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ACİL DURUM PLANLAMASININ UYGULAMADAKİ ÖRNEKLERİ

GERÇEKLEŞMESİ AÇISINDAN ACİL DURUM PLANLAMASININ ÖNEMİ

2.KÜRESELLEŞEN İŞLETMELERDE ACİL DURUM PLANLAMASININ TANIMI VE ÖNEMİ: İnsanoğlu, gelişiminin evrensel adımları içerisinde doğal ve sosyal çevreye egemen olma çabası

9. ACİL DURUM PLANLAMASININ UYGULAMADAKİ ÖRNEKLERİ

Os dados coletados pela Relatoria acerca da situação prisional de Pernambuco revelam igualmente a situação de precariedade e déficit de vagas devido a um crescimento rápido da quantidade de detentos, corroborando as péssimas condições prisionais do País como um todo.

Dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen), divulgados em junho de 2008, apontam que Pernambuco possui 86 estabelecimentos penitenciários cadastrados, sua população carcerária é de 18.888 pessoas, sendo 17.922 homens e 966 mulheres. Segundo o Infopen, a população encarcerada é composta por 3.828 brancos, 2.722 pretos, 12.124 pardos, 55 amarelos, 34 indígenas e 325 outros. Informações do governo estadual apontam a existência de somente 700 agentes prisionais para atuar no conjunto destas unidades. Segundo informações do Plano Estadual de Segurança Pública de Pernambuco (2007), o sistema prisional pernambucano apresentou nos últimos anos crescimento acelerado do encarceramento, passando de 99 presos por 100 mil habitantes em 1999, para 188 por 100 mil em 2007. O aumento foi de quase 90% em relação ao crescimento da população do estado. Este crescimento impactou a capacidade de confinamento nas unidades prisionais: o déficit de vagas era estimado em 7.467 vagas (2006).

A população carcerária de Pernambuco é eminentemente masculina, negra, jovem e de baixa escolaridade, apresenta 9% de índice de reincidência. Quarenta e seis por cento têm idade entre 22 e 30 anos, 23% entre 31 e 40 anos, 15% entre 18 e 21 anos e 15% mais de 40 anos. Aproximadamente 95% possuem baixo nível econômico. Sobre a escolaridade, 21% são analfabetos, 42% possuem o ensino fundamental incompleto e 15% ensino médio incompleto. (RELATORIA NACIONAL PARA O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO, 2009, p. 32).

Além disso, o relatório traz a informação de que as Secretarias estimam que o atendimento educacional em Pernambuco alcance apenas 18% da população carcerária. (RELATORIA NACIONAL PARA O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO, 2009).

Uma das unidades prisionais visitada pela Relatoria foi o presídio Aníbal Bruno, considerado um dos piores presídios do Brasil em 2008 pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Sistema Penitenciário do Congresso Nacional. Esta é uma unidade transitória, destinada aos presos que aguardam sentença, caracterizada pela sua superlotação65, motivo que provocou duas rebeliões entre novembro de 2007 e janeiro de 2008.

O saldo da primeira rebelião fora a destruição da escola, cujas salas tiveram de ser reconstruídas por meio do trabalho dos próprios detentos. Apesar de o atendimento ter sido

65 “A unidade conta com uma população de 3.600 encarcerados, sendo sua capacidade para 1.448 pessoas”

retomado em fevereiro de 2008, em quatro salas de aula, divididas em 20 alunos para cada sala e em dois períodos (manhã e tarde), a evasão e a transferência para outras unidades revela índices altos, além da dificuldade de atender à grande demanda dos alunos por aulas noturnas, devido a problemas de segurança.

Ao se entrevistarem os profissionais da educação daquele presídio, os relatos foram unânimes no sentido de que a grave situação de superlotação influencia diretamente no rendimento dos alunos em sala de aula, pois muitos usam drogas para suprir a questão da falta de espaço, preferindo manter-se acordados a dormir, devido à falta de espaço no chão para se deitarem ou por temerem a violência.

