2.2. Metabolik Sendrom bileşenleri:
2.2.6. Aterojenik dislipidemi:
Este Capítulo trata da tentativa de estabelecer um debate entre as bases conceituais que fundamentam este trabalho e os elementos metodológicos escolhidos para elucidar o objeto de estudo desta tese.
Assim sendo, este Capítulo divide-se em três seções que abordam, fundamentalmente, o embate a respeito da existência de um discurso coletivo que possa expressar as representações sociais que os profissionais de saúde do cariri paraibano fazem a respeito de suas práticas de saúde, enquanto direito político exercido por meio do Sistema Único de Saúde.
Nesta perspectiva, lançamos mão de um aporte teórico que nos permita refletir acerca das concepções de existência da dualidade entre um sujeito individual e um sujeito coletivo, que possa ser expresso por meio de um discurso individual e um discurso coletivo. Ou ainda, a respeito da possibilidade de um discurso coletivo, que tomado a partir de um grupo específico possa exprimir as representações sociais que este grupo faz sobre si mesmo e sobre sua atuação profissional. Para tal, usaremos, além da Teoria das Representações Sociais, os conceitos de Consciência e de Ideologia.
2.1 Sujeito Individual e Sujeito Coletivo: ideologia e representação
O discurso dos sujeitos, envolvidos na criação e na recriação das práticas sociais, assenta-se na interação de sua prática cotidiana com outros sujeitos e na ressignificação do mundo em que vive.
Assim, o mundo social é mantido, também, pela reprodução de discursos que alicerçam práticas e elaboram regras e instituições. As instituições sociais, embora criadas a partir de uma necessidade prática em determinado momento histórico e oriundas de um discurso específico, não se constituem atreladas a estes fundamentos iniciais que proporcionaram sua criação.
Antes de tudo, dentro de um movimento dinâmico de criação e recriação, a partir da ação dos sujeitos sociais, estas instituições se constituem, muitas das vezes, por práticas sociais que se distanciam do discurso inicial de sua criação. Ou mesmo os sujeitos que as
constituem não possuem consciência de seus fundamentos, pois estes discursos se naturalizaram ao longo do tempo misturando-se ao que significa a própria instituição.
Em outros momentos, estes discursos se distanciam da consciência dos sujeitos de tal forma que suas práticas sociais não se identificam com os fundamentos discursivos e ideológicos das instituições as quais pertencem e constituem. A noção de consciência é tomada, assim como em Giddens (1989, p. 36), para quem, “neste sentido, ‘consciência’, pressupõe estar o sujeito apto a fazer um relato coerente de suas atividades e das razões que as motivam”.
A questão reside, então, na consciência dos discursos ressignificados e reproduzidos pelos sujeitos envolvidos no momento de sua prática social. Assim, afirma Giddens (1989, p.2):
É a forma especificamente reflexiva da cognoscitividade dos agentes humanos que está mais profundamente envolvida na ordenação recursiva das práticas sociais. A continuidade de práticas presume reflexividade, mas esta, por sua vez, só é possível devido à continuidade de práticas que as tornam nitidamente “as mesmas” através do espaço e do tempo. Logo, a “reflexividade” deve ser entendida não meramente como “autoconsciência”, mas como o caráter monitorado do fluxo contínuo da vida social. Ser um ser humano é ser um agente intencional, que tem razões para suas atividades e também está apto, se solicitado, a elaborar discursivamente essas razões (inclusive mentindo a respeito delas).
Trata-se do questionamento de se as práticas sociais são tomadas enquanto elementos baseados em “uma rotina característica da conduta humana exercida de forma reconhecida”, como afirma Giddens (1989, p.3), ou se as práticas sociais reproduzem um discurso nas quais estão estruturadas, sendo este discurso nem sempre consciente por parte dos sujeitos.
Não pretendo que a distinção entre consciência discursiva e consciência prática seja rígida e impermeável. Pelo contrário, a divisão entre as duas pode ser alterada por numerosos aspectos da socialização e das experiências de aprendizagem do agente. Não há barreiras entre esses dois tipos de consciência; há apenas as diferenças entre o que pode ser dito e o que, de modo, característico, é simplesmente feito. (GIDDENS, 1989, p. 5).
