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Araştırmanın Uygulanması

3. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ

3.6. Araştırmanın Uygulanması

A reforma de Roma, promovida por Sisto V e comandada por Domenico Fontana, traçou os parâmetros que foram alçados a outro nível durante o período barroco. O uso da perspectiva foi intensificado. O destaque ainda era a edificação, entretanto o espaço urbano de elemento cenográfico, que servia de ―pano-de-fundo‖ à edificação, passou a ser um elemento componente e interveniente que deveria valorizar a edificação.

A cidade passou a ser vista como fato artístico e deveria ser considerada como tal. Lembra Goitia (2003, p. 128) que ―o barroco forma, ordena o mundo como panorama‖. O uso da perspectiva como elemento componente principal deste espaço significava que o urbano era utilizado como uma composição delineada a partir de um ponto de fuga único. O Barroco, que coincidirá com o auge do absolutismo, teve no urbano uma afirmação destes preceitos. A cidade, assim como a sociedade, deveria ser vista a partir de um único ponto de vista, o do monarca. A cidade era uma manifestação do poder do príncipe.

14Do inglês gentrification. A expressão gentry refere-se a pessoas de boa posição social, logo abaixo da nobreza.

Os monarcas absolutistas, por sua vez, construíram suas cidades reais. Neste aspecto, o regime francês de Luis XIV (1643-1715) seria paradigmático, não só como a mais fiel expressão de poder absolutista do auto-denominado ―Rei Sol‖ como também ao construir uma residência que se tornaria um modelo a ser reproduzido: Versalhes.

Como os mercadores e banqueiros italianos, o Rei Luis XIV também construiu sua ―villa‖ no campo. O local escolhido situa-se nos arredores de Paris, cerca de 19 km, junto a um bosque onde, anteriormente, havia um pavilhão de caça. Luis XIV, como outros monarcas absolutistas não gostava da cidade grande, que considerava apertada e suja. Construiu sua casa no campo, com todas as comodidades de uma residência urbana, nos moldes de uma villa suburbanea, naturalmente que em uma escala jamais encontrada em suas predecessoras.

Uma questão se destacava na análise de Versalhes: sua constante dicotomia/subversão na relação centro/periferia e cidade/campo. Foi, inicialmente, projetado como uma Residência/Palácio em um subúrbio de Paris. A construção do Palácio iniciou-se em 1669 e a cidade, em 167215. O palácio e a cidade adjacente eram, portanto, subúrbios de uma

cidade muito maior – Paris. Mas, em 1782, Luis XIV transferiu-se com a corte para o palácio e, no ano seguinte, transferiu a administração para o palácio, proclamando Versalhes como sua residência oficial, o que quase causou uma revolta em Paris (GIEDION, 2004, p.161).

A idéia de centralidade foi subvertida ao transformar o centro – Paris – em subúrbio e o subúrbio – Versalhes – em centro. Por outro lado, na relação urbano/campo, ocorreu uma nova subversão quando se construiu uma cidade anexa ao palácio/villa: a cidade tornou-se periférica a uma villa suburbana – o palácio. Por outro lado, a idéia de uma villa suburbana periférica à cidade também foi formada: a cidade de Versalhes tornou-se ―o subúrbio da

villa de Luis XIV‖. A relação entre as dimensões da cidade e da área do Palácio de Versalhes

enfatizam esta subversão, conforme pode ser observado nas Figuras 23 e 24.

15No local havia uma aldeia desde a idade média. Luis XIII, pai de Luis XIV construiu, no local um pavilhão de caça.

Foi neste local que seu filho, construiu o palácio e posteriormente, substitui a antiga vila pela atual cidade. (LECLERCQ, 1993, p.14).

FIGURA 23 - Planta de Versalhes, do pequeno parque e suas dependências (texto original), elaborada pelo Abade

Delagrife em 1766: à direita a cidade (1), no espaço intermediário o palácio (2) e à esquerda, dominando a paisagem, os jardins (3).

Fonte: WIKIMEDIA (6), 2008 (modificada pelo autor).

FIGURA 24 - Planta geral da cidade e Palácio de Versalhes, dos jardins e das fontes, elaborado por Andre Le Notre

em 1660: pode-se observar que a área do Palácio (1) — edificações e jardim— é cerca de 4 vezes maior que a da cidade de Versalhes (2).

Fonte: UNIVERSITAT POMPEU FABRA, 2009 (modificada pelo autor).

