5. USE-CASE TABANLI YAZILIM EMEK KESTĐRĐM YÖNTEMĐ
5.3. Yöntemin Veri Seti Üzerinde Doğrulanması
5.3.2. Çoklu Doğrusal Regresyon Analizi Tabanlı Yöntemin Uygulanması
reaccionária aliança europeia.
Byron parte para a Grécia em 1823, após ter recebido um apelo do Comité Grego, uma organização britânica dedicada à ajuda aos gregos que lutavam pela independência contra os poderosos exércitos turcos. Como diz Harold Spender, em 1809, Byron tinha dito que a Grécia teria que se libertar so- zinha; catorze anos depois, partiu para lutar por ela (Spender 13). A sua paixão por aquele país havia permanecido ape- nas adormecida desde a sua primeira viagem e tinha sido
despertada agora que a Revolução começara. Nesse sentido, entre 1822 e 1823, regressa aos temas inspirados pela Grécia em The Age of Bronze, onde denuncia a rejeição das reivindi- cações gregas na Conferência de Verona. Esta levara ao des- necessário prolongamento da guerra pela independência por mais alguns anos (só acabaria em 1829), uma clara tentativa da Santa Aliança em conter o espírito revolucionário que gras- sava na Europa.
O que terá levado Byron a juntar-se a esta causa? Primeiro de tudo, terá sido, como já vimos, o seu ódio pela tirania e pelo reaccionarismo e a simpatia para com os movimentos nacio- nalistas e independentistas europeus; depois, o amor pessoal que sempre sentira pela Grécia; finalmente, o seu sentido do heróico, a procura de emoção e de uma luta sob a bandeira da liberdade que saciasse a sua sede de fama. Moore diz-nos que não deve haver dúvidas quanto à sinceridade do seu empe- nho na luta grega, no entanto, também nos alerta para o fac- to de Byron, durante toda a vida, ter sido sempre movido pelo seu “amor geral pela excitação,” e que essa característica podia ter sido fundamental para a sua decisão de participar naquela guerra (Moore 584). Com efeito, uma guerra poderia despertar o seu espírito entediado e cansado do mundo, assim como conso- lidar ainda mais o mito byroniano, acrescentando-lhe uma aura de herói revolucionário.
Durante a sua curta participação no conflito, interrompi- da pela morte prematura em Abril de 1824, Byron teve como principal objectivo tentar unir as diversas facções gregas inde- pendentistas de forma a fortalecer e tornar mais eficaz o mo- vimento. A sua preocupação nunca passou pela definição do sistema de governo que deveria ser adoptado pela Grécia após a independência, um dos assuntos que mais se discutiam en- tre as diferentes facções. O que realmente lhe interessava era a união para a vitória.
Mais uma vez, apercebemo-nos de que o que verdadeira- mente orientava Byron na sua atitude política não era qualquer forma de teoria filosófica, mas sim a defesa de valores revolu- cionários – a liberdade, a independência, a mudança, o derrube de tiranos – e o ataque aos valores conservadores. O poeta mi- santropo desejava fazer algo mais pela humanidade que tanto criticava nas suas obras e, para isso, tornou-se soldado. Não tinha uma atitude coerente no campo político e talvez não sou- besse muito bem qual era o verdadeiro objectivo que o movia. No entanto, parecia saber exactamente qual o caminho para lá chegar.
3. Relação com a religião
“I never could understand what they mean by accusing me of irreligion”.
(Byron apud Moore 438)
No campo da religião, Lord Byron tinha, mais uma vez, ati- tudes contraditórias. Talvez a melhor definição para a sua po- sição religiosa seja a de uma espécie de deísmo com uma forte influência calvinista e alguma católica, sobretudo nos últimos anos de vida. Do calvinismo puro da sua infância parece ter evoluído gradualmente para um deísmo vago, com uma forte crença na predestinação e na ideia de pecado, repleto de dúvi- das sobre temáticas como a imortalidade da alma, a questão do bem e do mal e a procura de fé (Chew, Altick 1229).
