A primeira fase de implementação do Projeto comportou um período de 42 dias de intervenção, cadenciados pela realização de quatro reuniões de trabalho16 com os enfermeiros da EP. A periocidade quinzenal destas reuniões possibilitou a compilação de casos em número suficiente para permitir uma análise com substância e, simultaneamente, um tempo controlado para a experimentação das estratégias definidas e avaliação da sua eficácia; permitiu ainda, e de acordo com o referido pelos enfermeiros, tornar o Projeto presente e manter os enfermeiros motivados, dado o acompanhamento e o feedback recorrente das suas intervenções.
A 1ª Reunião de Trabalho17 foi pensada e planeada de modo detalhado, dada a sua importância estratégica para a aceitação e motivação dos enfermeiros em relação ao Projeto. A sua divulgação foi feita através de folha própria, construída e colocada na pasta da EP, e através de correio eletrónico, para o endereço de cada enfermeiro. Foi feito um plano de sessão (Apêndice XIII), e construído um documento em PowerPoint para suportar o discurso. Nesta reunião confrontou-se os enfermeiros com as suas práticas e incentivou-se à reflexão acerca das mesmas, de modo a apurarem-se causas para a não efetivação dos registos
16 As reuniões de trabalho foram integradas no plano de formação do SU e assumidas como formação em
serviço. A referência às mesmas como reuniões ou sessões de trabalho constituiu uma estratégia com vista a uma melhor adesão ao Projeto por parte dos enfermeiros, associando-as à sua prática de trabalho e dissociando-as de um projeto meramente académico.
17 Dada a natureza do SU, onde é imprescindível que se mantenha a funcionalidade dos sectores, cada reunião de
trabalho constituiu-se de duas sessões, dada a necessidade de dividir a equipa em dois grupos. Deste modo é possível garantir que os cuidados de enfermagem continuam a estar assegurados apesar dos enfermeiros estarem em reunião.
inerentes ao procedimento de contenção. Visou-se uma sensibilização para a temática do Projeto e um compromisso para a implementação do mesmo, tendo sido negociada a sua operacionalização.
Foram feitas as atas de ambas as sessões (apresenta-se em apêndice um exemplar – Apêndice XIV) e, do seu conjunto, foi elaborada uma ata final (Apêndice XV), cuja estrutura foi adaptada de modo a permitir uma leitura facilitada, e que foi dada a assinar aos enfermeiros presentes. Foi ainda elaborado um relatório de ocorrências (Apêndice XVI), com o intuito de permitir uma análise mais aprofundada do decurso e das circunstâncias da reunião, e visando a melhoria e a correcção do agir. Esta metodologia de trabalho – planeamento, modo de condução da reunião, elaboração de ata e relatório de ocorrências – foi mantida nas três reuniões seguintes.
As 2ª e 3ª Reuniões de Trabalho funcionaram como momentos de avaliação intermédia,
constituindo, como tal, “momento[s] de pausa e de reflexão sobre o percurso desenvolvido atá ao momento” (Castro et al, 1993 in Ruivo, Ferrito e Nunes, 2010, p.25). De acordo com
Ruivo, Ferrito e Nunes (2010), nestas avaliações são realizadas as primeiras críticas sobre o trabalho elaborado, questionando-se o trabalho já realizado, identificando-se os pontos positivos e as áreas susceptíveis de melhoria. Assim:
A 2ª Reunião de Trabalho constituiu o momento de apresentação dos primeiros resultados –
Fase Inicial. As grelhas de análise utilizadas foram convertidas em tabelas, de modo a facilitar a visualização da informação obtida. Foram referidos os itens com elevado índice de registo e apontados os registos passíveis de serem melhorados. Foi fomentada a análise e reavaliação de alguns pormenores de registo, resultando, da discussão em grupo, novas decisões. Como refere Ruivo, Ferrito e Nunes (2010, p.23), é ao dinamizador do projeto que,
no final das discussões, cabe o papel de “resum[ir] e formaliza[r] a[s] regra[s] do jogo”,
competindo-lhe também o acompanhamento das atividades e seus resultados; formalizando esta incumbência, elaborou-se um documento de atualização com os resultados do período de intervenção e principais decisões tomadas18 (Apêndice XVII). O relatório de ocorrências constitui o Apêndice XVIII.
