3.3. Deneysel İşlem Basamakları
3.3.1. Öğretim Materyali ve Programın Hazırlanması
A constituição histórica da clivagem centro-periferia, e a divisão internacional do trabalho decorrente deste processo, condicionaram um desenvolvimento desigual
originário. Dado que a propagação das tecnologias da primeira onda longa se inicia no
centro para depois se estender para a periferia, as economias do centro absorbem as técnicas capitalistas de produção primeiro. Em contrapartida, as técnicas produtivas da periferia permaneceram inicialmente atrasadas em termos tecnológicos e organizacionais (RODRIGUEZ, 2009, p.81). E, na continuidade do processo de desenvolvimento tecnológico, a emergência de novas revoluções tecnológicas permanece localizada no centro do sistema para depois alcançar a periferia, o que mantem o atraso das economias periféricas no acesso às novas tecnologias.
Assim, o desenvolvimento do capitalismo industrial com a emergência da primeira onda longa condicionou um primeiro arranjo na Divisão Internacional do Trabalho (D.I.T.), na qual as economias centrais ofertavam produtos industrializados (com maior incorporação tecnológica) e, as da periferia, produtos primários. O desenvolvimento baseado na industrialização gerou, nos núcleos centrais, estruturas econômicas diversificadas e homogêneas. Por outro lado, o desenvolvimento baseado na exportação
de produtos primários dos núcleos periféricos gerou estruturas econômicas especializadas e heterogêneas49.
No centro, a estrutura produtiva diversificada e homogênea leva a produção de bens com maior conteúdo tecnológico e promove uma dinâmica endógena de desenvolvimento ao gerar a elevação do salário real e do padrão de consumo. A acumulação, a inovação, e a elevação no nível de vida caminham juntas e complementarmente.
[No centro], a mobilidade dos recursos produtivos tendia a igualar sua remuneração nas diversas atividades. Desse modo, quando a elevação dos salários impulsionava a inovação e o aumento da densidade de capital em certos ramos, possibilitando por sua vez o pagamento de salários mais altos, a propagação dessa elevação para outros ramos e setores fazia com que também neles se adotassem tecnologias de maior densidade de capital. Em resumo, o progresso técnico das economias centrais se traduziu em um aumento paulatino da quantidade de capital por unidade de mão de obra e em uma relativa homogeneização da densidade de capital nas diversas atividades produtivas (RODRIGUEZ, 2009, p. 107).
Já na periferia, a estrutura especializada e heterogênea limita a capacidade de acumulação de capital e reduz a possibilidade de incorporação do progresso técnico (RODRÍGUEZ, 2009). A geração e a incorporação da tecnologia são desfavorecidas pela condição de especialização da periferia, pois elas são mais intensas exatamente nas atividades não desenvolvidas na economia periférica. A especialização favorece a expansão dos setores nos quais o progresso técnico é reduzido e, que por isso mesmo, limita as possibilidades de aumentar a complementaridade intersetorial e a integração vertical da produção.
49 O conceito de homogeneidade/heterogeneidade assume a faceta tecnológica e social. Em termos
tecnológicos, o conceito de heterogeneidade se define pela “coexistência de funções de produção essencialmente distintas em um mesmo sistema econômico, na obtenção de um mesmo produto” (FURTADO, 1986, p.162). Analogamente, homogeneidade tecnológica está relacionada à coexistência de diferentes setores econômicos com elevados níveis de produtividade. Já em termos sociais, a homogeneização caracteriza a situação em que “os membros de uma sociedade satisfazem de maneira apropriada as necessidades de alimentação, vestuário, moradia, acesso à educação, ao lazer e a um mínimo de bens culturais” (FURTADO, 1992, p.38). De forma análoga, heterogeneidade social diz respeito à não satisfação dessas necessidades de modo apropriado.
A introdução de novas tecnologias no centro promove transformações simultâneas nas estruturas econômicas e na organização social. Ademais, no centro, a dinâmica econômica é interna: o aumento na produtividade e o aumento no salário real, gerados por avanços tecnológicos, alteram o perfil da demanda e, assim, provocam modificações na alocação do excedente, condicionando sua destinação e orientando o progresso técnico. Ou seja, a dinâmica endógena das economias centrais leva ao processo de
desenvolvimento. Por sua vez, na periferia, as modificações do sistema produtivo são
induzidas do exterior, e as transformações econômicas não alteram radicalmente a estrutura social. Além disso, os incrementos de produtividade advindo da incorporação da tecnologia e os caminhos que eles percorrem na periferia não são suficientes para acompanhar a alta da produtividade que ocorre no centro. Assim, a desvantagem na geração e incorporação o progresso técnico implica em um menor crescimento da produtividade do trabalho e compromete a capacidade de absorção da força de trabalho e aumento do nível de salário real. Logo, a dinâmica exógena da economia periférica conduz ao processo de subdesenvolvimento.