Embora pequena, Versalhes se tornou, com o tempo, síntese de uma cidade barroca. As ruas em leque convergem em uma perspectiva de ponto de fuga central, ao palácio real (FIGs. 23 e 25). Este modelo de cidade ―em leque‖, que remete à organização da Piazza del Poppolo em Roma (FIG. 11), seria reproduzido em vários outros planos como o de L’Enfant para Washington e até já no século XX, no plano de Atílio Correia Lima para Goiânia.

FIGURA 25 - Vista aérea de Versalhes, com o palácio em primeiro plano e a cidade em segundo plano,

destacando as ruas em rígida formação em perspectiva de ponto de fuga central. Fonte: KOSTOF, 1991, p.208.

A análise morfológica dos planos de Roma e Versalhes permite evidenciar uma clara semelhança em sua conformação, porém, sua intenção é bastante distinta. Enquanto na intervenção renascentista em Roma, do grande largo da Piazza del Poppolo, abria-se o leque das três vias e cabia ao caminhante decidir o caminho que melhor lhe aprouvesse (FIG. 26). Em Versalhes os caminhos diversos sempre convergiam para o mesmo ponto focal, não importa a origem do caminhante, sempre seria direcionado ao Palácio Real (FIG. 27). A conformação morfológica da cidade reproduzia, formalmente, o ―espírito de época‖: na cidade renascentista, período de mudanças e de uma nova postura do ser humano frente à sociedade, a cidade concedia a seu usuário uma possibilidade de escolha enquanto na Versalhes barroca, assim como no regime absolutista, seu destino era direcionado para o Rei e a forma da cidade organizada de maneira a reafirmar, de maneira inequívoca, este poder.

FIGURA 26 - Planta de Roma – Nolli: A principal

entrada de Roma, através da Portada del Popolo (seta à esquerda), abre em grande lardo, a Piazza del Popolo, onde caberá ao visitante escolher o destino entre as vias que se abrem em leque. Fonte: GOITIA, 2003, p.103 (modificada pelo autor).

FIGURA 27 - Planta de Versalhes, Delagrife (1766): a place

d’Armes é o foco para onde convergem os diversos acessos ao palácio.

O projeto cartesiano, que esboçou no plano de Roma seus primeiros ―passos‖, teve no barroco sua consolidação, tornando-se um de seus principais instrumentos na busca de uma totalização projetiva, isto é, de um domínio em nível de plano da paisagem — urbana ou rural — a ser projetada. Versalhes, como bem coloca Giedion, é a expressão desta busca:

O desejo do barroco de dominar o ilimitável aparece de maneira mais evidente do outro lado do palácio. Ali o terreno declina suavemente a partir do terraço com seus espelhos d’água ornamentais. O olho é conduzido pelos extensos gramados – os tapis

verts – até o grande canal de forma cruciforme, com um quilômetro e meio de

comprimento. Na época de Luis XIV era cruzado por gôndolas e outras embarcações luxuosas. Para além do grande canal, a vista se perde numa paisagem rural infinita. Os bosques e arbustos do enorme parque – cuja área equivale a um quarto da área de toda Paris – se estendem à direita e à esquerda. [...] Os bosques são pontuados por clareiras circulares, de onde emergem caminhos que se assemelham a raios de um farol. Essas áreas circulares, com suas vias ou alamedas radiais, encontrarão lugar no planejamento urbano do século XVIII. (Giedion, 2004 p.163-64).

Se, ao procurar dominar a paisagem, o palácio ao mesmo tempo é o ponto focal do qual irradiam as ruas para o espaço urbano e em seu ponto de fuga termina (ou começa) a ligação com a capital Paris e, no outro lado, é a abertura ou conexão com os jardins ou campos, que, assim como na ―face‖ urbana, são dominados por uma perspectiva de ponto de fuga central (trecho 3 da FIG. 23).

Versalhes, como as villas italianas e inglesas, é a afirmação da nobreza e da distinção que a morada suburbana, fora do centro da cidade, pode ter ou como nestes casos tem. Pode-se conjecturar que Versalhes é o ápice de uma linha de residências suburbanas que iniciou-se na Roma clássica. Mais importante ainda é o fato estabelecer, de forma inequívoca, no imaginário burguês, a associação da idéia de residência no campo, fora dos limites da cidade como símbolo aristocrático.

CAPÍTULO 2

Benzer Belgeler