Em entrevistas feitas pela Relatoria aos detentos, muitos deles demonstraram interesse por ensino profissionalizante e acesso ao superior, até como forma de serem reconhecidos como “gente”. No entanto, dificuldades de muitas ordens os impedem muitas vezes de continuarem frequentando a escola, o que os leva ao abandono dos estudos, conforme descrito na seguinte passagem do relatório:

A Relatora conseguiu conversar com alguns alunos e professores sem a presença das autoridades e dos chaveiros. Foi destacada na conversa as dificuldades cotidianas impostas por vários agentes ao acesso à escola, entre elas, a recusa ou demora na abertura das trancas, xingamentos contra alunos, a imposição de castigo aos presos que questionam tal comportamento, chantagens diversas e destruição de cadernos e livros. Foi apontado que vários alunos desistem da escola em decorrência dessas dificuldades. (RELATORIA NACIONAL PARA O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO, 2009, p. 38).

Já a Penitenciária Barreto Campelo é considerada unidade para sentenciados de alta rotatividade, já que muitos deles pedem transferência para o regime semi-aberto, por se encontrarem em processo de progressão de pena.

Nesta unidade, a escola contava com onze professoras para realizar o atendimento de cerca de duzentos alunos, sendo que o relato das professoras sinalizou a falta de motivação dos presos em continuarem os estudos, devido à proximidade da mudança de regime.

Apesar de não faltarem vagas e não haver alta rotatividade de profissionais, um dos problemas enfrentados pelas professoras é o acesso à penitenciária, pois se localiza em região distante do centro, cuja oferta de transporte público é limitada.

Outra dificuldade relatada pelas professoras refere-se à incompatibilidade de horários na unidade prisional entre escola, trabalho, alimentação e procedimentos de segurança. Muitos alunos demonstram grande ansiedade ao final de aula do período

matutino, pois como o horário do almoço inicia-se antes do término da aula, os detentos temem não restar comida para se alimentarem após a aula.

Outra visita realizada pela missão foi à Colônia Penal Feminina, presídio com a maior superlotação do estado de Pernambuco, caracterizada por ser a pior unidade prisional da área metropolitana. Esta unidade apresenta quatro encarceradas por vaga, num total de 670, sendo o limite fixado em 150, sendo elas provisórias, sentenciadas e provenientes de regime semiaberto que disputam a falta de espaço em situações de extrema precariedade.

De acordo com informações prestadas pela coordenadoria pedagógica da escola, das 150 alunas matriculadas, 97 frequentavam a escola. As aulas eram oferecidas nos três turnos (manhã, tarde e noite).

Um dos destaques realizados pela direção da unidade é a realização de ações de sensibilização junto às agentes penitenciárias para a valorização da educação, principalmente para aquelas que trabalham no período noturno, cuja resistência é maior devido à fragilidade da segurança da unidade.

Quanto ao material escolar, tanto os livros didáticos quanto o kit escolar são oferecidos com atraso. A unidade conta com uma biblioteca, sendo que há contradição entre o depoimento da diretora e das encarceradas quanto ao extravio das obras: segundo a diretora, não há qualquer penalidade nesse caso, mas, de acordo com o que fora relatado pelas presas, este fato acarreta a elas a aplicação de castigos por parte dos agentes, qual seja, a utilização de cela solitária.

Em meio a tantos contrastes, destaca-se na audiência pública realizada pelo Ministério Público de Pernambuco o fato de que a remição da pena por estudo é aplicada neste estado desde 2003, por intermédio de uma portaria, além do fato de que, desde 2002, permite-se o voto do preso em sessões eleitorais dentro do presídio (RELATORIA NACIONAL PARA O DIREITO HUMANO À EDUCAÇÃO, 2009).

Outra questão essencial e bastante aventada pelos participantes desta audiência pública fora a necessidade de se rever a aplicação das penas impostas à maior parte das pessoas que se encontram encarceradas naquele estado, pois estima-se que cerca de 40% delas poderiam se beneficiar pela concessão de penas alternativas.

Na mesma oportunidade, também foi relatado um grande óbice à efetivação da educação no sistema prisional, atinente às dificuldades de ações integradas entre os municípios. Além disso, foi deflagrado um ponto de tensão dentro do próprio sistema Judiciário, na medida em que há pouco diálogo entre os juízes e os promotores de justiça.

Destaca-se, em meio à presente missão, importante reunião realizada entre a Relatoria e o senador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos, autor do projeto de lei n.º 230/2008, referente à questão da remição da pena por estudo em tramitação no Senado Federal. Com isso, pretendeu-se uma abertura no Senado de um debate público sobre este tema, acelerando-se a tramitação de projetos como este no Congresso.

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Benzer Belgeler