2.3. Şahıs Kadrosu
2.3.1. Bedensel Boyut
Nesse item vamos discutir a questão do encaminhamento de estudantes PAEE às salas de recursos multifuncionais e às classes especiais. O encaminhamento desses estudantes às classes especiais, no âmbito da Semed, seguiu durante muito tempo as recomendações da Resolução nº 005/CME/2003, que trazia as algumas diretrizes.
Uma delas é de que a classe deveria ser composta por alunos que apresentassem dificuldades de aprendizagem vinculadas a uma orgânica, na qual o documento exemplifica utilizando o termo “Deficiência Mental Educável (DME)”. A outra, seria que a partir do desempenho do estudante na classe, a equipe pedagógica da escola e a família deveriam definir com base numa avaliação pedagógica, de forma conjunta, sobre o retorno do estudante à classe de ensino regular.
Aos estudantes atendidos nas classes especiais, era necessário garantir que o quantitativo de alunos por turma não excedesse 15 estudantes e normatizava-se que o tempo de permanência desse estudante na classe deveria ser discutido pela família e equipe pedagógica, com base em resultados de uma avaliação pedagógica realizada por uma equipe multiprofissional.
No instrumento utilizado para a coleta das informações relativas ao estudo, duas questões foram elaboradas de modo que pudessem relacionar-se aos objetivos da pesquisa. A seguir sintetizamos o discurso dos professores participantes do estudo sobre o encaminhamento dos estudantes aos serviços de Educação Especial oferecidos pela Semed. De acordo com os dados, uma assessora do Complexo Municipal de Educação Especial (CMEE) vai à escola para auxiliar no processo de identificação dos estudantes que poderão ser encaminhados às classes especiais, às salas de recursos ou às salas de recursos multifuncionais.
Outra forma de identificação dos possíveis estudantes que frequentarão os serviços de AEE baseia-se na observação realizada pelo professor, de modo que seja possível reconhecer a necessidade de um suporte maior para os estudantes matriculados na rede. Segundo uma participante do estudo, "[...] a partir da avaliação do CMEE, eles são encaminhados para a Sala de Recursos (SR). Muitas vezes, até pelo próprio laudo, o médico já encaminha para frequentar uma Sala de Recursos Multifuncionais ou uma sala de recursos (P1, 2016).
Como pode ser observado no discurso de P1, algumas vezes os estudantes são encaminhados para uma avaliação no CMEE partindo da escola, e outras vezes poderão já virem encaminhados pelo CMEE, de modo que a matrícula seja apenas efetivada e os serviços de AEE sejam ofertados em classe especial, sala de recursos (SR) ou salas de recursos multifuncionais da mesma escola.
Nem sempre esse processo ocorre dessa forma, por exemplo, de acordo com P2, quando a escola recebe um "aluno especial", "[...] geralmente a família vem e conversa [...] relata que é uma criança especial, que tem essa ou aquela deficiência". Após conversa com entre a família e o professor, a escola verifica se há algum laudo para o registro do quadro clínico, de modo que a escola possa acompanhar o aluno.
Quanto à avaliação realizada pelo Complexo Municipal de Educação Especial (CMEE), P3 aponta que trata-se de uma avaliação multidisciplinar realizada por uma "[...] equipe com fonoaudiólogo, educador físico, psicólogo, pedagogo. Daí, [o estudante] é avaliado e encaminhado para um neuropediatra" (P3, 2016). Após, essa avaliação, a participante sinaliza que o estudante é encaminhado para uma escola que possua SRM.
O CMEE possui uma equipe multiprofissional, que é responsável por realizar avaliação com estudantes matriculados na rede de ensino, realizando um estudo de caso, para posteriormente, definir o tipo de acompanhamento pedagógico bem como o local onde será ofertado o serviço de AEE. Os estudantes já matriculados na rede pública municipal de ensino e que ainda não possuem laudo fechado passam por uma avaliação para posteriormente serem encaminhados às salas de recursos multifuncionais.