Walter Scott escreveu em 1815 que, como na política, o autor de Childe Harold não parecia ter opiniões fixas e bem definidas sobre religião, embora sentisse que se ele vivesse mais uns anos se iria converter, não ao metodismo, como Byron esperava que ele dissesse, mas sim, ao catolicismo (Scott apud Spender 320). Isto porque, na sua opinião, uma religião que pudesse cativar a personalidade de Byron teria que “exercer um forte poder sobre a imaginação” (Scott apud Spender 320), e, de facto, o catoli- cismo, com toda a sua simbologia e mitologia de santos, anjos e milagres, era mais susceptível de provocar esse efeito do que o protestantismo, mais simples e austero. Porém, uma coisa parece certa: Byron não era ateu. Ele próprio o confirma numa carta à mãe, em 1810: “I am no good soul, and not an atheist, but an English gentleman, I hope, who loves his mother, man- kind, and his country” (Byron apud Spender 48).
Thomas Moore também confirma que Byron nunca foi um descrente assumido, mas sim alguém que poderíamos definir como um “céptico religioso”, ou seja, embora questionasse mui- tos dos dogmas cristãos, nunca deixou de acreditar em algo de transcendental e superior (Moore 62).
Este deísmo era muito pessoal e parece ter sido acompanha- do por um forte anticlericalismo. Byron demonstra frequente- mente que acredita num ser divino e criador, no entanto, parece recusar qualquer tipo de religião organizada, rejeitando, como ele mesmo disse, todo o tipo de “sectarismos, heresias e misté- rios” (Byron apud Moore 47), e abominando os livros de religião. Numa carta endereçada a um seu conhecido, R. C. Dallas e da- tada de 1808, Byron expõe grande parte das suas opiniões gerais sobre religião, rejeitando a autoridade do Papa e a importância
do sacramento da eucaristia (de forma satírica, considera que beber vinho ou comer pão das mãos de um sacerdote terreno não iria fazer dele um “herdeiro do Céu”) e chegando mesmo a afir- mar que, em termos de moralidade, preferia Confúcio e Sócrates aos Dez Mandamentos e São Paulo (Byron apud Moore 64). Por outro lado, trazia sempre consigo uma Bíblia desde que deixa- ra a Inglaterra pela última vez e, segundo o seu biógrafo, era um leitor quase diário das Escrituras. Todavia, como já afirmá- mos, nos últimos anos de vida, o poeta pareceu inclinar-se mais para o catolicismo. Nas cartas escritas a partir de 1821, Byron parece querer conseguir ter fé e tornar-se um crente católico. Achava que os crentes eram bem mais felizes do que os que não o eram: primeiro, porque, se a sua fé estivesse correcta, iriam ser recompensados depois da morte; segundo, caso fosse um logro, descansariam num sono eterno como os não crentes, embora beneficiassem do apoio dessa fé durante as agruras da vida. No entanto, a fé, para ele, não dependia da própria pessoa (Byron
apud Moore 544). Ele não podia simplesmente decidir-se a acre- ditar, era algo que teria que acontecer espontaneamente, e talvez fosse essa a sua grande angústia. James Kennedy, um médico e religioso escocês que o visitou em Cefalónia, após discutir religião com Byron, chegou a esta mesma conclusão: o poeta não queria permanecer um céptico e mostrava-se desejoso por acreditar.
Uma das filhas, Allegra, começou a ser educada como católi- ca num convento italiano, por sua própria vontade. De facto, já em 1821, Byron considera o catolicismo como a melhor religião, sobretudo por ser a mais antiga de entre a Cristandade, e a que ele chama “religião tangível”, com toda a sua adoração elegante, cheia de estátuas, pinturas, altares e relíquias, e envolvendo confissões, absolvições, etc. Se, quanto a estes dois últimos as- pectos, a aproximação é mais fácil de entender pela importância que a noção de pecado tinha na psicologia byroniana, os outros são algo desconcertantes, tendo em conta as suas posições reli- giosas iconoclastas de juventude. Talvez Byron, no seu íntimo, sentisse que a religião católica fosse a que mais se identificava consigo à medida que envelhecia. No entanto, algo o impedia de a abraçar definitivamente. Sintomática desta situação é a resposta que o poeta deu quando James Kennedy lhe disse que para ele se tornar um bom cristão necessitava de se “ajoelhar e orar a Deus”: “C’est trop demander, cher Docteur” (Byron apud Maurois 345).4
A ideia de predestinação e o sentimento de pecado são dois dos aspectos mais importantes da crença religiosa de Lord Byron e estão omnipresentes como duas características da sua perso- nalidade, da sua atitude perante a vida e mesmo como par- tes integrantes do temperamento dos heróis dos seus poemas. Como já vimos antes, estes sentimentos estão, de certo modo, relacionados com o herói byroniano, homem atormentado por um pecado secreto que cometeu algures no passado e, por isso, condenado ao sofrimento eterno.
