Os valores obtidos na avaliação das características físicas do solo estão contidos nas Tabelas 5, 6, e 7 nas camadas de 0-0,10, 0,10-0,20 e 0,20-0,40 m, respectivamente.
Os valores de densidade do solo, porosidade total, microporosidade, diâmetro médio geométrico (DMG) e diâmetro médio ponderado (DMP) não sofreram qualquer influência de aplicação de corretivos, tampouco pelas diferentes sucessões de culturas utilizadas neste estudo.
A aplicação dos corretivos promoveu somente alteração nos valores de macroporosidade do solo nas duas camadas mais superficiais estudadas. Os tratamentos onde foram aplicados o calcário e o silicato apresentaram uma maior quantidade de macroporos. Já se esperava que os corretivos proporcionassem efeitos benéficos indiretos para essa característica, uma vez que o desenvolvimento radicular é beneficiado pela ação dos corretivos. Um sistema radicular mais vigoroso proporciona maior quantidade de canais
na estrutura do solo, favorecendo o aparecimento de macroporos após a decomposição destas raízes. Sabe-se que os macroporos são fundamentais no fornecimento de água prontamente disponível às plantas.
TABELA 5. Valores de densidade, porosidade total (PT), microporosidade (Mic), macroporosidade (Mac), diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade de agregado (IEA) na camada de solo de 0-0,10 m em função da aplicação de corretivos e de sistemas de produção grãos em plantio direto. Botucatu, SP outubro de 2008.
Parâmetros físicos do solo Tratamentos
Densidade Pt Mic Mac DMP DMG IEA
CORRETIVOS Mg m-3 ---cm3cm-3--- ---mm--- % Testemunha 1,38 0,39 0,33 0,05b 1,79 1,19 80,35 Calcário 1,37 0,40 0,32 0,07a 1,81 1,17 83,61 Silicato 1,36 0,40 0,32 0,08a 1,68 1,11 79,69 DMS 0,04 0,30 0,32 0,18 0,32 0,29 4,19 CV(%) 4,27 10,95 13,87 24,79 24,91 15,04 7,06 SISTEMAS Pousio 1,34 0,37 0,27 0,08 1,84 1,28 78,58c Safrinha 1,38 0,42 0,34 0,07 1,83 1,17 81,66b Ad. verde 1,39 0,39 0,33 0,05 1,46 0,89 81,79b Forrageira 1,37 0,40 0,34 0,06 1,91 1,29 84,84a DMS 0,10 0,70 0,95 0,41 0,47 0,46 2,91 CV(%) 8,10 21,66 21,95 30,76 29,18 23,37 3,01 ---Valores de F--- Corretivos (C) 0,86ns 0,30ns 0,23ns 3,08* 0,45ns 0,20ns 2,14ns Sistemas (S) 0,42ns 0,69ns 1,00ns 1,24ns 1,94ns 1,72ns 9,21* C*S 2,75ns 0,91ns 1,19ns 1,86ns 0,63ns 0,64ns 1,80ns
* e ns, significativo a 5% e não significativo pelo Teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem estatisticamente pelo teste t (p<0,05).
Quanto ao efeito das sucessões de culturas, todas elas proporcionaram valores de IEA superiores à testemunha na camada 0-0,10 m (Tabela 5). Dentre os sistemas, a sucessão safra-forrageira foi a que se destacou, sendo estatisticamente superior à safra-safrinha e safra-adubo verde. Os valores, para a camada superficial, variaram de 79, 82, 82 e 85 % para os as rotações com pousio, safrinha, adubo verde e forrageira. Nas demais profundidades não houve resposta dos sistemas de produção agrícola.
Uma alternativa para melhorar a qualidade estrutural do solo refere- se ao uso de rotação de culturas com espécies que tenham sistema radicular vigoroso, com capacidade de crescer em solos com alta resistência à penetração, criando poros por onde as raízes da cultura subseqüente possam crescer (Silva & Rosolem, 2001). Ehlers et al. (1983) também afirmam que em SSD os canais verticais contínuos servem como rotas, ligando a superfície do solo às camadas mais profundas, proporcionando maior colonização das raízes em profundidade.
TABELA 6. Valores de densidade, porosidade total (PT), microporosidade (Mic), macroporosidade (Mac), diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade de agregado (IEA) na camada de solo de 0,10-0,20 m em função da aplicação de corretivos e de sistemas de produção grãos em plantio direto. Botucatu, SP outubro de 2008.
