Com base na revisão de literatura realizada para esta pesquisa, foi perceptível a necessidade de analisar e mensurar os processos ou atividades executadas na empresa, a fim de evitar perdas e obter maior eficiência com os procedimentos metodológicos utilizados, uma vez que o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado. Nesta perspectiva, a empresa informou que “possui um departamento ou setor de medição em SST”, formalizado desde 2008 segundo o entrevistado 1, pois reconhece uma necessidade cada vez maior de obter informações acerca das atividades ou dos fatos existentes nesta área.
Percebe-se que esta necessidade faz parte de um processo de integração, a partir do Sistema Global da empresa, pois, as empresas em geral, estão buscando uma relação mais forte da área de segurança com outras áreas da organização. Conforme o entrevistado 1, cada setor possui seu departamento ou setor de medição. Estes dados de medição podem solicitar e acompanhar a melhoria dos serviços, e ajudar a demonstrar a contribuição que os serviços estão proporcionando para aqueles que estão fora do departamento.
Questionado sobre se a empresa visualiza a área de SST como custo ou investimento, o entrevistado 1 afirmou que “é uma necessidade, pois é importante para a empresa e para o funcionário”. Logo, sobre o nível de investimento na área de SST, o entrevistado 1 afirmou que “o custo com a área de SST é baixo”, bem como justificou essa afirmação informando que “o investimento em SST está relacionado com o tipo de produto a ser fabricado. Ou seja, se um determinado tipo de produto requer um EPI específico há o investimento”. Sobre esta mesma afirmação corroboram os entrevistados 2 e 3, pois conforme o último há uma forte integração das áreas de produção e SST, visto que planejam em conjunto os equipamentos e processos relativos a uma determinada produção.
Sobre os programas Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT), os três entrevistados informaram que todos os programas são implantados na empresa, a fim de possibilitar o desenvolvimento do setor.
Sobre o PPRA e o PCMSO, o entrevistado 2 afirmou que estes programas são construídos por uma empresa terceirizada, que é caracterizada pela equipe do SESMT e que através deles “o engenheiro vai identificar que tipo de produto químico existe no ambiente de trabalho e assim a médica identifica qual tipo de exame deve ser feito para aquele tipo de produto químico”.
Sobre a CIPA, há reuniões mensais para verificar as ações implantadas pela equipe, que é composta por “24 cipeiros”, como afirma o entrevistado 2. Outro ponto importante é sobre o SIPAT, pois segundo o entrevistado 2 este programa dura 4 dias, onde os funcionários participam de uma semana dedicada a informações e encontros sobre Segurança do Trabalho. Conforme o entrevistado, a empresa realiza revezamento, uma vez que a linha de produção só funciona com 30% da quantidade de funcionários. Portanto, estas ações fazem parte de um processo de desenvolvimento da empresa, em seu âmbito global, uma vez que estes encontros proporcionam um nível de conscientização maior, bem como aumentam a motivação dos funcionários, como citou o entrevistado 2.
O questionamento sobre a existência de alguma outra política interna de prevenção de acidentes, bem como encontros sobre a importância da SST na empresa, foi respondido pelo entrevistado 2, que por sua vez informou que há reuniões bimestrais com a equipe da brigada de incêndio, composta por 20 brigadistas, bem como a utilização do Diálogo Diário de
Segurança (DDS), que constitui de um espaço de tempo, antes das atividades diárias da empresa, dedicadas a assuntos e instruções básicas sobre segurança do trabalho, que devem ser utilizadas e praticadas por todos os funcionários.
A Figura 13, apresenta um modelo do Diálogo Diário de Segurança (DDS) utilizado na empresa, a fim de conscientizar e informar aos funcionários sobre as ações diárias relativas à segurança.
Figura 13 - Modelo de Diálogo Diário de Segurança (DDS)
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
DDS – DIÁLOGO DIÁRIO DE SEGURANÇA
SETOR: DATA: ___/___/____ TEMA: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. _________________________________________________ ASSINATURA DO INSTRUTOR
Houve ao entrevistado, o questionamento sobre a Norma Internacional OSHAS 18001, pois como a empresa informou que há um sistema de gestão em segurança do trabalho, consequentemente deve haver alguma ação baseada nesta norma britânica. A empresa informou que algumas ações estão ligadas à norma, como a análise crítica pela administração, auditoria, treinamento e medição e acompanhamento dos processos.
Na entrevista, foi perguntado ao entrevistado 3 sobre a aplicação de um Sistema de Medição de Desempenho estruturado e formalizado. O gestor da área de produção respondeu que há este sistema, porém ele está em fase de desenvolvimento, uma vez que há uma migração de dados para um software que a empresa adquiriu. Logo, ele informou que está levantando os dados, bem como promovendo um mapeamento das informações de todos os processos, a fim de proporcionar uma análise mais qualificada das ações referentes à área. A frequência de avaliação e medição de desempenho do sistema global da empresa é feito anualmente. Foi citado pelo entrevistado 1 e 2 que algumas áreas, como a de Produção e Comercial estão em um mesmo nível, no que se refere ao acompanhamento do desempenho.
O entrevistado 3 afirmou que há a interação das áreas, mas há necessidade de elevar esta integração, a fim de obter dados relevantes. Sobre a integração da Segurança do Trabalho no sistema de avaliação e medição de desempenho global da empresa, o entrevistado 3 afirmou que há uma relação participativa e integrada no acompanhamento das medições, uma vez que não há como separar a área de Segurança do Trabalho dos outros setores da empresa.