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A Taxonomia de Bloom foi criada inicialmente com o intuito de facilitar o trabalho dos professores, buscando padronizar a linguagem utilizada para definir os objetivos educacionais contribuindo para redução do esforço despendido na formulação das avaliações, possibilitando o intercambio das mesmas, entre professores e até mesmo entre instituições (TAVARES; TAVARES, 2010).

Para Santana Junior, Pereira e Lopes (2008), o trabalho de Bloom tem fornecido uma base sólida no desenvolvimento de currículos (o que ensinar) e nos projetos de avaliação (o que medir). A idéia principal que envolve a criação da Taxonomia de Bloom, partiu da necessidade de fazer com que o julgamento de valor do docente sob as avaliações de averiguação do resultado do processo de ensino/aprendizagem fosse feito com base em critérios padronizados. Tais critérios estão diretamente ligados aos objetivos educacionais predefinidos inicialmente pelo professor.

Na Taxonomia de Bloom, os objetivos do processo educacional de acordo com o domínio específico do desenvolvimento cognitivo estão relacionados ao aprender, dominar um conhecimento, envolve a aquisição de um novo conhecimento, do desenvolvimento intelectual, de habilidades e atividades. A Taxonomia original é estruturada em níveis de complexidade crescente, onde se considera que o aprendiz precisa conhecer, compreender e utilizar o que eles sabem antes de pensar no domínio maior, passando por cada nível da construção do conhecimento.

As categorias do domínio cognitivo propostas por Bloom representam os resultados da aprendizagem esperados pelo educador, de modo que esses resultados caracterizam a relação de dependência entre os níveis de cognição, sendo organizados em termos da complexidade dos processos mentais. Para cada categoria estão associados objetivos instrucionais utilizados pelos professores para nortear o planejamento de suas atividades e seus instrumentos avaliativos. Tais, objetivos são representados por verbos (Quadro 2), que ajudam o docente a observar o desenvolvimento do discente quanto à absorção dos conhecimentos pretendidos.

Quadro 2: Objetivos e verbos da Taxonomia de Bloom

Categorias Objetivo Verbos

Conhecimento Verificar a capacidade de o sujeito reproduzir com exatidão uma informação que lhe tenha sido dada.

Definir, Memorizar, Repetir, Relembrar, Listar, Citar, Nomear, Relacionar, Revisar, Descrever, Identificar, Apontar, Reproduzir, Declarar, Ordenar e Reconhecer.

Compreensão Verificar se o sujeito é capaz de usar uma informação original e ampliá-la, reduzi-la, representá-la de outra forma ou prever conseqüências resultantes da informação original.

Reafirmar, Discutir, Reconhecer, Explicar, Expressar, Esboçar, Converter, Defender, Estimar, Explicar, Ilustrar, Reescrever, Conceituar, Resolver, Resumir, Classificar, Identificar, Interpretar, Reconhecer, Redefinir, Selecionar, Situar e Traduzir.

Aplicação Verificar a capacidade de o sujeito transportar uma informação genérica para uma situação nova e específica.

Traduzir, Interpretar, Aplicar, Empregar, Demonstrar, Ilustrar, Criticar, Inspecionar, Debater, Inventariar, Relacionar, Resolver, Examinar, Desenvolver, Manipular, Modificar, Operacionalizar, Organizar, Produzir, Usar, Construir, Exemplificar Esboçar.

Análise Observar se o sujeito consegue separar uma informação em elementos componentes e estabelecer relações entre eles.

Distinguir, Analisar, Diferenciar, Avaliar, Calcular, Testar, Comparar, Contrastar, Criar, Instalar, Organizar, Gerenciar, Preparar, Reduzir, Diferenciar.

Síntese Perceber no sujeito a capacidade de reunir elementos de informação para compor algo novo, com traços individuais distintivos.

Combinar, Compilar, Compor, Generalizar, Organizar, Planejar, Propor, Reescrever, Resumir, Montar, Recolher

Avaliação Verificar se o sujeito é capaz de confrontar um dado, uma informação, uma teoria, um produto, com um critério ou conjunto de critérios, que podem ser internos ao próprio objeto da avaliação, ou externos a ele.