Segundo Ruivo, Ferrito e Nunes (2010), as avaliações intermédias possibilitam também a realização dos ajustes necessários face ao percurso já efetuado e aos resultados obtidos, com vista a uma consecução bem sucedida. Os mesmos autores referem que estes ajustes se concretizam pela definição de atividades passíveis de conduzir a uma melhoria e que, mesmo
18
Opta-se por não colocar em apêndice a ata da reunião, uma vez que este novo documento inclui já a informação redigida em ata.
não estando planeadas, se podem revelar pertinentes para o Projeto. Foi neste contexto que surgiu o Exemplo de Registo19, ferramenta elaborada de modo a dar resposta a uma necessidade expressa por alguns dos enfermeiros da EP já em fase de implementação do Projeto – como transformar os itens de registo em registos objectivos, coerentes e de rápida redação –, e de cuja aplicação resultaram melhorias ao nível da sistematização do pensamento dos enfermeiros e da qualidade dos registos realizados.
Também a opção de disponibilização dos dados obtidos e de atualização dos enfermeiros face ao ponto de situação e às decisões tomadas via correio electrónico, foi uma atividade que, não tendo sido visada no planeamento inicial, surgiu quase que de modo intuitivo logo aquando da primeira divulgação de resultados, apresentando-se como a opção lógica e de maior eficácia no garante do acesso à informação em tempo útil, mesmo para os enfermeiros da EP ausentes nas reuniões.
A 3ª Reunião de Trabalho (Apêndices XIX e XX) correspondeu à apresentação dos resultados da Fase Intercalar do Projeto. Esta constituiu a fase que maior número de casos reuniu (nove casos identificados) e, como tal, foi interpretada como a mais representativa do trabalho desenvolvido. Verificou-se uma melhoria notável a nível dos registos efetuados, traduzindo o reconhecimento da sua importância para uma intervenção de enfermagem de qualidade, bem como o empenho da equipa em cumprir o compromisso assumido.
Nesta reunião foi, também, possível desenvolver uma atividade mais formativa, tendo como ponto de partida uma situação de contenção díspar dos casos tipo (doente confuso). Tratou-se de uma situação extraordinária de contenção20 – doente orientada e colaborante a ordens simples, com score 11 de Glasgow devido à presença de tubo orotraqueal; a contenção foi expressamente requerida pelo médico, pelo risco potencial de uma exteriorização acidental do tubo. Como tal, este caso mereceu uma análise individualizada, de modo a melhorar a atuação particular do enfermeiro perante situações similares futuras.
Em ambiente formativo, foram também abordadas as orientações de atuação na aplicação de medidas de contenção21, reforçando-se a importância da sua adequação à situação do doente (exemplo do doente com hemiparesia). Foi também relembrado o carácter de exeção do recurso à contenção mecânica, incidindo-se na importância de reavaliar a necessidade de a manter e da possibilidade de a substituir por uma medida menos limitativa (por exemplo,
19 Vide Apêndice XVII.
20
Vide caso 5 in Apêndice XIX.
21
conter apenas um dos membros ou conter permitindo manter alguma amplitude de movimentos).
A 4ª Reunião de Trabalho serviu para apresentar os resultados da Fase Final do Projeto (Apêndice XXI) e, cumulativamente, para realizar a Avaliação Final da sua implementação. Nesta fase foram identificados apenas três casos, o que não permitiu a obtenção de um pool de registos significativo e representativa da equipa. Em consequência, fazendo o balanço final do Projeto, e considerando a importância que o processo tem na metodologia de projeto, os resultados da Fase Final não foram considerados como representativos do trabalho desenvolvido pela EP. Por outro lado, como refere Leite (1989) citado por Ruivo, Ferrito e Nunes (2010), a avaliação final do Projeto deve ser globalizante pelo que, assim sendo, a avaliação global e final da implementação deste Projeto de Intervenção é positiva, tal como é explicado no último documento de atualização (Apêndice XXII).
De referir que foi apresentada à equipa uma proposta de aditamento à folha de registo informatizada em uso na UO – Notas de Evolução –, de forma a incorporar na sua constituição campos de preenchimento específicos para o procedimento de contenção, por se considerar que tal opção facilitaria a efetivação e sistematização deste tipo de registos. Esta proposta foi sujeita à apreciação dos enfermeiros, os quais sugeriram algumas alterações de modo a tornar o registo menos disperso22. O documento final inclui-se no Apêndice XXII.