Esta distinção entre o que pode ser dito e o que é simplesmente feito caracteriza e distingue consciência discursiva de consciência prática. Em outra medida, os discursos
encerram em si a consciência e a reflexividade dos sujeitos a respeito do mundo social e de suas ações práticas. Aliado a esses dois tipos de consciência está o conceito de Monitoração Reflexiva, em que a capacidade cognoscitiva do sujeito monitora as ações de outros sujeitos. Para O’Dwyer e Mattos (2009), analisando a Teoria da Estruturação em Giddens (1989), “tratam-se dos componentes não discursivos da consciência, a consciência prática, que permite acesso à cognoscitividade dos agentes”.7
Giddens (1984), ao tratar das práticas sociais, não aceita o dualismo social/individual, onde, em uma das versões, a estrutura seria uma força geradora de práticas que engessam a capacidade de mobilização do agente humano e a outra seria um privilégio da intencionalidade e subjetividade nas práticas sociais. (...) O autor ressalta que é importante ser sensível às habilidades complexas que os atores possuem para coordenar os contextos de seu comportamento cotidiano, já que têm um considerável conhecimento sobre as condições e consequências do que fazem em suas vidas cotidianas. Esse conhecimento não é inteiramente suposto nem fortuito para as atividades deles; assim como as consequências do que fazem não deriva de ações intencionais – o que significa dizer que não existe uma estrutura que define tudo, muito menos agentes com autonomia plena (GIDDENS, 1984 apud O’DWYER e MATTOS, 2009, p. 610-611).8
Apesar de discordar de Durkheim (1996) a respeito do dualismo indivíduo/sociedade, a noção de Consciência Discursiva e Consciência Prática em Giddens (1989) não se choca com a noção de Consciência Individual e Consciência Coletiva. São conceitos diferentes que se alicerçam em debates diferentes sobre a natureza do ser individual e do ser coletivo. Em Giddens (1989), a questão a respeito da coerção que a sociedade exerce sobre o indivíduo, precedendo-o, fundando seu pensamento e moldando suas ações foi superada. A questão reside em uma “rotinização” de práticas sociais nas quais os agentes envolvidos sejam capazes de elaborar um discurso consciente sobre suas ações.
Os agentes devem ter reconhecida a sua cognoscitividade e sua aptidão em dizer acerca das condições de suas ações e de outros agentes. Aptidão que não se restringe ao que eles traduzem discursivamente, já que o agente também monitora um conhecimento tácito sobre o continuar das práticas
7 “A consciência prática seria um aprendizado que acontece naturalmente assim como o aprendizado da
linguagem; o que os atores sabem (creem) acerca das condições sociais, incluindo especialmente as de sua própria ação, mas não podem expressar discursivamente; nenhuma barreira repressiva, entretanto, protege a consciência prática, como acontece com o inconsciente”. (GIDDENS, 1984 apud DWYER e MATTOS 2009).
8 “A ‘estrutura’ pode ser conceituada abstratamente como dois aspectos de regras: elementos normativos e
rotineiras. Daí a importância de indicar que esse conhecimento pode ser acessado através da consciência prática e/ou discursiva. (O’DWYER e MATTOS, 2009, p. 617)
Por outro lado, o caráter de consciência dos agentes que desempenham práticas sociais e que devem ter consciência sobre essas práticas nos remete ao debate mais antigo nas Ciências Sociais que diz respeito a distinção entre a noção de pessoa, indivíduo e sujeito.
Assim, grosso modo, podemos situar dentro da tradição de estudos antropológicos, especialmente britânica, como nos estudos de Radcliffe-Browm (1973) por exemplo, a ideia de indivíduo ligada ao aspecto biológico em distinção da ideia de pessoa, enquanto categoria social ou ser que se percebe portador de uma função e de um papel em uma dada sociedade.
Categoria, esta, esmiuçada pela tradição francesa, especialmente por Mauss (2003). Contudo, esse ser biológico não é puramente anatomia e fisiologia. É, antes de tudo, essencialmente biopsicológico.
Portanto, a noção de indivíduo ultrapassa a ideia de pessoa, personagem, de persona, como denominava Mauss (2003) e alcança a consciência de si. Então, dar-se a passagem para o entendimento da individualidade.
Entretanto, a noção de indivíduo remete a ideia, essencialmente moderna, ligada aos fundamentos iluministas e burgueses das liberdades individuais. Desta forma, o indivíduo passa a usufruir da condição de pessoa dotada de consciência própria de si e do mundo social e político no qual está inserido.