A ideia de predestinação inculcou-se no seu espírito devido a três factores: a influência calvinista durante a infância, o peso dos antepassados e a superstição.
Nos seus primeiros anos, quando vivia em Aberdeen, Byron teve o primeiro contacto com o calvinismo através da sua ama, May Gray. No ambiente escuro e fantasmagórico da Escócia, ela contava-lhe histórias de homens como Caim, condenados ao Inferno por terem pecado, e lia-lhe passagens da Bíblia, sobre- tudo salmos. Aos oito anos, o ainda George Gordon já tinha lido, tanto o Antigo Testamento, como o Novo, embora tenha gosta- do mais do primeiro (Byron apud Moore 5). Esta reacção pode ser explicável pelo facto de Deus, no Antigo Testamento, ser apresentado como um Deus castigador, por vezes, tirano, algo que podemos relacionar facilmente com os seus fortes senti- mentos de pecado, castigo e condenação. Depois, aos sete anos de idade, foi a vez do seu professor de latim, Paterson – que, como Gray, era um rígido presbiteriano – continuar a sua edu- cação calvinista. Este ter-lhe-á ensinado a doutrina essencial: todos nós somos corrompidos à nascença porque participamos no pecado original; alguns homens podem unir-se a Cristo e ao Espírito Santo através de uma vida de santidade, mas a grande maioria está condenada ao castigo eterno; é Deus quem escolhe os que estão destinados à vida eterna e os que estão destinados à danação (Maurois 20). Desde logo, na mente do jovem Byron, ter-se-á criado a ideia de que ele era um dos condenados, tendo em conta as características de personalidade dos seus antepas- sados e a sua própria rebeldia de infância (Maurois 19). É aqui que o calvinismo se entrecruza com a ideia da hereditariedade como forma de maldição: um tio-avô louco e assassino, um pai libertino, jogador e que morreu jovem, e muitos outros ascen- dentes com vidas trágicas e misteriosas. Como ele próprio disse: “Who wants to live?... Not I. The Byrons are a short-lived race on both side, father and mother: longevity is hereditary: I am nearly at the end of my tether” (Byron apud Trelawny 33).
Quanto à superstição, também teve um papel importan- te na consolidação desta crença. A mãe de Byron era muito
supersticiosa e transmitiu essa característica ao seu filho. Se- gundo o próprio Byron, a sua mãe havia consultado uma viden- te que lhe confidenciou que ele estava predestinado a correr um grande perigo durante a juventude, perigo esse relacionado com veneno, e que se casaria duas vezes, a segunda vez com uma dama estrangeira (Byron apud Moore 19). Byron apenas se ca- sou uma vez, mas esteve perto de casar novamente e com uma mulher italiana, Teresa Guiccioli. Quanto ao veneno, essa profe- cia parece nunca ter sido realizada, embora Byron dissesse que tinha pensado muitas vezes nela, talvez uma alusão a ideias suicidas. Por outro lado, Byron havia nascido envolvido na bol- sa amniótica, e, apesar de isso não lhe ter causado nenhum problema de maior durante o parto, o poeta referia-se muitas vezes a esse facto como um sinal de maldição. Finalmente, o último indicador que encontrámos deste seu aspecto supersti- cioso é o facto de ele acreditar na lenda do fantasma do Monge Negro, que supostamente assombraria a propriedade familiar, a Abadia de Newstead. É possível que Byron o considerasse como uma alma condenada, o que parece ligar-se com a crença calvi- nista em que tinha sido educado.
