I. BÖLÜM
3.2. Ticaret Ve Sanayi Politikası
3.2.2. ĠĢçi Politikası
No quadro 8, apresenta-se uma ficha-resumo de cada caso apresentado.
Empreendimento Native Naturalle CABRUCA
Produto Açúcar orgânico dos tipos
branco e dourado alimentação humana Soja orgânica para Cacau orgânico em amêndoas
Produção 31 mil toneladas [1] 5 mil toneladas [1] 200 toneladas [1]
Faturamento [2] R$ 26 milhões R$ 2.8 milhões R$ 900 mil
Exportações 29 mil toneladas
(93%)[3] 5 mil toneladas (100%)[3] 27 toneladas (14%)[3] Destino das exportações Estados Unidos (40%) União Européia (40%) Canadá (10%) Japão (1%) Estados Unidos (80%) União Européia e Japão
(20%) União Européia (100%)
Certificações
orgânicas FVO, Ecocert, JAS e IBD Ecocert, JAS e IBD IBD
Quadro 8: Caracterização dos casos apresentados
Fonte: Elaboração do autor. [1] ano de 2005, [2] referente apenas ao produto orgânico analisado - ano de 2005, [3] participação em volume.
4.4.1. Atributos do produto orgânico produzido
Do ponto de vista ambiental, a Cabruca apresenta aspectos conservacionistas de mais fácil percepção, que contudo não são perceptíveis ao consumidor final apenas através do rótulo de produção orgânica.
Em todos os casos, os atributos de qualidade são medidos por requisitos específicos, relacionados ao uso final do produto. Assim, as características garantidas pelo rótulo de produção orgânica funcionam como um patamar mínimo de qualidade, que se tornam condições necessárias mas não suficientes para a consolidação do acesso a mercados de PDs.
4.4.2. A opção pela produção orgânica
A conversão à produção orgânica se dá dentro de um contexto de busca por diferenciação das
commodities produzidas pela empresa. Além desse aspecto mercadológico, essa opção
emerge, no caso da Native, de uma preocupação em tornar o processo produtivo mais eficiente, reinventando-o, para usar uma expressão empregada pelo empreendedor.
No caso da CABRUCA, a idéia é preservar o tradicional sistema cabruca. Os cooperados replicam um modelo de produção em harmonia com a conservação de áreas florestais num
ambiente de dependência e reciprocidade entre essas as práticas. Buscam, logicamente, aprimoramentos em produtividade numa lógica que não se caracteriza como a de simples substituição de insumos.
Quanto à Naturalle, por conta do modelo de parceria com os produtores de diferentes regiões, a análise dos benefícios ambientais no campo se torna dependente da análise de cada unidade produtiva. Pode haver o emprego de lógica de substituição de insumos por parte de alguns agricultores, contudo, garante-se um mínimo de impactos socioambientais positivos por conta da certificação orgânica em todas as propriedades.
Um aspecto bastante interessante e salutar é a crença dos empreendedores na necessidade de inserção de sustentabilidade em seus modelos de negócio. Ou seja, há a compreensão de que o rótulo ambiental de produção orgânica não atesta per se a sustentabilidade de uma empresa e
de que há necessidade de fazer com que esse conceito oriente os relacionamentos internos e externos, bem como as decisões de curto e longo prazo.
4.4.3. Características do segmento exportador em que o empreendimento atua
O Brasil é um exportador representativo de açúcar (1º), soja (2º) e cacau processado (5º), acessando os mercados de PDs nos casos dos dois últimos produtos, em sua maior parte através de tradings transnacionais. Em relação ao açúcar, o Canadá é um dos principais
destinos do produto bruto, mas nenhum outro PD figura entre os destinos principais da produção nacional.
As exportações desses produtos em versão orgânica são destinadas majoritariamente a EUA, União Européia, Japão e Canadá. Os segmentos orgânicos são pouco representativos em relação aos convencionais, como se percebe na tabela 12.