Em outras palavras, o ser humano adquire como característica universal e inata, a individualidade, a percepção de sua singularidade diante dos demais seres humanos, segundo Spink (2011) ao analisar o pensando de Mauss (2003).
Assim, “(...) é evidente, sobretudo para nós, que nunca houve ser humano que não tenha tido o senso, não apenas de seu corpo, mas também de sua individualidade espiritual e corporal ao mesmo tempo” (MAUSS, 2003 apud SPINK, 2011, p. 5-6).
Afora os reducionismos, é claro que esta noção da individualidade humana só é possível compreender e se estabelecer dentro de um contexto histórico delimitado no mundo, marcadamente no mundo ocidental pós surgimento do capitalismo e da sociedade burguesa.
Sublinhando essa perspectiva evolutiva, Goldman (1999) considera que, para Mauss, essa autonomização progressiva do indivíduo, em face da totalidade social, só poderia ser entendida como um efeito do desenvolvimento da própria sociedade que, ao se diferenciar internamente, permitiria a particularização concomitante dos seus membros (SPINK, 2011, p. 5).
A necessidade de delimitar e estabelecer os limites da duplicidade entre ser biológico e ser social marcou a perspectiva sociológica, especialmente influenciada por Durkheim (1994), que se esforça por definir as noções de Consciência Individual, Consciência Coletiva e Representações Coletivas. Desta forma, para Durkheim (1996) as Representações Coletivas são crenças e sentimentos.
Quando Durkheim (1996) fala das Representações Coletivas como crenças e sentimentos, ele não as situa no plano das ideias, somente. Antes de tudo, ele as organiza como Fatos Sociais, que exprimem o caráter histórico e coletivo do que é expresso por meio da fala e da orientação das atitudes dos indivíduos.
Portanto, estas Representações tornam-se objeto de estudo da Sociologia. Sucede-se, assim, a diferenciação entre Consciência Individual e Consciência Coletiva que confere à investigação sociológica o arsenal necessário para seu desenvolvimento.
O que Durkheim entende por consciência individual é aproximadamente o mesmo que hoje se entende por “personalidade” na Psicologia – em poucas palavras, o conjunto de traços mentais e emocionais que identificam um indivíduo e o distinguem de todos os outros. Por outro lado, em certa passagem ele define a consciência coletiva como ‘o conjunto de crenças e sentimentos comuns ou comum dos membros de determinada sociedade’ (GALLIANO, 1981, p.57).
O que parece tão bem delimitado em Durkheim (1996), a distinção entre Consciência Individual e Consciência Coletiva situa o ser humano como um ser duplo, capaz de agregar e conter suas próprias impressões sobre o mundo e as impressões dos demais indivíduos sobre o mundo.
Cada vez que a Consciência Individual se aproxima ou confunde-se com a Consciência Coletiva acontece o fenômeno que Durkheim (1999) designa como Solidariedade Mecânica. A Solidariedade Mecânica ocorre em Sociedades Primitivas ou em grupos muito homogêneos e toda vez que a consciência do indivíduo se distancia da consciência coletiva, ou melhor, das representações que o grupo impõe é aplicado algum tipo de sanção que faça com que o indivíduo se dilua no grupo novamente. Nas Sociedades Complexas marcadas pela existência de grupos heterogêneos ocorre a Solidariedade Orgânica.
Contudo, neste ponto não é mais a proximidade entre a Consciência Individual e a Consciência Coletiva o fator de coesão do grupo, mas sim, exatamente o individualismo
resultante da Divisão Social do Trabalho, da especialidade de tarefas, que surge com o modo de produção capitalista. A interdependência entre os indivíduos passa a ser o elemento de coesão neste tipo de solidariedade.
Os desvios são compensados pelo que Durkheim (1999) chama de Direito Restitutivo, ou seja, dentro da ordenação de mundo guiado pela anuência as leis e pelos acordos ou contratos estabelecidos entre os indivíduos inseridos no chamado Estado de Direitos (DAHL, 2012).
Essa dualidade dentro de um mesmo ser não é um elemento conflituoso para Durkheim, que vê na compreensão da distinção entre os tipos de solidariedade a justificativa para as expressões ora individuais ora coletivas de um mesmo indivíduo na sociedade moderna. Assim, o termo indivíduo passa a ser utilizado por Durkheim no sentido de indicar essa dualidade entre o biológico e o social, o individual e o coletivo, entre indivíduo e pessoa.