Outro assunto a que Byron parece fazer diversas alusões nas suas cartas e diário é o da imortalidade da alma. Inicialmente, Byron parece não acreditar nessa ideia de vida depois da mor- te. Numa carta de 1813, explica que duvida da imortalidade do Homem, visto que após comparar a insignificância do Homem e do seu mundo com o “grande todo”, o Universo, o desconheci- do, chegou à conclusão de que as pretensões do ser humano à eternidade eram, de certo modo, exageradas (Byron apud Moore 187). Posteriormente, escreve que a imortalidade da alma é qua- se tão provável como a não-eternidade do corpo (Byron apud Moore 652). No entanto, essa situação parecia não lhe agradar, e mostrou a sua amargura com a vida dizendo que, se pudesse escolher, depois de morrer não voltaria a viver, pois considerava o corpo como uma limitação para o espírito, um peso que este tinha de carregar (Byron apud Moore 351).
Finalmente, convém fazer uma referência à noção byronia- na de mal. Byron acreditava que a maldade era algo de inato, como já vimos anteriormente, e que, portanto, o Homem era mau por natureza: “Je crois comme vous à la prédestination, à la dépravation du coeur humain en général et du mien en particulier” (Maurois 345). Para ele, a existência de males terrí- veis no mundo era a prova de que o Criador não podia ser um ser benevolente, mas sim maléfico, o que nos remete para um certo gnosticismo. Talvez seja esta a razão porque Byron nunca aderiu definitivamente a nenhuma religião oficial, incluindo a
católica. A sua ideia de Deus não era compatível com a do Deus católico, mas, por causa de tudo o que havia visto e vivido, não conseguia deixar de acreditar na concepção do mundo como emanência maléfica de um ser superior igualmente maléfico. Em Byron existe também uma revolta contra esse Deus, uma ideia expressa na sua obra Cain, A Mistery, em que Deus surge como um tirano omnipotente e arbitrário que amaldiçoa Caim por algo que ele foi levado a fazer, desde logo, por causa de uma decisão injusta da própria divindade. Se Byron odiava todo o tipo de despotismos terrenos, é provável que esse sentimento se tenha estendido também aos domínios de cariz religioso. Deste modo, o poeta acreditava na existência de Deus, mas não tinha fé na sua bondade: no fundo, sentia a angústia de viver sob o domínio de uma divindade tirânica.
4. A importância da viagem
“Mais les vrais voyageurs sont ceux-là qui partent pour partir”
(Baudelaire 320)
Uma das principais características de Byron era o seu forte desejo de movimento, e, tal como nas suas obras, também na sua vida havia uma constante mudança de cenário. Como diz Trelawny, companheiro nas suas derradeiras viagens, ele era uma excepção à regra entre os homens de letras, sobretudo en- tre os poetas, que raramente eram homens de acção, pois, no seu entender, as suas energias mentais esgotavam as energias corporais (Trelawny 23-24). No entanto, apesar de essa ânsia por movimento, quando desencadeada, ser uma forte pulsão em Byron, contrastava com um sedentarismo predominante. Embora tenha viajado muito ao longo da vida, o poeta inglês permanecia sempre bastante tempo nos sítios onde se fixava e tinha um dia-a-dia rotineiro e pouco movimentado. É possível que Byron gostasse, apenas, de mudar de paisagem e de pessoas, visto que os seus hábitos sedentários permaneciam, quase sem- pre, os mesmos. Como ele próprio dizia: “If I am stopped for six days at any place, I cannot be made to move for six months” (Byron apud Trelawny 145).
Com efeito, Trelawny achava que a sua fama de grande viajante era exagerada (Trelawny 23-24). Segundo ele, as suas viagens tinham sido sempre pequenas e limitadas, e qualquer homem poderia fazer o mesmo em poucos meses. Byron viajava
sempre em navios de guerra, com todos os luxos e confortos, inclusive criados pessoais. As viagens, essas, eram sempre para locais de clima aprazível, onde continuava a ter os seus hábitos de sempre: comia, dormia, passeava, conversava, lia, escrevia e pensava.
