5. SONUÇ ve ÖNERİLER
5.2. Öneriler
A marcação radioativa dos lipossomas pode acontecer pela simples adição do radionuclídeo de escolha no meio aquoso que é usado para hidratar os lípides. Entretanto, uma pequena
fração do radiomarcador é incorporada na fase aquosa interna, levando a uma baixa eficiência de marcação (menor que 10%). Trata-se de um método considerado laborioso, pois requer a preparação de novos lipossomas em todos os experimentos (TORCHILIN e TRUBETSKOY, 1995).
Diante disso, novas estratégias para marcar lipossomas pré-formados com mais eficiência foram desenvolvidas ao longo do tempo. Em geral, os métodos de marcação consistem em acoplar o radiomarcador na bicamada lipídica, diretamente na superfície ou através de um agente quelante. Outra maneira é o transporte do radionuclídeo através da bicamada lipídica, consistindo na encapsulação do mesmo na fase aquosa dos lipossomas. O primeiro método foi realizado pioneiramente por Morgan e colaboradores (1981), por meio da redução do NaTcO4 com cloreto estanoso e seu acoplamento na superfície da bicamada. Porém, em estudos com animais, essas preparações lipossomais radiomarcadas apresentaram alta captação nos rins e bexiga, o que sugere uma extensa liberação in vivo do 99mTc dos lipossomas. Outros pesquisadores confirmaram tal instabilidade dos lipossomas radiomarcados por esse método (AHKONG e TILCOCK, 1992; LOVE et al., 1989).
O outro método de marcação de lipossomas consiste em encapsular o radionuclídeo no espaço interno aquoso de lipossomas pré-formados, sendo que, o radionuclídeo deve estar na forma lipofílica conseguindo, assim, permear através da bicamada lipídica. Em 1992, Phillips e colaboradores desenvolveram outra técnica para marcar lipossomas com 99mTc utilizando o quelante lipofílico HMPAO, formando o complexo 99mTc-HMPAO capaz de atravessar a bicamada dos lipossomas pré-formados. Estes possuíam glutationa na sua cavidade aquosa, substância que é capaz de reduzir o 99mTc-HMPAO para a sua forma hidrofílica fazendo com que o complexo fique retido no interior das vesículas lipídicas. Esse método mostrou-se reprodutível e com alta eficiência de marcação, em torno de 85%.
Os estudos utilizando lipossomas como veículos para imagem de inflamação e/ou infecção iniciaram há mais de 20 anos. As primeiras investigações foram realizadas por Morgan e colaboradores (1981) em ratos infectados com S. aureus, utilizando lipossomas convencionais unilamelares aniônicos, catiônicos e neutros marcados pelo método do cloreto estanoso. Eles observaram uma significativa captação dos lipossomas aniônicos na área infectada quando comparada com a área não afetada, enquanto os lipossomas catiônicos e neutros não apresentaram a mesma captação.
Bakker-Woudenberg e colaboradores (1992) estudaram a biodistribuição de lipossomas, com diferentes composições lipídicas, em modelos de ratos com pneumonia unilateral causada por Klebsiella pneumoniae. Os experimentos proporcionaram a compreensão das características lipossomais que facilitam a sua captação pelos tecidos infectados. Os lipossomas de circulação prolongada apresentaram uma captação 10 vezes maior do que os lipossomas convencionais. Tem sido sugerido que esses lipossomas apresentam amplo extravasamento em focos infecciosos e inflamatórios devido ao aumento da permeabilidade vascular nessas regiões. Uma possível explicação para o fato dos lipossomas ficarem retidos nesses sítios pode ser a de que as vesículas lipídicas sejam fagocitadas pelos leucócitos presentes na área afetada, mantendo-os no local (ERDOGAN et al., 2000; GOINS et al., 1993).
Para que um sítio inflamado ou infeccioso possa ser diagnosticado pela cintilografia é necessário que nestas regiões haja uma quantidade de radioatividade acima da atividade da radiação de fundo dos tecidos normais. Em geral, deve-se ter uma relação alvo/não alvo de, pelo menos, 1,5 para permitir a identificação de uma lesão por imagem cintilográfica. Lipossomas com vida média plasmática em torno de 4 horas têm sido sugeridos como carreadores de agentes de imagem para focos de inflamação. Esse tempo seria suficiente para que os lipossomas se acumulassem no sítio inflamatório e para que ocorresse a depuração sanguínea, resultando em imagens mais nítidas das lesões (PHILLIPS, 1999).
Boerman e colaboradores (1997) estudaram o efeito do diâmetro e do tempo de circulação dos lipossomas furtivos marcados com 99mTc para imagens de focos inflamatórios utilizando vesículas de diferentes diâmetros (90, 120, 150 e 180 nm) injetados em ratos infectados na pata com S. aureus. As imagens obtidas com as diferentes preparações mostraram que os lipossomas de circulação prolongada de menor diâmetro apresentaram uma ótima captação no sítio infeccioso.
Carmo e colaboradores realizaram estudos para a identificação de focos inflamatórios (2008a) e infecciosos (2007) utilizando lipossomas pH-sensíveis de circulação prolongada (SpHL), pré-formados, marcados com 99mTc-HMPAO. Os resultados mostraram uma relação alvo/não alvo maior que 5 no sítio inflamatório, 2 horas após a injeção dos lipossomas, atingindo um valor máximo de 10,4 no tempo de 8 horas após a injeção. Para o processo infeccioso, provocado por injeção de S. aureus no músculo da pata de camundongos, os lipossomas radiomarcados permaneceram significativamente retidos no
local do abscesso quando comparados com o respectivo controle. O abscesso foi visualizado muito precocemente, no tempo de 30 minutos após a injeção dos lipossomas marcados com 99mTc-HMPAO, tornando-se mais proeminente com o tempo.
Kirby e Gregoriadis (1984) desenvolveram um método capaz de encapsular uma grande variedade de materiais em lipossomas com composição lipídica variável, com alta eficiência e utilizando condições relativamente simples. O procedimento, baseado no uso de desidratação e reidratação das vesículas (DRV) para induzir a fusão de lipossomas pré- formados é simples de ser feito podendo ser realizado em grande escala. Esse método consiste em liofilizar os lipossomas SUV (desidratação) e, posteriormente, reidratá-los com uma solução do material a ser encapsulado. O mecanismo que define os eventos durante o processo de desidratação/reidratação foi proposto por Deamer e Barchfield (1982): as vesículas tornam-se mais concentradas durante a desidratação, achatam-se e fundem-se umas às outras, formando uma camada multilamelar. Com a hidratação, vesículas maiores são formadas e 95% das vesículas alcançam diâmetros menores que 1 m após a reidratação. Porém, o tamanho das vesículas na escala de micrômetros inviabiliza o método, pois como citado anteriormente, vesículas menores são requeridas para estudos in vivo. Zadi e Gregoriadis (2000) propuseram uma modificação nesse método, onde a desidratação é realizada na presença de açucares (glicose ou sacarose) seguida de reidratação controlada com o material a ser encapsulado. Os resultados obtidos mostraram uma redução drástica no diâmetro das vesículas (90 a 200 nm) e o percentual de encapsulação permaneceu elevado (> 87%).
No presente trabalho, o método de DRV com as modificações sugeridas por Zadi e Gregoriadis foi empregado para o procedimento de encapsulação dos radiofármacos nos SpHL.