A maneiras como ambas se formam acaba por diferenciá-las. As representações coletivas são o produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas no tempo, para criá-las, uma multidão de espíritos diversos associou, misturou, combinou suas ideias e seus sentimentos; longas séries de gerações nelas acumularam sua experiência e seu saber. Uma intelectualidade muito particular, infinitamente mais rica e mais complexa que a do indivíduo, encontra-se, portanto, como que concentrada aí. Compreende-se, assim, de que maneira a razão tem o poder de ultrapassar o alcance dos conhecimentos empíricos. Não deve isso a uma virtude misteriosa qualquer, mas simplesmente ao fato de que, segundo uma fórmula conhecida, o homem é duplo. Há dois seres nele: um ser individual, que tem sua base no organismo e cujo círculo de ação se acha, por isso mesmo estreitamente limitado, e um ser social, na ordem intelectual e moral, que podemos conhecer pela observação, quero dizer, a sociedade. (DURKHEIM, 1996, p. XXIII).
A sociedade, neste caso, é tomada como um agregado humano permeado por regras, normas e leis, e constituída por sujeitos que expressam por meio de suas práticas o modo de pensar e agir do grupo sociopolítico ao qual estão inseridos ou do qual são oriundos. Em outra perspectiva, os comportamentos individuais e grupais são regidos por um conjunto de normas, signos e discursos que demarcam o território ideológico e o imaginário coletivo (CHAUÍ, 2011).
Em um primeiro momento, quando a Sociologia se propôs estudar os sistemas sociais, ou mesmo a própria sociedade, apareceu uma distinção entre o pensamento individual e o pensamento coletivo, definido através da noção de Consciência Individual e Consciência
Coletiva em Durkheim (1994), que possibilitou refletir sobre os discursos gerados pelos sujeitos e pela sociedade e mais, pelos sujeitos nas sociedades.
Desta forma, esses estudos iniciais permitiram que se estabelecessem parâmetros entre o pensamento individual e o pensamento coletivo afim de indicar em que medida ocorre a interação entre indivíduo e sociedade, em que medida um reflete, influencia e compõe o pensamento do outro. A vida coletiva, como a vida mental do indivíduo, está constituída de representações; e é presumível, por isso, que as representações individuais e as representações sociais sejam, de certo modo, comparáveis. (DURKHEIM, 1994)
Estas representações a que Durkheim (1994) se refere trata-se do conjunto de crenças e sentimento comum a indivíduos em uma dada sociedade. “(...) a sociedade é uma realidade sui generis; tem suas características próprias que não se encontram, ou que não se encontram da mesma forma, no resto do universo” (DURKHEIM, 1996, p. XXIII).
Desta forma, desmitifica-se o conflito indivíduo/sociedade, geral/particular, como se o todo resultado direto da soma das partes e, como se a soma dos indivíduos representasse o coletivo.
Em outras palavras, “(...) as representações que as exprimem têm, portanto, um conteúdo completamente distinto das representações puramente individuais, e podemos estar certos de antemão de que as primeiras acrescentam algo às segundas” (DURKHEIM, 1996, p. XXIII).
Desta forma, o evolucionismo social presente nas obras de Durkheim (1996) e Mauss (2003) em que o conceito de indivíduo transforma seu aspecto individual (biológico) em coletivo ou social (pessoa) passa a incorporar o aspecto psíquico nos estudos a respeito do Self e do Selves em Mead (1969).
Nesse ponto, os esquemas comparativos entre o individual e o coletivo, ou ainda no processo de compreensão sobre a individualização nas sociedades ocidentais modernas, sobre a prevalência científica dos resultantes de processos das experiências individuais e da relação entre selves e os processos mentais, se sobressai o aspecto evolucionista já que “as sociedades se desenvolvem tal como as formas animais se desenvolvem, ajustando-se aos problemas que encontram à sua frente” (MEAD, 1969 apud SPINK, 2011, p. 8).
Spink (2011) afirma que seguindo esta linha evolucionista estão os estudos de Spencer, Straus e Mead sobre o Self ou ainda o Selves (plural). Ainda que evolucionistas estes autores inverteram a lógica durkheimiana e situaram o indivíduo acima da sociedade e do Estado reconhecendo a primazia da vida social.
