3.2. KOBİ-UFRS’NİN GENEL YAPISI
3.2.18. Şerefiye Dışındaki Maddi Olmayan Duran Varlıklar
Em A Era dos Impérios, o que Hobsbawn fez, somando-se aos demais estudos, foi analisar o período que antecedeu às grandes guerras mundiais, responsável, em parte, pelos acontecimentos históricos que prosseguiram ao fim do século XIX e início do XX, logo, as ações imperialistas da Inglaterra e da França, colonizando porções de terras espalhados pelo globo terrestre, geraram guerras civis e mundiais, uma vez que se desarticularam políticas locais e mundiais em proveito de interesses capitalistas.
A violência simbólica se fez presente e o uso da língua inglesa e francesa foram impostos como forma de dominação e de destruição da cultura local, construindo-se uma cultura diferente e sem identidade, o que gerou novos conflitos entre grupos sociais que buscavam se afirmar dentro de um espaço social desestruturado pela dominação imperialista.
As colônias, na África e na Ásia, tornaram-se periferias das metrópoles industrializadas que exploravam as riquezas naturais disponíveis nessas regiões. Dessa forma, desenhou-se uma nova geografia mundial, fundamentada em uma política de expansão territorial sobre os povos fragilizados, devido à instabilidade política e econômica, o que fez com que o mundo assumisse formas geográficas cujos habitantes passaram a se estranhar em conflitos civis.
Os governantes dos países industrializados, apesar de terem consciência da condição de pobreza existente, percebiam nessa a possibilidade de riqueza. Assim sendo, os impérios foram construídos na existência da miséria do outro, oprimido e explorado.
Para Hobsbawn (1998, p. 25) são muitos mais os paradoxos na história de A Era dos
Impérios, que podem ajudar a responder o que “[...] ninguém, nem sequer o melhor dos profetas, entendeu realmente [...]” que foi a realização das grandes guerras mundiais, levadas
ao extremo da ação humana, capazes de dizimar povos.
Desse modo, a compreensão dos fatos que antecedem às grandes guerras é tão complexa quanto às próprias guerras mundiais. Portanto, os impactos sobre a nova estrutura social, que se constrói a partir de um capitalismo reestruturado, apresentam-nos uma sociedade multifacetada.
Questiona-se sobre as reais transformações ocorridas pelo mundo após mais de cem anos de revolução americana inglesa ou Independência dos Estados Unidos (1876) e da revolução Francesa (1889), uma vez que o mundo ainda sofre com desigualdades e explorações que não condizem com os movimentos realizados nas duas revoluções.
Contudo, enquanto num sentido o mundo estava se tornando demograficamente maior e geograficamente menor e mais global – um planeta ligado cada vez mais estreitamente pelos laços dos deslocamentos de bens e pessoas, de capital e comunicações, de produtos materiais e idéias -, em outro sentido este mundo caminhava para a divisão (HOBSBAWN, 1998, p. 31).
Assim, o mundo sofreu com suas disparidades, apesar de a classe alta e a média, pertencentes aos países que já haviam passado pelas revoluções industriais, tentarem viver como se isso não fizesse parte da realidade.
Hobsbawn (1998, p. 32) apontou que, após cem anos de Revolução Francesa, a desigualdade se fez cada vez mais presente na sociedade, na qual “a tecnologia era uma das principais
causas dessa defasagem”, o que tornou os países mais pobres e atrasados em objetos de fácil
dominação e exploração.
A desigualdade era o reflexo de um mundo dividido entre dominante e dependente, produzidos por um sistema econômico adequado aos interesses do primeiro, excluindo o segundo da participação nas decisões.
Essa visualização do mundo foi caracterizada por Hobsbawn (1998, p. 3) como dividido em
“[...] dois setores que, combinados, formam um sistema global: o desenvolvido e o defasado, o dominante e o dependente, o rico e o pobre”.
Logo, a dominação política e econômica ultrapassou as fronteiras, que se tornaram indefinidas perante as conquistas, principalmente econômicas, realizadas pelo setor desenvolvido, dominante e rico. A expansão territorial que ultrapassou mares e oceanos levou a exploração do setor defasado, dependente e pobre, aos quatro cantos do mundo.
Essa condição humana foi caracterizada por Hobsbawn (1998, p. 50), ao enfatizar a tristeza que tomava conta do proletariado, que buscava sua esperança nas migalhas deixadas pelos
capitalistas, por meio de um teto, poucas roupas e um salário “suficiente para manter corpo e
alma juntos”.
Dessa forma, o setor desenvolvido não parava de explorar o proletariado, que já não conseguia se manter vivo para trabalhar nas fábricas que alimentavam o mercado com produtos industrializados.
Muitos trabalhadores migravam com o intuito de mudar de vida, para outras regiões do mundo, principalmente aquelas que se mostravam possíveis de se desenvolver, como a América do Sul. Assim, muitas famílias de italianos, portugueses e alemães vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor.
O mundo começou a visualizar um conflito que se fez presente internamente ao setor desenvolvido e rico, e não apenas entre esses e o setor defasado e pobre, como havia se enxergado antes nesse processo histórico.
Países como a Alemanha e a Itália sofreram as crises econômicas nas décadas de 1870 a 1890, levando-as a buscar soluções em outros espaços, já explorados por nações como a Inglaterra e a França entre outras, também, desenvolvidas.
A rivalidade entre nações desenvolvidas iniciou um conflito internacional pela disputa do mercado mundial. A hegemonia inglesa parecia ameaçada por potências européias que buscaram também explorar colônias na África, na Ásia e na América Latina.
A supremacia econômica e militar levou nações européias a se autodenominarem impérios, que se caracterizaram devido à prática do imperialismo colonial. E foram essas nações: Alemanha, Áustria, Rússia, Turquia, Grã-Bretanha, Itália entre outras que levaram o mundo ao extremo das ações humanas – a guerra mundial.
Os interesses econômicos, desenvolvidos dentro de um sistema de produção capitalista, que se apoiou no imperialismo colonial transformaram a geografia mundial, correspondendo aos jogos políticos de exploração, praticados pelos impérios que buscaram uma economia global única. Essa idéia que pode ser comprovada nas análises de Hobsbawn (1998, p. 95) que aponta ser esse “o fator maior do século XIX”.
A necessidade, por parte de algumas economias desenvolvidas, de um novo mercado consumidor levou à disputa pelos espaços já dominados na África, Ásia e América do Sul.
A sociedade sofreu transformações nas suas estruturas sócioculturais, que refletiram nos diversos níveis, atingindo todas as pessoas e, principalmente, os grupos organizados, que lutaram pelas idéias socialistas e igualitárias.
Essas transformações atingiram as ciências que, de alguma forma, corresponderam ao desenvolvimento técnico da economia industrial, ocorrido tanto na primeira quanto na segunda revolução industrial. E, surgiram, então, novas tecnologias que interessaram ao setor desenvolvido, correspondendo ao seu poder de dominação territorial, com guerras e destruições.
Hobsbawn (1998, p. 424) define essa inovação como “tecnologia da morte”, correspondendo ao rápido desenvolvimento industrial e aos interesses de um grupo economicamente dominante que se preocupou em se preparar militarmente, para apresentar-se como potência mundial hegemônica.
A manutenção da ordem dominante e a proteção contra nações rivais levaram essas potências ao extremo, contra tudo e contra todos que tentaram destruir o império desses grupos e dominar o seu mercado consumidor.