Julgar, Avaliar, Comparar, Rever, Pontuar, Averiguar, Concluir, Criticar, Decidir, Defender, Validar, Selecionar, Resolver.

Fonte: Adaptado de Yoshitake (2003) e Ferraz, Belhot (2010).

Cada categoria taxonômica representa o que o indivíduo aprende e não aquilo que ele já sabe, ou seja, que tenha assimilado do seu contexto familiar ou cultural. A Taxonomia de Bloom do Domínio Cognitivo é estruturada de forma que, cada nível é representado por uma categoria, onde para adquirir uma nova habilidade pertencente ao próximo nível, o aluno deve ter dominado e adquirido a habilidade do nível anterior. Só após conhecer um determinado assunto alguém poderá compreendê-lo e aplicá-lo. Nesse sentido, a taxonomia proposta não é apenas um esquema para classificação, mas uma possibilidade de organização hierárquica dos processos cognitivos de acordo com níveis de complexidade e objetivos do desenvolvimento cognitivo desejado e planejado (FERRAZ; BELHOT, 2010).

Em 2001, foi publicado por David Krathwohl um relatório com uma revisão da Taxonomia de Bloom, que tinha por objetivo, contrabalançar o que existia relativo à estruturação da taxonomia original e as novas tecnologias educacionais desenvolvidas, até aquele momento. Para Krathwohl (2002), os objetivos educacionais declaram o que se espera

que os discentes aprendam, mas não esclarecem como será verificado se realmente lembraram e aplicaram esse novo conhecimento.

Com isso, a revisão da taxonomia de Bloom trouxe uma combinação entre o tipo de conhecimento a ser adquirido (dimensão do conhecimento) e o processo utilizado para a aquisição desse conhecimento (dimensão do processo cognitivo). A dimensão conhecimento foi divida e definida em quatro tipos, a saber:

1. Conhecimento factual: Conhecimentos básicos de uma disciplina com os quais os alunos devem estar familiarizados;

2. Conhecimento conceitual: Interrelações entre os elementos básicos de uma estrutura, que os permite funcionar conjuntamente;

3. Conhecimento procedimental: Como fazer algo, métodos de questionamento; critérios para utilização de habilidades, algoritmos, técnicas e métodos;

4. Conhecimento meta-cognitivo: Conhecimento da cognição em geral, conhecimento da própria cognição e da prontidão.

Os processos cognitivos passaram por mudanças na nomenclatura, sendo então, descritos com verbos em vez de substantivos, como na taxonomia original, passando a serem os seguintes:

1. Relembrar: Resgatar conhecimentos relevantes da memória de longo prazo

2. Entender: Construir significados a partir de mensagens instrucionais, incluindo mensagens orais, escritas e comunicações gráficas.

3. Aplicar: Executar ou usar um procedimento numa dada situação

4. Analisar: Quebrar um material em suas partes constituintes e determinar quais partes se relaciona com as outras e com a estrutura global, ou com o propósito global.

5. Avaliar: Fazer julgamentos baseados em critérios e padrões.

6. Criar: Agrupar elementos de modo a formar um todo coerente ou funcional; reorganizar elementos em um novo padrão ou estrutura.

A Taxonomia de Bloom revisada é baseada numa visão mais ampla de aprendizagem, que inclui a capacidade de usar esses conhecimentos em novas situações, transferindo a utilização de conhecimentos para outras circunstâncias, o que ocorre quando a aprendizagem é substantiva, de forma a construir significados sobre a nova informação que lhe é apresentada (TAVARES; LIMA, 2010).

Podemos considerar segundo Driscoll (2000) e Tavares e Lima (2010), que a taxonomia original tem sido utilizada para a classificação de objetivos curriculares e para descrever o resultado de aprendizagem em termos de conteúdo e discussão do que deve ser

realizado com o conteúdo assimilado. Já a Taxonomia revisada ajuda a evidenciar quais são os processos cognitivos e tipos de conhecimentos que estão sendo utilizados, sendo essa informação de grande importância para a tomada de decisão pedagógica em direção da aprendizagem significativa.

Neste trabalho, será utilizada a taxonomia original, para nortear a construção do instrumento de avaliação que pretende medir o resultado da aprendizagem, a fim de comparar o método de ensino tradicional e o método de ensino construtivista.

Benzer Belgeler