Parâmetros físicos do solo Tratamentos
Densidade Pt Mic Mac DMP DMG IEA
CORRETIVOS Mg m-3 ---cm3cm-3--- ---mm--- % Testemunha 1,37 0,39 0,35 0,04b 1,38 0,84 82,61 Calcário 1,42 0,38 0,33 0,05ab 1,25 0,75 82,34 Silicato 1,41 0,39 0,33 0,06a 1,30 0,78 82,16 DMS 0,07 0,02 0,02 0,01 0,22 0,16 3,49 CV(%) 3,22 7,64 8,17 21,01 22,88 17,21 5,81 SISTEMAS Pousio 1,41 0,38 0,33 0,05 1,24 0,76 82,41 Safrinha 1,39 0,40 0,34 0,06 1,16 0,69 81,00 Ad. verde 1,41 0,39 0,34 0,05 1,36 0,82 82,15 Forrageira 1,39 0,39 0,33 0,05 1,48 0,90 83,92 DMS 0,05 0,02 0,02 0,02 0,31 0,23 6,26 CV(%) 3,88 5,51 6,27 15,86 25,69 21,86 8,24 ---Valores de F--- Corretivos (C) 1,11ns 0,85ns 2,37ns 2,46* 0,85ns 0,77ns 0,04ns Sistemas (S) 0,52ns 0,93ns 0,32ns 0,71ns 2,09ns 1,58ns 0,37ns C*S 1,93ns 0,37ns 0,82ns 1,58ns 1,38ns 0,66ns 0,24ns
* e ns, significativo a 5% e não significativo pelo Teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem estatisticamente pelo teste t (p<0,05).
Observando os resultados, e conhecendo a agressividade do sistema radicular das plantas forrageiras, em especial as do gênero Brachiaria, pode-se inferir que a
maior exploração do solo pelas raízes desta planta favoreceu o IEA do solo em maior proporção que as demais sucessões de culturas.
O maior crescimento de raízes no perfil do solo atua na formação de agregados estáveis, pois a agregação do solo é condicionada por substâncias agregadoras, ou seja, por substâncias que possuem ação cimentante e aglutinadora, como a matéria orgânica (Mielniczuk, 1999), e exsudatos orgânicos liberados pelas raízes.
TABELA 7. Valores de densidade, porosidade total (PT), microporosidade (Mic), macroporosidade (Mac), diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG) e índice de estabilidade de agregado (IEA) na camada de solo de 0,20-0,40 m em função da aplicação de corretivos e de sistemas de produção grãos em plantio direto. Botucatu, SP outubro de 2008.
Parâmetros físicos do solo Tratamentos
Densidade Pt Mic Mac DMP DMG IEA
CORRETIVOS Mg m-3 ---cm3cm-3--- ---mm--- % Testemunha 1,34 0,43 0,38 0,05 0,94 0,62 86,46 Calcário 1,37 0,43 0,37 0,05 1,04 0,69 86,11 Silicato 1,37 0,42 0,38 0,05 0,99 0,63 84,28 DMS 0,04 0,02 0,02 0,01 0,26 0,19 4,24 CV(%) 13,31 6,15 5,44 28,17 25,30 19,35 6,79 SISTEMAS Pousio 1,35 0,42 0,37 0,05 1,01 0,67 86,69 Safrinha 1,34 0,43 0,38 0,05 1,05 0,68 84,47 Ad. verde 1,36 0,43 0,38 0,05 0,87 0,56 83,71 Forrageira 1,37 0,42 0,38 0,05 1,04 0,70 87,60 DMS 0,04 0,02 0,02 0,01 0,27 0,17 5,12 CV(%) 4,28 2,98 4,77 22,70 19,69 18,49 6,48 ---Valores de F--- Corretivos (C) 1,14ns 0,20ns 0,62ns 0,51ns 0,35ns 0,40ns 0,65ns Sistemas (S) 0,66ns 3,38ns 1,29ns 0,83ns 1,02ns 1,34ns 1,73ns C*S 1,76ns 0,85ns 1,90ns 0,66ns 1,15ns 1,05ns 0,88ns
ns, não significativo pelo Teste F. Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem estatisticamente pelo teste t (p<0,05).
A literatura preconiza como sendo o solo ideal aquele que apresente valores de 0,10 a 0,16 cm3cm-3 para macroporosidade, de até 0,33 cm3cm-3 para microporosidade e aproximadamente 0,50 cm3cm-3 para porosidade total do solo (Baver,
1972; Kiehl, 1979). Quanto ao nível crítico da densidade do solo (valor acima do qual o solo é considerado compactado), não existe consenso na literatura. Camargo & Alleoni (1997) consideram crítico o valor de 1,6 Mg m-3 em solos franco-argilosos a argilosos. Já De Maria et al. (1999) constataram que acima de 1,2 Mg m-3, em Latossolo Roxo, ocorre restrição ao desenvolvimento de raízes quando o solo estiver na capacidade de campo, o que caracteriza um estado de compactação do solo.
Com base na literatura, os resultados permitem concluir que a macroporosidade está abaixo do ideal, bem como a porosidade total; a microporosidade apresenta-se com valores mais elevados do que os preconizados como ideais e densidade do solo, apresenta-se com valores dentro dos esperados e ideais para o desenvolvimento das culturas, conforme visto anteriormente.