Lord Byron teve dois ciclos de viagens na sua vida: o primei- ro, entre 1809 e 1811, em que passou por Espanha, Portugal, Grécia, Albânia, Smirna, Constantinopla, Malta e Gibraltar; o segundo, entre 1816 e o ano da sua morte, 1824, em que esteve nos Países Baixos, na Suíça, em Itália (onde teve seis moradas: Milão, Veneza, Ravena, Pisa, Montenero e Génova), e, mais uma vez, na Grécia (Cefalónia e Missolonghi). Byron não terá ido à França, pátria do seu ídolo Napoleão Bonaparte, porque, na al- tura em que teve oportunidade de o fazer, Paris estava nas mãos dos seus inimigos aliados, e o poeta não aguentaria ver um país com tanta história artística e militar oprimido por aqueles que ele chamava de “certos oficiais inferiores e patifes, escravos com autoridade e velhacos da justiça” (Byron apud Trelawny 23-24). Nos últimos anos de vida, Byron terá mesmo pensado em comprar uma província na América Central ou do Sul, pro- vavelmente no México, no Perú ou no Chile, e, de preferência, com minas de ouro, prata ou cobre para se poder sustentar. Por vezes, quando se irritava com os seus compatriotas, também ameaçava mudar-se para os Estados Unidos e naturalizar-se americano.
Em 1809, depois de publicar a sátira English Bards and
Scottish Reviewers, e antes de partir para as suas primeiras viagens, Byron afirmou que, apesar de toda a agitação que esta havia causado em toda a sociedade inglesa, o motivo da sua saída não era o medo da vingança daqueles que havia criticado (Byron apud Moore 81). Quais seriam, então, as razões para essa viagem?
Primeiro de tudo, o facto de ser um hábito entre as classes mais altas da Grã-Bretanha que os jovens pares ingleses viajas- sem pela Europa, normalmente pelo Sul do continente. Os jo- vens privilegiados de Inglaterra deveriam ver o mundo antes de o governarem. Este tipo de viagens funcionava quase como que um ritual de passagem dos jovens para a idade adulta, em que estes saíam da protecção da mãe-pátria e iam ver o mundo tal como ele era, tomando contacto com as suas realidades, algo de fundamental para a sua formação como futuros dirigentes. Por outro lado, Byron parece ter juntado o útil ao agradável, visto que uma viagem ao Sudeste da Europa satisfazia a sua paixão de infância pelo Oriente e pelo seu ambiente exótico e onírico (Moore 119).
Efectivamente, Byron parece ter voltado dessa viagem um homem diferente. Numa carta de Fevereiro de 1811 endereça- da à mãe, confessa que se tornou um cidadão do mundo e que qualquer lugar quente e luxuoso que encontrasse seria sempre considerado por ele como o seu país. Quanto à Inglaterra, diz que o único laço que o unia a ela era a Abadia de Newstead (Byron apud Spender 104). Tinha-se transformado num poeta a partir do momento em que pisara o solo da Grécia, e os sí- tios por onde tinha andado haviam-lhe fornecido muito mate- rial para futuras obras, sobretudo Childe Harold, uma espécie de diário poético da sua viagem, onde surge, pela primeira vez, o herói byroniano, quase ao mesmo tempo em que Byron, ele próprio, se torna um mito vivo. Segundo Moore, terá sido nesta primeira viagem que Byron desenvolveu ainda mais e consoli- dou a sua tendência para a misantropia, sobretudo a partir do momento em que ficou sozinho, após a partida do amigo John Cam Hobhouse (Moore 119). Esses momentos de solidão ter- -lhe-ão aberto as portas para a imaginação, estimulada pelas paisagens exóticas e românticas que presenceou, tornando-o, definitivamente, um escritor.
Quanto ao segundo ciclo de viagens, parece ter origens mais complexas. Entre 1811 e 1816, Byron viveu uma “temporada no Inferno” causada pelos rumores sobre a sua pessoa que circula- vam na sociedade inglesa e para os quais contribuíram bastante a sua fama de boémio, louco e homem perigoso. Entre verda- des, meias-verdades e mentiras, Childe Harold ganhou vida e revoltou-se contra o seu criador, o seu casamento caiu por ter- ra, entre acusações de crueldade, incesto e perversão, e Byron transformou-se no demónio em pessoa. Tornou-se impossível para o poeta viver em Inglaterra, e ele acabou por partir. Se a primeira viagem foi quase de veraneio, esta foi um verdadeiro ostracismo. Até abraçar a causa nacionalista em Itália e depois