De acordo com P1 o encaminhamento realizado pelo Complexo traz como obrigatoriedade a apresentação do laudo médico. Para P2, quando há uma queixa a equipe escolar entra em contato com a família e solicita o laudo para a matrícula do estudante nos serviços de AEE. Já P3 evidencia que é realizada a avaliação multidisciplinar no Complexo e o estudante vem encaminhado com o laudo médico, mas, que nem sempre isso é possível devido ao tempo necessário para concluir a avaliação. Conforme relato de P4, nenhum estudante passa a frequentar os serviços de AEE se não passar por atendimento antes no Complexo Municipal de Educação Especial (CMEE).
A Resolução CME nº 10/2011 assegura que o AEE será ofertado preferencialmente: (a) em escolas do ensino regular; (b) como suporte ao processo de inclusão, caso em que será disponibilizado o AEE no Complexo Municipal de Educação
Especial; (c) nas salas de recursos e salas de recursos multifuncionais (MANAUS, 2011).
No ano de 2014, o Ministério da Educação emitiu a Nota Técnica Nº 04/2014/MEC/SECADI/DPEE, de 23 de janeiro de 2014 visando orientar aos sistemas de ensino quanto aos documentos comprobatórios do cadastro de alunos com deficiência, TGD e altas habilidades/superdotação no Censo Escolar (BRASIL, 2014).
De acordo com o documento, para efetivar o direito dos estudantes PAEE “[...] faz-se necessária a definição, formulação e implementação de políticas educacionais em atendimento às especificidades de tais estudantes”. (BRASIL, 2014, p. 2). Sendo assim, para o cadastro desses estudantes no Censo Escolar não se pode “[...] considerar imprescindível a apresentação de laudo médico (diagnóstico clínico) por parte do aluno [...] uma vez que o AEE caracteriza-se por atendimento pedagógico e não clínico”. (BRASIL, 2014, p.3).
A apresentação do laudo médico, conforme a Nota Técnica supracitada deixa de ser imprescindível para o cadastro dos estudantes PAEE no Censo Escolar, sendo o Plano de AEE, documento comprobatório da matrícula e atendimento do estudante na escola. Tal justificativa deve-se ao fato de que “o importante é que o direito das pessoas com deficiência à educação não poderá ser cerceado pela exigência de laudo médico” (BRASIL, 2014, p. 4).
Entretanto também fica evidente a permanência da caracterização desses estudantes em determinados grupos, o que possibilita o estigma, apresentando mais uma contradição no contexto dos serviços de Educação Especial (FAGLIARI, 2012; PLETSCH, 2012; NOZU, 2013; BATISTA, 2015). Torna-se necessário então visualizar a perspectiva de que a não obrigatoriedade do laudo médico permite fluir o aspecto pedagógico, rompendo com o modelo clínico que permeou a Educação Especial nos últimos anos.
5 O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM MANAUS
O presente tópico tem como objetivo apresentar uma contextualização da rede pública municipal de ensino da capital amazonense, no qual apresentamos o AEE. Serão visualizados os relatos dos professores e da representante da GEE, relacionados às seguintes categorias: (1) formação docente; (2) projeto político pedagógico e AEE; (3) plano de atendimento educacional especializado; (4) currículo escolar; (5) avaliação da aprendizagem; (6) recursos, métodos e técnicas; e (7) articulação do AEE com o ensino regular.
Tal discussão aqui é pertinente pois o Decreto nº 7.611/2011 atribui a garantia de um sistema educacional inclusivo ao Estado, dispondo também sobre o apoio necessário para a efetivação do atendimento educacional especializado. Nessa perspectiva, levando-se em consideração a definição legal de AEE posta no documento, precisamos discutir esse conjunto de atividades e recursos que são organizados de forma contínua e institucional (BRASIL, 2011).