Produto Total
(Toneladas)
Orgânico
(Toneladas) Participação
Açúcar bruto e processado 18 milhões 60 mil 0,3 %
Soja 22 milhões 30 mil 0,1%
Cacau em amêndoas 1 mil 50 4,7%
Tabela 12: Exportações de açúcar, soja e açúcar (2005) - relevância do setor orgânico Fonte: Elaboração do autor a partir de SECEX/MDIC (2006), ICCO (2006) e entrevistas.
A maior participação do cacau orgânico em amêndoas em relação ao total de exportações se deve ao fato de o Brasil ser um grande processador de cacau e, consequentemente, apresentar uma ínfima exportação do produto in natura.
4.4.4. Acesso do produto orgânico do empreendimento aos mercados de PDs
Conforme apresentado no quadro 8, nos 3 casos estudados neste trabalho de pesquisa, os destinos da produção orgânica exportada são: Estados Unidos, União Européia, Japão e Canadá.
Os três casos apresentam um perfil semelhante no que diz respeito ao cliente principal nos mercados de PDs: as indústrias alimentícias. À exceção da Native, que reúne esforços para aumentar sua presença nas prateleiras de redes varejistas, os demais empreendimentos enfrentam limitações relacionadas à possibilidade de seus produtos atingirem, com marcas próprias, o mercado consumidor final.
4.4.5. Características demandadas pelos clientes diretos, nos mercados-alvo
Nos três casos, a qualidade foi apresentada como requisito mais importante dentre os demandados pelos clientes localizados em PDs, seguido pela confiabilidade da empresa. Os conceitos de qualidade mencionados pelos entrevistados extrapolam os atributos de um produto orgânico que são garantidos pelas certificações orgânicas. Dizem respeito às características físico-químicas dos produtos analisados. Como os três produtos são exportados como insumos da indústria alimentícia, devem atender a diversas exigências em relação à homogeneidade, transferência de cor e de sabor.
A confiabilidade mostra-se um diferencial importante num mercado de nicho, com poucos e pequenos produtores espalhados pelo mundo. Diz respeito a “entregar o que foi prometido, com qualidade e dentro prazo”, como expressado pelo entrevistado da Naturalle. Nas indústrias de alimentos orgânicos, em muitos casos a produção é realizada em bateladas, mas mesmo em plantas de processamento exclusivas, atrasos ou produtos fora de especificação afetam a confiabilidade do fornecedor.
O rótulo ambiental foi definido como “decisivo” no acesso a mercados de PDs pelos entrevistados da Native. É um elemento de diferenciação que atesta atributos mínimos de qualidade do produto e do seu processo de produção. Como definido pelo entrevistado da Naturalle, a certificação orgânica, quando reconhecida no mercado-destino, “funciona não como um fim em si mesmo, mas como um meio para a construção de uma relação de confiança, que se cria em torno do produto certificado.”. No caso da Naturalle, que ingressou nos mercados de PDs tanto com o produto convencional quanto com o orgânico, o empreendedor percebe que ocorre transferência da confiabilidade no produto com rótulo ambiental para a marca da empresa, o que se espelha nas vendas do produto convencional. Quanto ao preço dos produtos, nos casos da Native e da Naturalle esses se mostram descolados das variações do produto convencional. Apenas no caso da CABRUCA a formação do preço se dá diretamente em função do preço negociado na Bolsa de Nova Iorque. Em todos os casos, os empreendedores entendem que o consumidor aceita pagar mais por um alimento orgânico por perceber maior valor agregado no produto.
4.4.6. Oportunidades e desafios percebidos pelo empreendedor
As oportunidades comuns aos três casos estão relacionadas à percepção de que há demanda reprimida pelos produtos orgânicos e que os prêmios não devem ser reduzidos no curto prazo. A demanda reprimida torna o aumento da participação internacional o principal desafio comum aos três casos.