Portanto, a dinâmica do sistema capitalista mundial gerou desde sua origem um desenvolvimento desigual entre núcleos centrais e periféricos. Assim, a dinâmica do desenvolvimento desigual originário que estrutura a clivagem centro-periferia garante que uma parte do sistema sempre esteja atrasada em relação à outra. A inserção indireta na civilização industrial pela especialização manteve o atraso da periferia na acumulação produtiva e estabeleceu uma relação de dependência com o centro.
Originando-se no quadro da divisão internacional do trabalho implantada a partir da Europa, ela [inserção na civilização industrial pelo comércio] é inicialmente indireta e (...) conduz a uma situação de dependência estrutural. Os mercados em expansão dos países europeus que se industrializavam operaram como uma poderosa válvula de sucção, dando origem a um fluxo crescente de intercambio com o exterior. Ora, o acesso aos mercados em expansão da Europa teve como contrapartida a penetração dos valores materiais da civilização industrial. Os produtos exportados pelos países industrializados da Europa refletiam um grau de acumulação relativamente avançado, e os que eles importavam, o baixo grau de acumulação e/ou a maior abundância de recursos naturais das demais regiões do mundo. O comércio exterior fomentava a especialização e aprofundava a divisão do trabalho, portanto ampliava o fosso entre os níveis de acumulação. Explica- se, assim, que a formidável expansão do comércio internacional ocorrida a partir dos anos 40 do século XIX, haja assumido a forma de um intercâmbio entre manufaturados e matérias-primas. (FURTADO, 2008, p.69-70).
Apesar da inserção periférica na D.I.T. pela exportação de produtos primários, quando o sistema entra em uma nova fase e adquire um determinado nível de desenvolvimento, a industrialização periférica emerge. De fato, “[a] industrialização das economias que tiveram acesso à civilização industrial pela via indireta apresenta-se como uma evolução de suas relações internacionais, evolução essa que reflete a ação de fatores tanto externos como internos” (FURTADO, 2008, p.73). A apropriação do excedente gerado pela especialização por parte da elite local ligada ao setor exportador elevava a demanda por importação, uma vez que esta parte da sociedade buscava replicar na periferia o padrão de consumo do centro. Na medida em que a produtividade se eleva nos dois pólos, e na ausência de mobilidade internacional da mão de obra; o aumento na demanda por importações provoca problemas de desequilíbrio externo e a indústria local encontra espaço para se desenvolver (FURTADO, 2008, p.73; PREBICSH, Estudos, p. 51 apud RODRIGUEZ, 2009, p.83). Assim, o processo de acumulação na periferia foi subordinado à diversificação da demanda, mas diferentemente do centro, a industrialização periférica não concorria com as atividades artesanais e sim para substituir importações (FURTADO, 1987)
Dessa forma, uma relação de dependência foi estabelecida entre as economias periféricas e as centrais. De fato, a dependência é uma consequência estrutural do processo histórico de constituição da clivagem centro-periferia. Ela é decorrente da forma como a periferia se inseriu na divisão internacional do trabalho – com atraso relativo no desenvolvimento das forças produtivas –; da maneira como a industrialização periférica emergiu – com o fator dinâmico atuando pelo lado da demanda e, guiada pelo processo de modernização, que reforçou as tendências à concentração da renda –; e, mais tarde, da necessidade de importar certas técnicas produtivas – abrindo caminho para que empresas transnacionais assumissem o controle de algumas atividades econômicas de grande importância (FURTADO, 2008, p.146). A dependência se revela então nos campos tecnológico, cultural e financeiro.
A dependência tecnológica se atrela à insuficiência dinâmica da economia periférica. A debilidade no processo de acumulação dificulta a absorção da mão de obra subempregada, o que, por sua vez, inibe a elevação do salario real na periferia. Este seria responsável pelas mudanças no perfil da demanda, o que alteraria a alocação do excedente de modo a orientar o progresso técnico. Logo, sem o estímulo interno, as inovações são transplantadas das economias centrais e uma dependência é estabelecida quanto à tecnologia usada nos processos produtivos das economias periféricas. A dependência cultural se atrela ao processo de industrialização periférica, conduzido pelo processo de modernização. Não apenas o padrão de consumo da periferia é definido no centro; mas também as inovações tecnológicas transplantadas para a periferia são produzidas pela criatividade cultural dos núcleos centrais. Já a dependência financeira se atrela à ausência de um centro dinâmico endógeno. Pois, nesta situação, a acumulação não é suficiente para gerar inversões que sustentem o financiamento doméstico ao desenvolvimento. Assim, o financiamento externo ao desenvolvimento tende a ser o caminho adotado na periferia.
Portanto, o processo de constituição histórica da clivagem centro periferia e sua dinâmica de desenvolvimento desigual originário condicionaram a relação de dependência e os fenômenos do desenvolvimento e do subdesenvolvimento. Sendo assim, para os teóricos estruturalistas, o subdesenvolvimento não é uma fase do processo de desenvolvimento, e sim um processo histórico que apresenta dinâmicas próprias que tendem a reproduzi-lo (FURTADO, 1961); conforme veremos em maiores detalhes na próxima seção.