor, usando a expressão “Filho do Homem” sofredor. Jesus, reconhecido como Messias, pode agora se exprimir claramente sobre a verdadeira modalidade do messianismo, por isso segue os três anúncios da paixão.

A profissão de fé de Pedro 396 orienta a uma revelação progressiva e abre a estrada para a resposta definitiva que Jesus dará diante do sinédrio. Um último ponto sobre a historicidade do texto é o fato que essa se apresenta como uma explicação necessária capaz de iluminar e explicar vários elementos do Evangelho de Marcos, os quais permaneceriam enigmáticos. Há descontinuidade entre o conceito messiânico dos discípulos e aquele de Jesus. A comunidade primitiva tinha profundo respeito por Pedro; isso não ermitiria criar uma reprovação explícita de Jesus ao príncipe dos apóstolos. O texto remete a um fato histórico, quando os discípulos professaram a sua fé em Jesus Messias através de Pedro; e Jesus aceitando essa profissão passou a ensinar os discípulos às modalidades desse messianismo 397 4.1 Como Jesus responde aos interlocutores

Tomamos em consideração os textos da paixão que nos permitem uma descrição definitiva da consciência messiânica de Jesus. Consideramos a sessão do processo; quando Jesus revela definitivamente a dimensão e a característica messiânica da missão. Um fato problemático são as diferenças entre os evangelistas. As diferenças contrastam com as fontes e com a prática processual do tempo. O texto do interrogatório é simples e revela as fases fundamentais do processo. À pergunta de Caifás: “Tu és o Cristo?” Jesus dá uma resposta afirmativa que podemos dividi-la em dois momentos 398: 1- Encontra-se a resposta à provocação do sumo sacerdote; 2- Dá-se a exata interpretação do messianismo citado em Dn (7, 13) e no Sl (110, 1). Há divergências entre os Evangelhos: Marcos diz: “Eu sou” (15, 2); em Mateus: “Tu o dizes” (27, 11); em Lc, Jesus não nega e não afirma: “Vós é que dizeis

quem eu sou” (23, 3).

Depois, os evangelistas narram o processo diante da autoridade política exercida por Pilatos. O processo em linhas simples: os chefes de acusação, o interrogatório feito pelo governador, a condenação à morte, ultrajes e escárnios dos soldados. A parte do interrogatório

396 Cf. GRÜN, Alselm. Jesus. O Evangelho de Marcos: caminho para a liberdade. São Paulo: Loyola, 2006. pp.

84-90.

397 Cf. SEGALLA, Giuseppe. Evangelo e Vangeli: quattro evangelisti, quattro vangeli, quattro destinatari.

Bologna: Edizioni Dehoniane, 1993. p. 131.

398Cf. MOLTMANN, Jürgen. O Caminho de Jesus Cristo: cristologia em dimensões messiânicas. Petrópolis:

é simples; se condensa em torno da pergunta: “Tu és o rei dos judeus?” e a resposta: “Tu o

dizes”. Pilatos se inspira nas acusações das autoridades religiosas que haviam acentuado a dimensão política e o caráter revolucionário do messianismo de Jesus, a ponto de apresentá-lo como um autêntico rival do poder político romano. Jesus, na sua resposta, recupera as palavras de Pilatos para reivindicar para Si o titulo de rei dos judeus, dando um valor novo à expressão. A resposta de Jesus não é segundo a mentalidade da comunidade pós-páscoa, que fala da fé na segunda vinda de Cristo como Messias glorioso. E a falta de referência à ressurreição, confirma a historicidade do texto e a não construção posterior da Igreja primitiva 399.

5 Filho do Homem

De todos os títulos cristológicos é o mais ambíguo e questionado, ainda que represente uma das expressões mais singulares da tradição evangélica e um dos núcleos mais originais da interpretação que Jesus deu à sua pessoa. O debate exegético e teológico em torno do título não parece concluído.

5.1 O Filho do homem no livro de Daniel

Filho do homem é a tradução do grego “ho hyiòs tou anthropou”, que é a tradução literal do aramaico “bar’enash”, que equivale em hebraico a “bem’adam”. Estes termos indicam o homem, ou melhor, um homem, um indivíduo da raça humana. O termo é muito usado no Antigo Testamento (em Ezequiel aparece 93 vezes). O livro de Daniel apresenta o título com um significado novo. Daniel, no contexto de ouro da literatura apocalíptica e de também da luta entre os irmãos Macabeus e a Síria guiada por Antioco Epifane IV, que impõe uma perseguição religiosa ao povo; anuncia um futuro melhor, onde Iahweh intervirá para destruir os reinos inimigos e instaurar o Reino de Deus. O Livro anuncia o cumprimento definitivo da história, na qual Deus realizará para sempre sua promessa, enviando o messias prometido 400.

O coração do Livro é o capítulo sete, onde o autor apresenta a visão de conteúdo revelativo. Essa visão é antecipada no capítulo dois (visão da estátua enorme). O contexto

399 MOLTMANN, Jürgen. O Caminho de Jesus Cristo: cristologia em dimensões messiânicas. Petrópolis:

Vozes, 1992. p. 30.

imediato da revelação do Filho do Homem é aquele de uma imagem interpretada em perspectiva apocalíptica: os reinos terrestres serão destruídos devido à sua infidelidade a Iahweh, que entregará seu reino aos santos 401.

Eu via, nas visões da noite, e eis que com as nuvens do céu vinha um como Filho do Homem; que chegou até o Ancião, e o fizeram aproximar da sua presença. E lhe foi dada soberania, glória e realeza: as pessoas de todos os povos, nações e línguas o serviam (Dn 7, 13-14).

O texto é a chave interpretativa de toda a visão e possui um valor inestimável, sobretudo referindo-se ao uso que será feito no Novo Testamento. Em contraposição às quatro feras hostis a Deus, que surgem do mar, este personagem vem do céu, habitação de Deus e é descrito com caráter transcendental.

Quem é o Filho do Homem na visão de Daniel? Para alguns é uma figura individual, para outros, trata-se de uma figura coletiva. A solução está na teoria da personalidade coletiva, na qual o coletivo é presente no individual e vice-versa, que ajuda a identificar a figura do Filho do Homem, harmonizando os vários elementos presentes no texto bíblico. Pode-se concluir que o Filho do Homem os possui, seja o sentido individual, seja o coletivo; se pode ainda pensar numa personalidade coletiva que possui uma clara conotação messiânica escatológica 402. A expressão “Filho do Homem” de Daniel possui certamente um fundo messiânico: a figura simbólica apresentada leva ao crescimento na descrição do Messias futuro. As características da glória, do poder, e do juízo acrescentam à figura do Messias a conotação da glória escatológica que ainda faltava nos textos sagrados 403.

O Filho do Homem na literatura extrabíblica aparece em dois textos principais: o livro de Henoch e o Apocalipse de Esdras, que atribuem ao Filho do Homem todas as características do Messias e, em alguns momentos também as dimensões específicas de descendente de Davi e de libertador definitivo de Israel. Por muito tempo, grandes partes dos estudiosos tomaram esses textos como mediação para interpretar a natureza messiânica de Jesus. Mas, os últimos estudos mostram que esses textos são do segundo século d.C., de maneira, que Jesus não teve conhecimento deles.

401 Cf. O’COLLINS, Gerald. Gesù Oggi: linnee fondamentali di cristologia. Torino: Paoline, 1993. p. 101. 402 Cf. Ibidem. p.102.