Na consolidação do Self enquanto categoria analítica aparecem dois elementos essenciais a sua compreensão, a noção de sujeito e a noção de objeto. Assim, para que exista um sujeito é necessário que exista um objeto em interação com esse sujeito.
O termo sujeito, usado a partir da noção de Self, indica o surgimento da categoria do ser humano como ser psicossocial. Para ele, o self emerge por meio da habilidade de assumir a atitude do grupo ao qual pertente. Além disso, a estrutura da sociedade está impregnada nos hábitos sociais e, na medida em que introjetamos esses hábitos, é que nos tornamos selves. (SPINK, 2011, p.9).
A noção de Selves é elaborada a partir da observação da capacidade que as crianças desenvolvem em assumir o papel do outro no ato de brincar, ou ainda de internalizar as regras do jogo.
Desta forma, Mead (1969 apud SPINK, 2011) elabora o conceito de “outro generalizado”, em que o indivíduo realiza um processo de cooperação social ao direcionar seus comportamento de acordo com as atitudes genéricas adotadas no comportamento observável dos demais. “(...) para Mead, é um processo de conversação consigo mesmo, quando se assumem as atitudes comuns do grupo e quando os símbolos usados são comuns ao grupo, de modo que o sentido seja compartilhado” (SPINK, 2011, p. 10).
Neste ponto, retomamos o conceito de Monitoração Reflexiva em Giddens (1989), em que “(...) os atores não só controlam e regulam continuamente o fluxo de suas atividades e esperam que outros façam o mesmo por sua conta, mas também monitoram rotineiramente aspectos sociais e físicos dos contextos em que se movem” (O’DWYER e MATTOS, 2010, p. 615).
Esse conjunto de símbolos e significados utilizados pelos indivíduos na formação do selves só é possível porque pode ser traduzido ou se torna inteligível em forma de discurso que representa um grupo, o “outro generalizado”. É para Spink (2011) o sentimento de pertencimento que os grupos conferem a seus membros a partir da constituição de uma comunidade linguística específica. “Uma relação que emerge do funcionamento universal dos gestos como símbolos significantes nos processos sociais genéricos de comunicação humana” (MEAD, 1969 apud SPINK, 2011, p. 10).
O aspecto evolucionista é abandonado em detrimento da concepção de que as representações que os seres humanos fazem de si e do mundo são decorrentes de processos sociopolíticos em contínua interação ao longo do tempo.
Para Spink (2011, p.6), os aspectos psicológicos aparecem inseridos nos estudos de Dumont (1992) dentro de uma perspectiva que situa “a noção de indivíduo na contraposição entre ideologia individualista e formações sociais do tipo holista”.
Nesse caso, os estudos de Dumont irão situar a questão sobre a formação do individualismo nas sociedades modernas ocidentais e como este individualismo encerra em si os aspectos ideológicos da vida social, que discursos ideológicos orientam a conduta dos indivíduos.
Ainda sobre a ideia da formação da noção de sujeito e do embate entre individual e coletivo chegamos a concepção de sujeito em Marx. Para Marx e Engels (1984) a distinção entre indivíduo e sujeito ocorre quando o indivíduo realiza a tomada de consciência. A Tomada de Consciência de si é essencialmente a tomada de Consciência de Classe.
Isso acontece quando o sujeito se percebe inserido numa relação antagônica em que sua posição dentro da estrutura socioeconômica está intrinsicamente ligada à sua posição na estrutura produtiva. O Sujeito em Marx é histórico, em outras palavras, o indivíduo constrói sua história, participa conscientemente da construção da sociedade a qual está inserido tornando-se, assim, sujeito.
Contudo, essa participação, ou protagonismo, consciência do sujeito, não é realizada de forma direta e à mercê, puramente, da vontade dos sujeitos. Primeiro, porque os sujeitos agem em coletividade, portanto não é a vontade individual que prevalece. Segundo, os sujeitos estão submetidos ao resultante das relações de produção que ocorrem e formam a estrutura (infraestrutura e superestrutura).
Os sujeitos estão passíveis das forças socioeconômicas, das condições materiais de existência e das relações de produção ao longo da história. “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas nas circunstâncias imediatamente encontradas, dadas e transmitidas” (MARX e